Stephen Bannon, fundador do Breibart e estrategista de Trump: o quão real ele é?| Foto: MANDEL NGAN/AFP

Stephen K. Bannon não era ator quando trabalhou em Hollywood. Pelo menos esse não era o título do trabalho que fazia. Mas a imagem de Bannon, o cineasta, transmitida em um perfil dele publicado pela “New Yorker” é tão diferente da imagem de Bannon, o populista, que não há como não nos perguntarmos se ele estava representando um personagem na época — ou se o estrategista chefe da Casa Branca está fazendo algum tipo de arte performática agora. 

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Veja os seguintes destaques do artigo de Connie Bruck publicado na edição de 1º de maio da revista: 

“Hoje em dia, Bannon é uma presença desgrenhada no Salão Oval. Mas ele se apresentava de outro modo em Beverly Hills, onde parecia a figura típica de um executivo de Hollywood”, discurso agitado, vestido com elegância, agressivamente em boa forma física, movimentando-se de um modo descrito por uma antiga colega sua como “andar de um macho alfa”. 

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“Ele era republicano, mas não dogmático, e procurava não deixar que suas crenças políticas atrapalhassem seu trabalho.” 

“Ele trabalhava arduamente para se integrar ao establishment de Hollywood, e várias pessoas que o conheciam disseram ter ficado espantadas com sua conversão ao que uma delas descreveu como a “jihad política conservadora”. Outra pessoa comentou: “Durante todos os anos que eu o conheci, ele só queria ganhar dinheiro”. 

“Bannon procurava manter distância entre suas posições políticas pessoais e seus esforços para ganhar dinheiro. Em 2004 ele era presidente de uma distribuidora de filmes, American Vantage Media. Ele aproveitou a American Vantage para adquirir outra distribuidora, a Wellspring Media, que era respeitada e confiavelmente liberal, e se tornou seu presidente.” 

Não é incomum que o estilo e a política das pessoas evoluam ao longo dos anos, mas as mudanças de postura de Stephen Bannon dão a impressão de ter sido calculadas. 

Além disso, um advogado do fundador da Infowars, Alex Jones, outra figura importante do trumpismo, disse a um tribunal em Austin este mês que seu cliente “está representando um papel” e é “um artista performático”. 

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Connie Bruck escreveu que, após um período de agnosticismo político, Bannon “captou que o clima político do país estava mudando” à medida que o Tea Party ganhava força, por volta de 2010. 

“Naquele ano”, ela notou, “Bannon lançou três documentários: ‘Generation Zero’, que atribui a culpa pela crise financeira ao perdularismo dos baby boomers liberais; ‘Fire in the Heartland’, que destacou as mulheres do Tea Party, sobretudo Michele Bachmann, e ‘Battle for America’, que mobilizou os eleitores conservadores. A Citizens United Production, empresa criada pela ONG conservadora Citizens United, produziu os três documentários de Bannon em 2010.” 

Um ano depois, Bannon produziu um documentário sobre Sarah Palin – não porque acreditasse de fato no potencial dela, segundo a reportagem de Bruck, mas porque achou que os conservadores acreditariam. Bruck citou um amigo não identificado de Bannon que disse: “A admiração de Bannon por Palin era totalmente falsa. Ele a achava um peso-pena, mas estava convencido de que ela viraria estrela.” 

Outro amigo disse a Bruck que Stephen Bannon deixou sua aparência elegante para trás porque “não podia comparecer ao Tea Party vestido daquele jeito”. 

Conclusão: a versão de Bannon que presidiu sobre o Breitbart News e tornou-se um dos maiores apoiadores e assessores mais próximos de Donald Trump é uma persona assumida na busca pelo poder. 

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Conclusão alternativa: o personagem não real era a versão anterior de Bannon, de seus tempos de Hollywood.