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À medida que o tempo passa, mais e mais estudos aparecem mostrando que os lockdowns foram uma estratégia errada de enfrentamento à pandemia.
À medida que o tempo passa, mais e mais estudos aparecem mostrando que os lockdowns foram uma estratégia errada de enfrentamento à pandemia.| Foto: Bigstock

Dezenas de estudos mostram que os lockdowns foram ineficientes no controle da pandemia. E a lista acaba de aumentar.

Em maio, Youyang Gu, cientista de dados e engenheiro do MIT, divulgou dados mostrando que as restrições governamentais não tinham correlação com uma diminuição na mortalidade por Covid-19 nos Estados Unidos. Mas as restrições governamentais tinham relação com uma taxa de desemprego maior.

“Nos Estados Unidos, não há correlação entre as mortes por Covid-19 e mudanças na taxa de desemprego. Mas estados controlados por democratas tem uma probabilidade maior de aumento nas taxas de desemprego”, escreveu Gu, criador do covid19-projections.com, um site de modelos matemáticos relacionados à pandemia. “Restrições maiores NÃO têm correlação com um número menor de mortes pela Covid-19. Mas mais restrições TÊM correlação com uma taxa maior de desemprego”.

Reconhecendo o fracasso dos lockdowns

A pandemia de Covid-19 finalmente está perdendo força e cada vez mais pessoas começam a reconhecer o fracasso da reação coletiva ao vírus.

George Orwell observa que, em tempos de crise, dizer a verdade é um ato revolucionário, então o fato de mais e mais pessoas estarem finalmente reconhecendo a verdade parece ser um sinal de que estamos saindo dessa crise.

Para alguns, como o dr. Anthony Fauci, essas verdades são difíceis de engolir. Como disse recentemente Hannah Cox, Fauci debateu várias vazes com o senador Rand Paul — e se viu derrotado em todos os debates.

Mas os fatos são teimosos. E, 14 meses depois do começo da pandemia, temos muitos dados mostrando que as ordens para se ficar em casa deram errado e os lockdowns foram extremamente ineficientes para retardar a disseminação do vírus.

Os prejuízos dos lockdowns, contudo, são inegáveis: colapso econômico, milhões de empregos perdidos e empresas falidas, aumento de gastos públicos, da dívida pública e da pobreza, explosão de overdoses, piora na saúde mental da população e um colapso no sistema de diagnósticos (incluindo os de câncer) que resultarão em centenas de milhares – senão milhões – de mortes adicionais nos próximos anos.

Não será fácil reconhecer esse fracasso. Como afirmou o jornal New York Times em 2017, os seres humanos têm dificuldade de admitir o próprio erro.

“É difícil aceitar os erros, então às vezes nós nos submetemos a eles, em vez de enfrentá-los. Nosso viés de confirmação atua e faz com que busquemos indícios para provar aquilo em que já acreditamos”, escreveu Kristin Wong. “No trânsito, você fecha um carro que já tem um amassadinho no para-choque, então a culpa é do outro, claro”.

Há um nome para esse fenômeno da psicologia: dissonância cognitiva.

“Dissonância cognitiva é o que sentimos quando a autoimagem – sou inteligente, sou bom, estou convencido da verdade das minhas crenças — é ameaçada por sinais de que fizemos algo que não é inteligente, prejudicou outra pessoa ou desmente nossas crenças”, descreveu Carol Tavris, coautor do livro Mistakes Were Made (But Not by Me) [Erros foram cometidos (mas não por mim)].

Tavris acrescentou que a dissonância cognitiva representa uma ameaça à nossa autoimagem.

“Para reduzir a dissonância, temos de modificar nossa autoimagem ou aceitar os fatos”, disse Tavris. “Adivinha o que as pessoas preferem?”

“Entorpecido pelo sucesso”

Enfrentar o fracasso dos lockdowns é importante por vários motivos.

Para começar, a pandemia de 2020 não será a última. Se pretendemos evitar uma experiência dolorosa no futuro, precisamos entender melhor como surgiu essa reação heterodoxa à pandemia e determinar que políticas de saúde pública deram certo ou não.

Mas há uma lição ainda maior a ser aprendida. Em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel, F.A. Hayek alertou para o perigo da incapacidade humana de reconhecer os limites do seu conhecimento e poder.

“Há um perigo na deliciosa sensação de poder que a evolução das ciências físicas propiciou e que tenta o homem, ‘entorpecido pelo sucesso’, para usar uma expressão dos primórdios do comunismo, a tentar sujeitar não só o mundo natural, mas também o homem ao controle dos homens”, disse Hayek.

Entorpecidos pelo sucesso nessa época de descobertas, Hayek temia que os homens se deixariam seduzir por suas realizações e se acreditariam capazes de qualquer coisa se pudessem controlar a sociedade — ”uma disposição que não apenas o torna um tirano diante de seus semelhantes, mas que também podem torná-lo o destruidor de uma civilização que ninguém imaginou, mas que surgiu dos esforços de milhões de indivíduos”.

Em 2020, testemunhamos em primeira mão o fruto desse esforço de controlar a sociedade a fim de salvá-la. Há uma importante lição de humildade aí, se os humanos forem sábios o bastante para aprendê-la.

Jonathan Miltimore é editor do site FEE.org.

© 2021 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês
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