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Por um bom tempo, se acreditou que a guinada capitalista da China acabaria por transformar naturalmente o país em uma democracia. Porém, desde a chegada do presidente Xi Jinping ao poder, a face totalitária da China está mais evidente do que nunca.

Existem campos de concentração nos quais estão detidos entre 800 mil e 2 milhões de uigures e outras minorias muçulmanas, onde são ensinados a esquecer sua religião e tradição e abraçar o socialismo. Abdusalam Muhemet, de 41 anos, contou à reportagem do New York Times que foi preso por recitar um verso do Alcorão em um funeral. Depois de dois meses em um acampamento, ele e mais de 30 outros foram obrigados a renunciar a suas vidas passadas. Turquia, Arábia Saudita, Irã e Paquistão, sempre tão vocais em relação à questão palestina, permanecem em silêncio sobre os crimes chineses.

Os cristãos também são perseguidos pela ditadura comunista, que promove queima de bíblias, cruzes e igrejas. A venda de bíblias, que já era controlada, está proibida desde abril do ano passado. O objetivo das ações é garantir a lealdade do povo chinês ao partido comunista, que é ateu.

As minorias não são as únicas mantidas sob controle. O governo chinês está construindo um futuro totalitário de alta tecnologia, com técnicas de reconhecimento facial e inteligência artificial para identificar e rastrear sua população de 1,4 bilhão de pessoas. Em algumas cidades, os planos começam a se tornar realidade: câmeras vasculham estações de trem atrás dos mais procurados do país, telas do tamanho de outdoors mostram os rostos dos pedestres imprudentes e listas de nomes de pessoas que não conseguem pagar suas dívidas.

A internet no país já é fortemente censurada, graças ao Grande Firewall, que filtra o conteúdo consumido pela população. Sites como o Google, Facebook, Twitter e Instagram são bloqueados. Cidadãos chineses são presos pelo que dizem, inclusive em redes de outros países.

"A reforma e a abertura já fracassaram, mas ninguém se atreve a dizer", explica o historiador chinês Zhang Lifan, em reportagem do New York Times, citando a política de quatro décadas da China pós-Mao que está dando lugar novamente ao culto à personalidade do presidente Xi Jinping.

Na semana em que a revolução comunista chinesa completou 70 anos, os colunistas da Gazeta do Povo Rodrigo Constantino e Guilherme Fiuza e o jornalista Leonardo Coutinho discutem se a data deve ser celebrada ou não.

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