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PT se alia à Internacional Progressista. Saiba o que ela pretende

Organizado pelo senador americano Bernie Sanders, movimento pretende retomar o protagonismo da esquerda, que vem perdendo espaço no mundo inteiro

  • Tiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo
Fernando Haddad, Bernie Sanders, Yanis Varoufakis: representantes da esquerda que reagem ao crescimento dos partidos de direita em diferentes continentes | Reprodução /YouTube
Fernando Haddad, Bernie Sanders, Yanis Varoufakis: representantes da esquerda que reagem ao crescimento dos partidos de direita em diferentes continentes Reprodução /YouTube
 
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O senador americano Bernie Sanders, socialista de 77 anos. O economista grego Yanis Varoufakis, de 57 anos, ex-ministro das Finanças de seu país de janeiro a julho de 2015. O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, 65 anos, pertencente ao Partido de la Revolución Democrática (PRD). O ex-ministro da Educação do Brasil e prefeito de São Paulo, derrotado nas últimas eleições presidenciais, Fernando Haddad, que tem 55 anos e é militante do Partido dos Trabalhadores (PT). Estas são algumas das personalidades de uma nova frente política de esquerda, que tem por objetivo organizar uma reação ao crescimento dos partidos de direita em diferentes continentes.

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A formação do grupo foi consolidada dentro do Instituto Sanders, na cidade de Burlington, em Vermont, durante um evento realizado ao longo do último fim de semana ao qual estavam presentes o ator Danny Glover e Carmen Yulín Cruz, prefeita da cidade de San Juan, em Porto Rico. Em carta aberta sobre a reunião, enviada para o diretório nacional do PT, Haddad explicou: “O avanço do obscurantismo é uma pauta mundial e precisamos reunir forças em torno desse debate e de como enfrentá-lo”, ele afirma. 

“Os setores progressistas internacionais acompanham com muita atenção e preocupação a escalada antidemocrática protagonizada por nossos adversários”, Haddad prossegue. “Estou nos Estados Unidos, à convite [sic] do senador norte-americano Bernie Sanders e do ex-ministro grego Yanis Varoufakis, para avançar na formação de uma Internacional Progressista que pretende reunir forças para lidar com os desafios que nos estão sendo colocados”. 

Haddad foi convidado por carta, enviada por Yanis Varoufakis, e falou à imprensa sobre o encontro no dia seguinte, quando esteve em Nova York: “O meu papel é estimular indivíduos e organizações, inclusive partidos brasileiros, a aderirem a essa campanha internacional, que ainda não tem um estatuto, ainda não tem uma cara. É uma iniciativa.” Andrés Manuel López Obrador também recebeu uma correspondência, mas não participou porque tomou posse da presidência do México no dia 1º.

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Bernie Sanders é senador por Vermont e foi pré-candidato democrata à presidência – seu nome foi derrotado pelo de Hillary Clinton. Em julho, ele foi um dos signatários de uma carta de 29 congressistas americanos que criticavam a prisão e a rejeição à candidatura presidencial de Luís Inácio Lula da Silva. Já Yanis Varoufakis tem longa carreira acadêmica, que inclui passagens pelas universidades de Cambridge e Sidney, e renunciou ao Ministério das Finanças quando termos do acordo econômico que ele negociou para a Grécia em relação à União Europeia foram derrubados em referendo popular. Foi também um consultor influente junto ao primeiro-ministro George Andreas Papandreou, que ficou no posto entre 2009 e 2011.

“Democracia, Sustentabilidade, Solidariedade”

Os princípios do grupo estão apresentados num vídeo, que afirma: “Há uma luta global acontecendo, com consequências enormes. Nada menos do que o futuro da humanidade está a perigo.” Depois de apresentar um cenário de ataque ao meio ambiente, guerras e instabilidade, econômica, o vídeo prossegue “A partir dessa crise, o autoritarismo global está em alta. Esses líderes prometem restaurar o orgulho nacional ao atacar minorias, a imprensa livre e a própria democracia. Mas, no fim das contas, eles apenas servem a si mesmos. É um eco arrepiante dos anos 1930”. O ponto que trata de “restaurar o orgulho nacional” é ilustrado com uma imagem do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro. 

O movimento Internacional Progressista, alega o vídeo, pretende reagir aos partidos de direita, que já estariam organizados internacionalmente, com objetivos e estratégias comuns. “Chegou a hora de formar nosso próprio front na luta por paz global e prosperidade”, afirma o conteúdo, para então apresentar o lema do grupo: Democracia, Sustentabilidade e Solidariedade. 

Em artigo publicado pelo jornal britânico The Guardian, em setembro, Bernie Sanders já havia apresentado os mesmos argumentos e convocado as esquerdas mundiais à união. Neste momento, a frente internacional está coletando assinaturas e pedindo doações, que podem ir de US$ 10 a US$ 200. 

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Essa aliança de direita autoritária, denunciada por Sanders, existe mesmo? “Eu não diria que existe um eixo autoritário formal”, afirma John Feffer, diretor do Institute for Policy Studies, sediado em Washington. Mas, diz ele, lideranças expressivas de um certo autoritarismo de direita são aliadas. “Por exemplo, o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, são próximos politicamente e pessoalmente. Eles aproximaram os dois países economicamente, ainda que não sejam aliados formais”. Além disso, diz ele, “Donald Trump e Kim Jong Un se tornaram camaradas improváveis, ainda que Estados Unidos e Coreia do Norte não mantenham relações próximas”.

Em comparação, diz Feffer, os líderes de esquerda são, de fato, menos unidos. “É difícil dizer que exista uma liderança principal desse movimento internacional progressivo. Bernie Sanders é uma delas, certamente, e existem europeus como o grego Yanis Varoufakis e o britânico Jeremy Corbyn. Existem alguns outros ao redor do mundo, como Jacinda Ardern, da Nova Zelândia. Mas não há nenhuma coordenação entre esses líderes. Como grupo organizado, de fato, eles são fracos diante das lideranças de direita”.

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