Tapumes aparecem na Rua Riachuelo e arredores: região desperta interesse de in­cor­po­radoras| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo

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Investidores apostam na valorização de áreas centrais revitalizadas

Unir público interessado e boas oportunidades de negócio é a fórmula para mudar a cara da Rua Riachuelo e seu entorno. A região ainda carrega o estigma de local inseguro e foco de atividades ilegais, mas a nova onda de ocupação residencial estimula a valorização.

O esforço de revitalização encontra respaldo na iniciativa privada que vê, ali, viabilidade para lançamentos. Os empreendedores enxergam os problemas como oportunidade.

"Lançamentos imobiliários são a melhor maneira de requalificar uma área que sofreu degradação. Grandes metrópoles, como Barcelona e Buenos Aires, em parceria com poder público e iniciativa privada, conseguiram transformar regiões inteiras", aponta Diego Fillardi, da Thá.

"Comparando com outras regiões do Centro, encontramos uma boa relação custo-benefício na área da Riachuelo", observa Diogo Linhares de Camargo, diretor da Porto Camargo.

Convivência

Unidades pequenas para público single, fomento à convivência com amplas áreas comuns nos prédios e a intenção de preservar o aspecto histórico da rua estão entre as características dos novos empreendimentos instalados na Riachuelo e arredores. O Arts terá estúdios de 28 a 45 metros quadrados, com áreas comuns em todos os andares. Na torre residencial do Green Center, apartamentos de um ou dois quartos têm metragens entre 35 e 50 metros quadrados.

O Edifício Primus, que será construído no sistema Obra pelo Valor Real, também será misto e vai conservar a fachada histórica que está no terreno. Terá unidades com tamanhos entre 37 a 53 metros quadrados para studios e apartamentos de 76 a 114 metros quadrados.

Já o Studios da 13, da Porto Camargo, terá 139 unidades com até 34 metros quadrados.

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Obras para construção das duas torres do Green Center já come­ça­ram
Implantação do Arts incorpora edificação antiga da Riachuelo
Fachada de lançamento da Thá sinaliza transfor­­ma­­ções na rua
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Cerca de 500 metros separam o Paço da Liberdade, na praça Generoso Mar­­ques, da Praça Dezenove de Dezembro, no centro de Curitiba. Feito sem pressa, o percurso pela Rua Riachuelo se transforma em um passeio cheio de surpresas.

A tradicional via e seus arredores guardam personagens, lugares e histórias, e também revelam uma situação contraditória. Entre lojas modestas, imóveis antigos, prédios baixos e algumas casas abandonadas, surgem tapumes de construtoras.

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A Riachuelo passou por uma requalificação entre 2009 e 2010, promovida por órgãos públicos e iniciativa privada. O projeto trouxe benefícios como calçadas novas, iluminação, tubulação para dados de telefonia, pintura de fachadas e câmeras de segurança.

A iniciativa não se restringe a obras. Um conjunto de ações quer levar vida nova à rua. Comerciantes receberam orientação do Sebrae-PR para despoluição visual das fachadas, a prefeitura ofereceu isenção parcial de IPTU para proprietários que investem na recuperação física dos imóveis e a perpendicular Rua São Francisco também foi renovada.

O movimento de valorização do Passeio Público também impulsiona a microrregião.

Atenção

As mudanças atraíram as incorporadoras. Se a busca por terrenos para novos empreendimentos no centro é tarefa árdua, por causa da escassez de áreas e alto preço do metro quadrado, a revitalização da rua, antes desprezada pelo setor, mudou o ponto de vista do mercado.

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Carente de lançamentos residenciais, a região desponta como potencial núcleo de um novo modelo de ocupação urbana, que privilegia moradores jovens. São pessoas que preferem não usar carro, valorizam o uso de espaços públicos e prestigiam o comércio local de rua.

A primeira incorporadora a perceber o potencial da Riachuelo foi a Thá. "A análise de tendência mundial de valorização de centros urbanos, históricos ou não, foi o ponto de partida para a prospecção de novas oportunidades", comenta Diego Fillardi, diretor comercial da empresa. A pesquisa culminou no lançamento de dois empreendimentos: o Arts e o Green Center Residence Office, já em construção.

Lançado em dezembro de 2012, o Green Center fica entre as ruas São Francisco e Treze de Maio, a apenas uma quadra da Riachuelo. O projeto prevê uma torre residencial e uma comercial, galeria com 29 lojas que liga as duas ruas e será aberta à população, e áreas verdes em espaços de convivência no topo dos prédios. Os apartamentos são compactos, porém com áreas amplas de sacada. De acordo com pesquisas da Thá, um bom espaço na varanda é item apreciado pelo público de unidades com baixa metragem.

Cultura

Já o lançamento do Arts mereceu campanha voltada para o público jovem. O local onde o edifício será construído abrigou um galpão cultural, que funcionou entre abril e agosto desse ano na Rua Riachuelo, nas ruínas da edificação antiga que existia no terreno. O imóvel será restaurado pela incorporadora e anexado ao prédio.

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Outra empresa a acreditar no potencial da microrregião é a Porto Camargo. Todos os prédios construídos nos 12 anos de atividade da Porto Camargo são em bairros da cidade. O Studios da 13 será o primeiro no centro.

"A gente acredita muito na região da Riachuelo. Todas as incorporadoras enxergam o centro como oportunidade", aponta Diogo Linhares de Camargo, um dos sócios da Porto Camargo. Situado na Treze de Maio, bem próximo ao Green Center, não foge do padrão dos novos edifícios residenciais da região central, voltados para o público single.