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Dados oficiais do TSE revelam que, se dependesse exclusivamente do voto de presos provisórios, o PT e seus aliados teriam vencido eleições para presidente, governadores e senadores em diversos estados em 2022, evidenciando um forte recorte demográfico e ideológico no sistema carcerário.
Como funcionou a votação para presidente dentro das cadeias?
Nas eleições de 2022, o atual presidente Lula obteve uma vitória esmagadora entre os detentos, mantendo uma média de 80% dos votos válidos tanto no primeiro quanto no segundo turno. Jair Bolsonaro, seu principal adversário, registrou cerca de 14% a 16% da preferência nesse grupo. Esses números foram extraídos de seções eleitorais instaladas especificamente em unidades prisionais e locais de internação de adolescentes em todo o país.
Quem pode votar enquanto está no sistema prisional brasileiro?
De acordo com a Constituição de 1988, apenas os presos provisórios — aqueles que ainda não têm uma condenação definitiva — e os adolescentes em unidades de internação mantêm o direito ao voto. Uma vez que a sentença transita em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso), os direitos políticos são suspensos. Em 2022, cerca de 13 mil pessoas estavam aptas a votar nestas condições, embora o número efetivo de votos tenha sido menor devido a restrições logísticas.
Por que o perfil dos presos explica a vantagem da esquerda?
Especialistas apontam que a população carcerária brasileira é composta majoritariamente por jovens negros e pardos, com baixa escolaridade e renda, grupo que tradicionalmente compõe a base eleitoral do PT por questões de vulnerabilidade social. Além disso, existe o fator da 'memória eleitoral': Lula é associado a pautas de Direitos Humanos, enquanto candidatos de direita frequentemente usam discursos de endurecimento de penas, o que gera natural afastamento desse público.
Quando o cenário mudaria se apenas os detentos escolhessem os governantes?
Se o resultado das urnas fosse decidido apenas pelos presos, estados importantes como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amazonas seriam hoje governados por candidatos do PT ou de partidos coligados. Muitas vezes, candidatos que foram derrotados no cenário geral, como Fernando Haddad em São Paulo, tiveram votações expressivas e lideraram com folga dentro das carceragens.
Quando os presos deixarão de votar nas próximas eleições?
Atualmente, a votação de presos está suspensa para as eleições de 2026. Isso ocorreu devido a uma alteração no Código Eleitoral aprovada recentemente pelo Congresso via PL Antifacção. A nova regra proíbe o voto de qualquer pessoa recolhida a estabelecimento prisional, independentemente de condenação definitiva. O argumento é evitar a influência de facções criminosas sobre o processo eleitoral, mas a medida ainda pode ser contestada no Judiciário.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









