Alternativa
Se puder, evite o litoral na alta temporada
O período entre os dias 23 de dezembro e 13 de janeiro é considerado a alta temporada para o litoral, segundo as imobiliárias. Por conta disso, é o período em que os valores dos alugueis estão mais altos, sofrendo redução após 13 de janeiro até o início do Carnaval.
De acordo com o corretor de imóveis Rodrigo Silva, enquanto nas férias de fim de ano as pessoas costumam passar até 10 dias na praia, quando janeiro começa, o período diminui para uma semana. "Os preços caem também. O pacote tem um custo adicional no fim do ano, por causa dos dias a mais. Em janeiro, a diária diminui R$ 100 tanto de apartamentos para casas", conta. O valor volta a subir, no entanto, para o Carnaval.
A redução do aluguel no período tende a ser mais atraente em termos de custo-benefício, segundo o economista e sócio da Brain Consultoria Fábio Tadeu Araújo. "Economicamente falando, não há a menor dúvida que seria melhor para esperar passar as festas de fim de ano para ir à praia. Mas é preciso lembrar que tem quem só pode ir nessa época. Quem puder escolher a data, além de evitar um transtorno na estrada até chegar, poderá economizar se for somente em janeiro", explica.
R$ 1.624 é o preço médio por pessoa para passar 10 dias no litoral paranaense. Com esse valor, é possível adquirir um pacote para passar uma semana em Buenos Aires, na Argentina.
O crescimento da demanda da classe média por turismo no Paraná, bem como a redução nos lançamentos no litoral do estado acarretaram em um aumento no valor da locação na temporada de 2012/2013. Do último ano para cá, o mercado estima que o preço subiu entre 10% a 20% para o período entre Natal e Ano Novo, e também para o Carnaval. Mesmo com o aumento, desde setembro os veranistas já começaram a buscar o seu lugar ao sol.
O imóvel mais buscado pelas famílias, segundo dados das imobiliárias do litoral, são casas até três ou quatro quadras do mar, para 10 a 12 pessoas. Uma residência com estas características custará este ano, em média, R$ 450 a diária em Pontal do Paraná. No ano passado, a diária estava em R$ 380. Os pacotes de fim de ano englobam, normalmente, 10 dias e, com o aumento de 11,8% em 2012, o custo da família paranaense para passar o réveillon na praia será de R$ 4.500 apenas com a locação.
Apesar do crescimento no preço ser um cenário típico do mercado atual, o economista Fábio Tadeu Araújo, sócio da consultoria Brain, explica que, nos últimos anos, o litoral do Paraná recebeu poucos lançamentos grandes. A oferta, portanto, não cresceu. Além disso, a melhoria na renda e no emprego fizeram com que as pessoas usassem mais os serviços, inclusive o turismo o que significa demanda em alta. "Têm pessoas que ficam em hotel, mas, quem passa mais tempo na praia, aluga casas, o que acaba sendo mais vantajoso. É isso que tem acontecido, várias pessoas simultaneamente estão buscando com mais intensidade a locação de casas em praias e aumentado o preço da locação", aponta.
Guaratuba à parte
De acordo com dados repassados pela Associação dos Corretores de Imóveis de Guaratuba (Associg), em relação a 2011, a praia terá este ano 12% a mais de imóveis para locação. O aumento no número de casas e apartamentos compensa o crescimento da população que buscará a praia neste fim de ano e manteve o preço na mesma média do último ano, segundo o presidente da Associg, João Algacir Woinarovicz. "No ano passado tivemos 1.099 imóveis e, neste ano teremos 1.241. Se, em média, cada imóvel receber 10 pessoas, e a alta temporada vai do dia 23 de dezembro a 13 de janeiro, podemos esperar pelo menos 40 mil pessoas", afirma.
Apesar do otimismo do mercado, alguns banhistas desistiram da alta temporada pelo custo. O advogado Willian Pedroso havia planejado alugar uma casa em Guaratuba para passar o réveillon com mais 10 amigos. Encontraram algumas residências com as características que queriam, mas a diária variava de R$ 450 a R$ 600, valor considerado caro pela turma, quando comparado ao ano passado. "Em 2011 fui com a família e, claro que estávamos em uma casa um pouco menor, mas em proporção o preço estava bem mais barato, uma vez que pagamos diária de R$ 200, na mesma praia", conta.
Pagamento exige cuidado extra
A lei do inquilinato (8.245/1991) define que a locação para temporada não deve ultrapassar 90 dias e, nesses casos, o locador pode pedir o pagamento do aluguel antecipado. O advogado Neudi Fernandes, especialista em direito imobiliário, entretanto, não recomenda aos locatários aceitar essa exigência. "A prática do mercado é que se pague 50% antes, como sinal para garantir o imóvel, e o restante na hora do recebimento das chaves", conta.
Fernandes alerta ainda que o locatário tome precauções antes mesmo de pagar o sinal, verificando a idoneidade do corretor ou da imobiliária. Dessa forma, o veranista evita o negócio com pessoas que se passam ilegalmente por corretores. "Há um golpe muito comum de supostos locadores, falsários que identificam os imóveis que estão para locação em imobiliárias idôneas e copiam. Fazem um site, anunciam pela internet. Como as pessoas já estão habituadas a fazer depósito antecipado, acabam pagando a pessoa errada e, quando chegam à praia, não há locação", explica. Para evitar esse tipo de problema, o advogado sugere que o interessado exija da empresa que o depósito seja identificado na conta da imobiliária.
Visando evitar problemas com falsos corretores, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci-PR) promoverá entre os dias 21 de dezembro e 11 de janeiro a Operação Veraneio. Todas as praias do estado terão agentes fiscais e funcionários que distribuirão folders e orientarão os veranistas para uma locação de temporada segura. Para facilitar a identificação dos corretores credenciados, o Conselho confeccionou camisetas. Antes de alugar ou comprar um imóvel no litoral, o Creci-PR orienta os interessados a verificarem o credenciamento do corretor ou imobiliária através do site www.crecipr.gov.br ou pelo telefone (41) 3453 1654.
Contrato
Outro cuidado sugerido é exigir que a imobiliária faça um contrato de locação, ainda que por pouco tempo. Segundo o advogado, habitualmente as empresas fazem apenas um acordo entre as partes, sem colocar exatamente no papel. "Depois de se certificar que a imobiliária é idônea, a pessoa deve exigir que a empresa passe o contrato por email com todos os dados e especificações do imóvel, se é mobiliado, localização, entre outros", finaliza Fernandes.