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Sophie Cunningham

Estrela do basquete desafia o ativismo trans e vira símbolo de uma mudança nos EUA

Sophie Cunningham: acusada de fazer uma campanha de ódio contra atletas trans, a jogadora do Indiana Fever afirma que quer apenas “proteger as mulheres esportistas”
Sophie Cunningham: acusada de fazer uma campanha de ódio contra atletas trans, a jogadora do Indiana Fever afirma que quer apenas “proteger as mulheres esportistas” (Foto: EFE/EPA/Erick S. Lesser Shutterstock Out )

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Uma jogadora criticou a participação de mulheres trans em competições esportivas e rapidamente foi condenada por ativistas, parte da imprensa e até gente da própria WNBA (a principal liga profissional de basquete feminino dos EUA). Em seguida, uma porta-voz da Casa Branca saiu em sua defesa e a elogiou por se manifestar sobre o tema, uma bandeira do presidente Donald Trump.

Mas a reação mais interessante veio das pessoas comuns, dos consumidores, que fizeram um tênis exclusivo da Adidas com o nome de Sophie Cunningham esgotar rapidamente nas lojas. A partir dali, o caso da jogadora deixou de ser apenas sobre uma frase controversa — e passou a mostrar o que acontece quando as instituições e o grande público já não veem o mundo do mesmo jeito.

Sophie não é uma novata tentando aparecer. Muito pelo contrário: a ala do Indiana Fever está entre os nomes mais conhecidos da WNBA. E isso muda totalmente a natureza do episódio.

Quando uma protagonista aponta um problema no esporte, a liga não pode simplesmente ignorar ou dizer que ela não entende do assunto. Ainda assim, a própria assessoria de imprensa do Fever chegou a retirar de um vídeo oficial um comentário da jogadora sobre o tema, feito durante uma entrevista coletiva.

“Eu nunca disse isso”

Sophie Cunningham, no entanto, fez questão de insistir nessa conversa (e, segundo a imprensa americana, está negociando com editoras um livro de memórias que vai incluir suas experiências mais recentes).

“Recebi muitas críticas por supostamente odiar pessoas trans. Eu nunca disse isso. Acredito que estou aqui para espalhar amor. Mas também acredito que com esse amor vem a verdade”, afirmou a jogadora, reiterando que apenas quer “proteger as mulheres esportistas”.

O argumento de Sophie acompanha o resultado de uma pesquisa do instituto Gallup realizada em 2025. Segundo o levantamento, 69% dos americanos defendem que atletas trans devem competir apenas em categorias correspondentes ao sexo de nascimento, enquanto 24% apoiam a participação de acordo com a chamada “identidade de gênero”.

A mesma pesquisa mostra um dado interessante: quando a pergunta muda para outros aspectos relacionados à população trans, como a aceitação da “mudança de gênero”, a rejeição cai e fica na faixa de 55% a 60%. Ou seja, uma parcela significativa dos americanos não necessariamente rejeita pessoas trans, mas entende que o esporte é um caso diferente, porque envolve regras de competição e diferenças físicas capazes de influenciar os resultados.

No entanto, com o avanço da cultura woke, as ligas esportivas, grandes empresas, universidades e a indústria do entretenimento passaram a tratar a defesa da participação de pessoas trans nos esportes como um consenso moral. E, quando isso acontece, qualquer opinião divergente é vista como ilegítima. E o mais grave: deve ser silenciada e até combatida.

Atestado de óbito

Nos últimos tempos, discordar de uma pauta identitária era quase assinar o próprio atestado de óbito público. Há três ou quatro anos, uma atleta que fizesse uma crítica como a de Sophie Cunningham poderia ter perdido todos os patrocinadores em questão de horas.

Mas não é o caso de dizer que a Adidas “furou” o descompasso entre as instituições e o público ou fez uma virada ideológica. Afinal, as grandes marcas raramente agem por convicção filosófica, e sim mirando os lucros e os riscos.

A empresa apenas tomou uma decisão que, alguns anos atrás, parecia improvável: não tratou a fala de Sophie como uma crise de reputação. A Adidas preferiu manter a parceria com uma jogadora cuja posição passou a ser rejeitada por parte da imprensa, de ativistas e de setores da própria liga. E, principalmente, reconheceu a existência de um público disposto a valorizar, com seu suado dinheiro, quem desafia o que parece ser o consenso das instituições.

No fim, essa história não é apenas sobre atletas trans. Sophie Cunningham mostrou que, do lado de fora das bolhas, a realidade sempre se impõe.

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