A família continua sendo um elemento central de uma sociedade estável e próspera.| Foto: Pixabay
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Um fato sobre a condição humana é que somos falhos e imperfeitos. Muitas vezes podemos ferir aqueles que mais amamos. Frequentemente, damos mais atenção a coisas que não têm tanto valor quanto a família. Para quebrar esse ciclo, devemos passar do egoísmo ao sacrifício — como indivíduos e como famílias.

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Em 1986, o Papa João Paulo II falou ao povo da Austrália. Sua mensagem girava em torno da importância da família para a saúde do mundo. As palavras dele estavam fundamentadas em citações bíblicas, mas o que transmitiu baseava-se no bom senso e na razão humana: aprendemos os ensinamentos mais importantes da vida com nossos pais.

Logo no início de sua mensagem, o papa disse: “Assim como vai a família, vai a nação, e vai o mundo inteiro em que vivemos.”

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Uma pesquisa Gallup de 2024 intitulada “A Qualidade das Relações entre Pais e Filhos nas Famílias dos EUA” (“The Quality of Parent-Child Relationships in U.S. Families”) fornece mais detalhes sobre a situação da vida familiar nos Estados Unidos. Os resultados trazem percepções importantes sobre o impacto do casamento nos filhos, assim como sobre a influência dos pais na vida das crianças.

Primeiro, fica claro que um casal casado que se compromete com o crescimento de seu relacionamento também alcançará uma relação mais satisfatória com os filhos.

“Pais que relatam um relacionamento de alta qualidade com o cônjuge”, informou a Gallup, “têm muito mais probabilidade de relatar uma relação excelente com seus filhos em comparação com pais que relatam uma relação conjugal ou coparental de menor qualidade (67% contra 50%).”

O casamento é a instituição humana fundamental. Não apenas porque é o vínculo que gera nova vida, mas porque é o vínculo destinado a espelhar o amor insondável de Deus. Por isso, o matrimônio cristão é uma aliança. Ele não pode ser quebrado porque o amor de Deus nunca pode ser quebrado. Quando os filhos veem e experimentam a fidelidade de seus pais, forma-se um lar onde sabem que serão amados, mesmo quando precisam de correção.

Infelizmente, o mundo de hoje tende a esquecer o impacto do marido e da esposa, do pai e da mãe, sobre seus filhos e sobre toda a comunidade de seu país. Segundo a Universidade de Bowling Green, “houve 2.315.440 casamentos e 989.518 divórcios (em 2022), ambos números maiores do que em 2021 (2.052.806 e 948.862, respectivamente).” Ou seja, para cada 2,34 casamentos houve um divórcio.

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Permanecer casado depende, de fato, do valor que se dá ao cônjuge. Estudos mostram que “as chances de um casamento estável aumentam quando o cônjuge é comprometido, protetor, religioso e romântico.” Duas das características cruciais para um casamento duradouro — compromisso e religiosidade — têm fortes laços com a vida moral.

As palavras de João Paulo na Austrália em 1986 parecem proféticas. “Com relação à família”, disse ele, “a sociedade precisa urgentemente recuperar a consciência da primazia dos valores morais, que são os valores da pessoa humana como tal, recapturando, assim, o sentido último da vida e seus valores fundamentais.” Seja sobre divórcio, fidelidade ao cônjuge, a forma como um pai prioriza o trabalho em detrimento da família ou a maneira irrefletida como crianças são colocadas diante de telas, deve haver um retorno à pergunta: esta ação é certa ou errada? Vai beneficiar meu casamento ou minha relação com meus filhos fazer isto ou aquilo?

É claro que o amor do casal afeta os filhos. No entanto, como os pais podem ser melhores em estar presentes para seus filhos e fazer do relacionamento pai-filho uma prioridade?

Um estudo do Pew Research de 2023 trouxe estatísticas sobre a experiência e mentalidade dos pais. Cerca de 62% afirmam que ser pai/mãe é mais difícil do que esperavam, e 29% relatam que ser pai/mãe é “estressante o tempo todo ou a maior parte do tempo.” Contudo, apenas 30% disseram que ser pai/mãe era a parte mais importante de quem são como pessoas. Embora seja uma grande parte de suas vidas, não os define totalmente.

Parece que os pais acreditam que seu papel é difícil. Muitos usam a palavra “estressante” para descrever o tempo com os filhos. Como pai de três crianças com menos de cinco anos, percebi que, nos momentos em que me sinto “estressado” pelos meus próprios filhos, a causa é o meu egoísmo, não as necessidades deles.

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Embora existam enormes restrições de tempo para pais com filhos pequenos, a dependência deles do pai e da mãe é um fato da vida e também do amor. As crianças precisam dos pais para as necessidades básicas de sobrevivência, mas também precisam de sua atenção para saberem que são vistas, conhecidas e amadas.

Quando os pais escolhem a ficar no celular por tempo ilimitado em vez de estarem presentes com os filhos, isso transmite à criança a ideia de que o pai ou a mãe preferiria estar fazendo outra coisa. Quando o trabalho se torna tudo e os pais perdem constantemente o jantar ou momentos importantes na vida dos filhos, isso reforça a escolha cíclica de amar mais o trabalho do que os relacionamentos mais importantes da vida.

De fato, fica claro que casamentos florescentes e relações excepcionais entre pais e filhos só acontecerão através do sacrifício do tempo, da atenção e do amor pelas pessoas que sabemos que significam o mundo para nós. Se seguirmos o caminho de doar-nos em vez de nos agarrarmos aos próprios desejos, criaremos um mundo que entende que o amor não é um sentimento, mas uma escolha de agir pelo bem do outro em detrimento do nosso. Então, e somente então, a sociedade será reconstruída e renovada em uma cultura de fé e família.

Tom Griffin é o chefe do departamento de religião em uma escola secundária católica em Long Island. Ele também é o fundador e editor-chefe de uma revista católica impressa e online chamada The Empty Tomb Project. Seu primeiro livro, sobre a vida e o poder de São Francisco para renovar a cultura, foi publicado em 2024.

©2025 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Rebuilding Society Begins at Home.

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