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Para entender

Por que o uso de maconha medicinal na saúde mental é questionado?

Estudo da Universidade de Sidney avaliou que maconha medicinal tem pouca eficácia em saúde mental (Foto: Kimzy Nanney/Unsplash)

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Uma revisão da Universidade de Sydney publicada na The Lancet Psychiatry no último dia 16 concluiu que as evidências sobre os benefícios da maconha medicinal para transtornos mentais ainda são fracas, alertando para potenciais riscos e efeitos adversos em pacientes com ansiedade e depressão.

O que a grande revisão científica feita na Austrália revelou?

Os pesquisadores analisaram 54 anos de estudos que envolveram quase 2.500 pessoas e descobriram que não há provas sólidas de que a maconha medicinal ajude a tratar ansiedade, estresse pós-traumático ou depressão. Pelo contrário, observou-se que o uso dessas substâncias pode aumentar o risco de efeitos indesejados em comparação com tratamentos tradicionais.

Quais são os riscos apontados pelo estudo para quem usa a erva?

De acordo com os cientistas, o uso rotineiro pode acabar piorando os quadros de saúde mental. Existe um risco maior de desenvolver sintomas de psicose (como perda de contato com a realidade) e o próprio vício em cannabis. Além disso, a confiança excessiva nesses derivados pode fazer com que o paciente atrase o início de tratamentos médicos que já são comprovadamente eficazes.

A maconha medicinal ainda funciona para algum tipo de problema de saúde?

Sim. O estudo reforça que os canabinoides têm eficácia demonstrada em áreas fora da psiquiatria. Isso inclui o tratamento de alguns tipos de epilepsia, espasticidade em casos de esclerose múltipla e certas condições de dor crônica. O problema central é a prescrição ampla e indiscriminada para transtornos mentais comuns sem base científica robusta.

Como está a situação do autismo em relação ao uso de cannabis?

Os pesquisadores encontraram alguns sinais de que a substância pode ajudar a reduzir sintomas em pessoas com autismo, mas a qualidade das provas ainda é considerada baixa. Os especialistas recomendam cautela máxima, lembrando que cada caso de autismo é único e não existe uma solução universal que funcione para todos os pacientes.

Como as novas regras da Anvisa no Brasil conversam com esses resultados?

A Anvisa atualizou as regras de produção e pesquisa no Brasil em fevereiro de 2026, permitindo o plantio controlado para fins medicinais. No entanto, enquanto a lei avança na regulamentação, a ciência sugere que médicos e autoridades devem ter prudência redobrada ao indicar esses produtos especificamente para tratar ansiedade e depressão, áreas onde a eficácia ainda é duvidosa.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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