Sustentável: Os modelos "verdes"
Uma ação que depende apenas de uma boa impermeabilização e uma avaliação da estrutura da cobertura é o telhado verde. Colocar uma vegetação no telhado ajuda a manter o conforto térmico nas residências, filtra um pouco do CO2 das cidades, absorve boa parte da chuva, filtrando a água que vai para o sistema de reaproveitamento e retardando também o seu retorno ao solo, o que ajudaria a diminuir as enchentes nos grandes centros.
"As vantagens de um telhado verde são muitas. É preciso apenas cuidar para contratar uma empresa especializada no assunto ou mesmo um profissional como um engenheiro e arquiteto para avaliar a estrutura e capacidade do telhado. É essa avaliação que irá determinar o tipo de vegetação que poderá ser colocada", explica o gerente técnico do Green Building Brasil, Marcos Casado. Segundo ele, o preço para a colocação de vegetação no telhado varia de R$ 150 a R$ 230 o metro quadrado. "Investimento que se paga em seis meses a um ano e economiza energia elétrica antes destinada a aparelhos de conforto térmico."
Tipos
Conheça as características e o custo de alguns modelos consultados pela reportagem em empresas de Curitiba e região:
> Cerâmica a mais popular em residências. Apesar do lado negativo da queima do barro, tem bom desempenho térmico e acústico, mas, por ter um índice de absorção de água de 12%, em média, exige uma estrutura mais reforçada (mais madeira) e não pode receber manutenção na chuva quando fica extremamente frágil. Custa de R$ 0,73 a R$ 1,06 a peça em tom natural e estilo português (em formato arrendondado) ou R$ 11,50 a R$ 19 o metro quadrado. Com coloração branca custa: R$ 13 o metro quadrado em barro especial (claro) ou R$ 22,50 a pintada com tinta esmalte.
> Fibrocimento é um dos tipos mais utilizados, junto com a de cerâmica, por ser barato (vence vãos maiores que a de cerâmica e também é mais leve exigindo menos madeiramento na estrutura). Seu tom natural é o cinza, mas pode ser pintada em tons claros para melhorar seu desempenho térmico, que é inferior ao da cerâmica, assim como sua qualidade acústica. Custa R$ 2,84 a R$ 6,88 a telha de 50 x 213 cm ou R$ 11,78 a R$ 21,73 a peça com 110 x 244 cm. No caso da Eterville, lançamento da Eternit com aparência de cerâmica comum e comprimento de 1,80 metro, o preço é de R$ 48 o metro quadrado.
> Concreto é mais pesada, porém mais resistente e com menor absorção de água (7%) do que a de cerâmica. Outra vantagem é que vence vãos maiores (em um metro quadrado é preciso usar cerca de 10 telhas no lugar de 16 a 20 de cerâmica). Isso somado à absorção reduzida pode deixar a quantidade de madeira para estrutura igual a da cerâmica. Custa de R$ 1,47 a R$ 2,08 a peça em cinza claro natural ou R$ 15,44 a R$ 21,84 o metro quadrado, dependendo do modelo e da marca. Na coloração branca o preço é 20% a 25% maior.
> Vidro por ser uma telha cara é ideal para pequenos detalhes e aberturas para deixar a luz natural entrar. Custa R$ 20 a peça ou R$ 360 o metro quadrado.
> Asfáltica também chamada de shingle, é feita com componentes orgânicos, fibra de vidro e outros, cobertos por uma manta asfáltica. É bastante flexível, leve (o que gera economia na estrutura e a torna fácil de manusear e instalar). Tem boa durabilidade (cerca de 20 anos) e resistência ao vento. Na LP Brasil, empresa de Curitiba que importa o produto dos Estados Unidos, o custo da telha é de R$ 18,50 o metro quadrado.
> Metálica feita em aço com cobertura galvanizada (zinco) ou de galvalume (alumínio, zinco e silício).
É mais usada em construção comercial e industrial que exija uma cobertura grande com poucos pilares, como postos de gasolina. É vendida em peças prontas de 1 x 1 metro a R$ 14 (galvalume) e R$ 16 (galvanizada) ou sob medida (R$ 20 a R$ 22 o metro quadrado). Essa telha ainda tem variante termoacústica (duas telhas unidas por material como isopor, tipo sanduíche). O custo dessa é de R$ 45 a R$ 80 o metro quadrado. Há uma opção de uma telha com forro de isopor que custa cerca de R$ 60 o metro quadrado.
Fontes: professor da UTFPR Marcelo Queiroz Varisco, LP Brasil (asfáltica), Balaroti online (cerâmica e fibrocimento), Eternit (fibrocimento e metálica), Ananda Telha (metálica), Tegosul e DaTelha (concreto) e Shopping das Telhas (vidro e cerâmica)
O primeiro passo para construir uma cobertura ecoeficiente está no projeto. É o que aconselha o professor do curso de Tecnologia da Construção Civil da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marcelo Queiroz Varisco. "O engenheiro ou arquiteto tem de analisar o clima onde a residência está inserida, com detalhes como a posição do sol e a direção dos ventos". Isso irá determinar possíveis aberturas na cobertura, para deixar entrar mais ou menos luz natural e também ventilar o telhado.
