“O aumento da qualidade e do número de policiais contratados terá algum impacto no comportamento criminoso e desordeiro – mas não muito, a menos que criemos um Estado policial” (Imagem: Pixabay)| Foto:

Às vezes, enquanto dirijo para o trabalho, ouço Clarence Maurice Mitchell IV, apresentador do programa de rádio “C4”, da emissora WBAL, de Baltimore. Mitchell já foi membro da Câmara e do Senado de Maryland. Nas últimas semanas ele tem falado sobre a terrível situação da criminalidade em Baltimore. Em 2018, houve 308 homicídios. Este ano, até agora, foram 69. Isso em uma população que em 2018 era de 611.648 – em 1950, era quase 1 milhão.

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A cidade está depositando suas esperanças de redução de homicídios e de outros crimes no novo comissário de polícia, Michael Harrison. Outra notícia quente em Baltimore é o fato de que a Universidade Johns Hopkins quer contratar 100 policiais armados para patrulhar seus campi, seu hospital e os arredores. A presidente do hospital, a doutora Redonda Miller, testemunhou nas audiências de Annapolis que os pacientes e funcionários estão “com medo quando voltam para casa a pé e mesmo quando caminham até seus carros”.

O departamento de polícia da Universidade Temple, na Filadélfia, é a maior força policial universitária dos Estados Unidos, com 130 policiais no campus, incluindo supervisores e detetives. Em 1957, era lá que eu estudava, à noite. Havia pouca ou nenhuma presença policial no campus. Tenho certeza de que as pessoas que frequentavam a Johns Hopkins, a Universidade de Chicago ou outras universidades próximas ou dentro de vizinhanças negras, durante as décadas de 40, 50 e antes disso, não estavam em um território armado.

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Nos maiores distritos escolares do país que atendem majoritariamente jovens negros, a polícia escolar supera numericamente, às vezes por ampla margem, as equipes de aconselhamento escolar. Mais uma vez, algo inteiramente novo.

Frequentei escolas predominantemente negras na Filadélfia de 1942 a 1954. A única vez que vimos um policial na escola foi durante uma assembleia em que tivemos que ouvir uma palestra entediante sobre segurança. Atualmente, as escolas da Filadélfia contam com mais de 350 policiais contratados.

O que aconteceu para que chegássemos a este ponto? Será que a contratação de mais policiais e novos chefes de polícia tem um impacto significativo sobre o crime? Sem dúvidas, o aumento da qualidade e do número de policiais contratados terá algum impacto no comportamento criminoso e desordeiro – mas não muito, a menos que criemos um Estado policial.

Casadas com o governo

A raiz do problema, particularmente entre os negros norte-americanos, é o colapso da unidade familiar, com a ausência dos pais. Em 1938, 11% dos negros eram filhos de mães solteiras. Em 1965, esse número chegou a 25%. Atualmente são cerca de 75%. Mesmo durante a escravidão, quando o casamento entre negros era ilegal, a porcentagem de crianças negras que eram criadas por mães e pais biológicos era maior do que a de hoje. Em 1940, 86% das crianças negras nasceram dentro de um casamento. Hoje, este número é de apenas 35%.

Não ter um pai em casa causa um sério impacto. Crianças que não contam com a presença do pai têm cinco vezes mais chances de serem pobres, cinco vezes mais chances de cometerem crimes, nove vezes mais chances de abandonar os estudos e 20 vezes mais chances de irem para a prisão.

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Nosso generoso sistema de assistência social permite, na prática, que as mulheres se casem com o governo. Ademais, há uma escassez de bons pretendentes negros ​​porque eles ou abandonaram a escola, ou acabaram na cadeia, ou então não têm muita perspectiva de futuro.

Infelizmente, muitos negros seguiram o conselho de acadêmicos brancos progressistas como Andrew Cherlin, professor da Johns Hopkins, que na década de 1960 argumentou que “o aspecto mais prejudicial da falta de pais nas famílias monoparentais não é a ausência de uma presença masculina, mas a ausência da renda masculina”. A visão de Cherlin sugeria que os pais não eram importantes e que, se as mulheres negras “se casassem com o governo”, pais negros seriam supérfluos.

A maioria dos grandes problemas atuais enfrentados pelos negros nos Estados Unidos tem pouco ou nada a ver com discriminação racial ou com o legado da escravidão. As pessoas que usam essas desculpas estão fazendo um grande desserviço à população negra.

Os maiores problemas que os negros enfrentam não são passíveis de soluções políticas ou de programas governamentais de erradicação da pobreza. Se assim fosse, eles teriam sido resolvidos pelos mais de US$ 20 trilhões que nossa nação gastou em programas de combate à pobreza desde 1965.

*Walter E. Williams é professor de Economia na George Mason University.

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Tradução de Giovani Domiciano Formenton.

©2019 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.