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A pesquisa sugere que as crescentes taxas de disforia de gênero entre adolescentes pode ser algo resultante da socialização, e não de fatores biológicos inerentes. (Foto: Pixabay)
A pesquisa sugere que as crescentes taxas de disforia de gênero entre adolescentes pode ser algo resultante da socialização, e não de fatores biológicos inerentes. (Foto: Pixabay)| Foto:

A pesquisa de uma professora da Brown University sobre o efeito do “contágio social” entre adolescentes transgêneros foi republicada sem alterações nos resultados, depois de uma revisão pós-publicação sem precedentes, causada pela repercussão negativa por parte de ativistas transgêneros e pesquisadores solidários à causa.

O trabalho da doutora Lisa Littman, “Parent Reports of Adolescents and Young Adults Perceived to Show Signs of a Rapid Onset of Gender Dysphoria” [“Relatos de pais de adolescentes e jovens dão sinais de uma disseminação rápida da disforia de gênero”], explora um fenômeno pouco compreendido relacionado à quantidade estatisticamente anormal de adolescentes, sobretudo meninas, pertencentes ao mesmo grupo de amigas, que se dizem transgêneros por um curto período.

O estudo, que se baseava nas descobertas feitas a partir de uma pesquisa com noventa perguntas respondida por 256 pais de jovens transgêneros, atraiu imediatamente a ira de ativistas trans ao ser publicado, em agosto de 2018, porque suas descobertas sugerem que as crescentes taxas de disforia de gênero entre adolescentes pode ser algo resultante da socialização, e não de fatores biológicos inerentes.

A Brown University suspendeu o release que anunciava a publicação da pesquisa depois que o periódico acadêmico PLOS ONE atendeu à exigência dos ativistas de que o estudo fosse revisado, mesmo após a publicação – uma medida extremamente incomum. Mas mesmo após a nova análise o trabalho foi republicado sem alterações nos resultados e com alguns acréscimos para oferecer um “contexto adicional”.

“Exceto pelo acréscimo de alguns números que faltavam na tabela 13, os resultados permanecem inalterados na versão atualizada do artigo. A declaração de Conflitos de Interesses e de Disponibilidade de Dados também foram atualizadas na versão revisada”, lê-se no anúncio de republicação do artigo no periódico.

A despeito de a análise pós-publicação não ter gerado nenhuma prova de erro por parte de Littman, no anúncio a republicação ainda é descrita como “correção”, num esforço para deixar claro que a “disseminação rápida da disforia de gênero” não é um termo clínico, de acordo com a entrevista do jornalista Jesse Singal com o porta-voz do PLOS ONE.

“Nenhuma informação falsa foi publicada. Defendemos o artigo, mas sentimos que um contexto adicional era necessário porque ‘disseminação rápida de disforia de gênero’ não é um termo clínico validado”, disse o porta-voz. “Pedimos à doutora Littman que revisasse o artigo para que não haja exagero quanto ao que se pode concluir a partir dessa história de relatos parentais. Entre as revisões estão alterações no título, resumo, introdução e conclusão, a fim de esclarecer as limitações da pesquisa e as implicações de seus resultados”.

Boa parte das correções se detêm no fato de Littman se basear na palavra de pais de adolescentes trans que ela recrutou online, depois de perceber o número crescente de testemunhos em redes sociais nos quais os pais descreviam como a transição de gênero dos filhos se dava logo depois da transição de gênero de seus amigos ou amigas.

Os críticos argumentam que o fato de Littman se basear em “relatos parentais” invalida o conceito dela quanto à “disseminação rápida da disforia de gênero”, uma vez que a transição pode parecer rápida a um pai, a despeito de ter permanecido incubada dentro da criança por muito tempo.

“A ‘rapidez’ no termo ‘disseminação rápida da disforia de gênero’ se refere à consciência repentina dos pais quanto à disforia de gênero dos filhos”, escreveu a escritora transgênero e ex-bióloga evolucionista Julie Serano num texto que criticava a pesquisa.

Littman, no entanto, afirma que a metodologia, que permaneceu inalterada no texto revisado, é padrão e tem sido usada em artigos amplamente aceitos por ativistas transgêneros e pesquisadores solidários à causa.

“Não quero me ater a esse ponto específico, mas a mensagem desses críticos é a de que uma pesquisa que usa relatos parentais, recrutamento direcionado e online e formulários anônimos é inaceitável para meu estudo, mas não representa problema algum se usada em estudos cujas descobertas reforçam a narrativa que eles desejam”, disse Littman. “Mas não é assim que a ciência funciona. Você não pode questionar a solidez da metodologia por causa dos resultados por ela gerados; você tem de julgar os resultados a partir da solidez da metodologia que os gerou”.

Tradução de Paulo Polzonoff Jr.

©2019 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês.

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