O principal segredo para um telhado eficiente está na ventilação que criará um bolsão de ar, diminuindo a transferência de calor de fora para dentro da casa e vice-versa. Essa ventilação tem um papel importante na manutenção da estrutura do telhado, feita em mais de 90% dos casos em madeira, porque evita a umidade que faz proliferar fungos no material e, consequentemente, compromete a segurança do telhado. "Quanto maior a distância entre o telhado e a laje ou forro da residência maior será o bolsão de ar."
Nas aberturas para a luz natural podem ser usadas as telhas translúcidas (de vidro ou resina plástica transparente) ou o próprio vidro em algumas partes do telhado. "São produtos mais caros do que a telha convencional, mas se usados mesmo que em pouca quantidade dão um efeito bonito e e uma sensação agradável na residência", afirma a arquiteta Anna Letycia Loyola, da Loyola Arquitetura.
O uso de subcoberturas no telhado é fundamental para o conforto térmico. As mais comuns são do tipo foil (mantas de superfície espelhada dos dois lados) que refletem o chamado calor radiante em até 90% e podem ser encontradas em qualquer loja de material de construção. "A telha em si não é o principal fator determinante no conforto térmico da casa. O fato de ser de cerâmica ou concreto é menos importante do que um bom projeto e a adoção de medidas como a instalação de uma subcobertura", adverte o gerente da área de Indústria da Associação Brasileira de Cimento Portland, Cláudio Oliveira Silva.
Varisco lembra apenas de um detalhe importante: a subcobertura não deve ficar encostada no forro ou laje ou nas telhas e sim grampeada à estrutura porque, "com a exceção de uma marca", o material não "respira" e pode ajudar na concentração da umidade.
Inclinação
A definição da inclinação do telhado, que depende do próprio tipo de telha a ser utilizada e do estilo da edificação, também é importante quando o usuário tem a intenção de usar placas de energia solar. O professor da UTFPR comenta que pesquisas indicaram que a posição ideal das placas em relação ao sol é de 90º. "No entanto, sabemos que a posição do astro muda no verão e no inverno. Isso quer dizer que o profissional deve achar um meio termo na inclinação para que nas duas estações as placas fiquem sempre o mais próximo da posição ideal."
A inclinação precisa ser pensada para a instalação de um sistema de reaproveitamento da água da chuva o mais eficiente possível. "O telhado pode prever uma inclinação e instalação de telhas adequadas, com uma segunda altura do telhado onde possa ser encaixada uma caixa dágua especificamente para isso. Isso poupará alguns transtornos como a compra de uma bomba para puxar a água de cisternas instaladas no chão", explica Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Brasil, entidade que lançou, neste ano, a campanha "One Degree Less". O argumento é que se 30% a 40% das casas do mundo tivessem o telhado pintado de branco isso resultaria na redução de 1º C na temperatura. "Isso diminui a irradiação do calor para dentro da residência reduzindo o gasto com aparelhos como ventiladores, aquecedores, etc", diz Casado.
A campanha é baseada em um estudo do Berkeley Lab, vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, que afirma que a temperatura no interior das edificações poderia ser reduzida em cerca de 6 ºC já que a cor branca reflete até 90% dos raios solares a telha cerâmica na cor natural absorveria a mesma porcentagem.
Como escolher o material
Não existe telha melhor ou pior, há a adequada para cada edificação, por razões econômicas, técnicas ou mesmo estéticas. As de cerâmica, concreto e fibrocimento são as mais utilizadas em residências. Já as metálicas, por serem leves e grandes (ou mesmo feitas sob medida), são usadas em construções comerciais como postos de gasolina, que exigem coberturas extensas, mas com poucos pilares. A asfáltica dá uma aparência limpa e lisa ao projeto com boa estanqueidade e economia de estrutura, já que são leves. As telhas de vidro (ou mesmo plástico translúcido) são utilizadas, geralmente, em partes, detalhes que deixam a luz natural entrar.
A estrutura metálica é mais rápida e usada largamente em construção comercial, mas quando se fala em residência a madeira continua sendo o principal material. Nesse aspecto, segundo o coordenador do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, Geraldo Zenid, existem dois desafios: o princípio ecológico de se preocupar em comprar madeira certificada, de reflorestamento ou, ao menos, legal, e a busca por madeiras adequadas e alternativas àquelas tradicionalmente usadas, mas que não estão mais disponíveis legalmente.
Manutenção
Não há regra que diga com que frequência a manutenção dos telhados deve ser feita, mas é extremamente necessária. "O telhado é a parte da casa que mais trabalha, telhas absorvem calor e a madeira dilata, por isso é preciso fazer uma manuteção frequente", avalia a arquiteta Anna Letycia Loyola.
Varisco recomenda que, no caso das casas, o ideal é dar uma olhada nas calhas e nas telhas a cada seis meses. "Qualquer sinal como goteiras e manchas de umidade deve ser chamariz para a manutenção. Se for constatada uma telha quebrada, por exemplo, não basta substituir a peça, tem de se investigar o estrago que o gotejamento causou na estrutura para que seja corrigido também", indica.
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