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Projeção da nova sede do CREA-PR: projeto escolhido por concurso tem desenho contemporâneo e implementa sustentabilidade ao uso da edificação | Divulgação
Projeção da nova sede do CREA-PR: projeto escolhido por concurso tem desenho contemporâneo e implementa sustentabilidade ao uso da edificação| Foto: Divulgação

Opinião

Concursos são benéficos para toda a sociedade

Orlando Ribeiro, arquiteto, professor e presidente da seção paranaense da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea-PR)

Defendo fervorosamente a prática do Concurso de Projeto para Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo como modalidade de seleção de propostas para edifícios públicos federais, estaduais e municipais em nosso país. O Concurso de Projeto proporciona chance muito maior de encontrar melhores soluções arquitetônicas e possibilita o acesso de profissionais jovens ao mercado, oferecendo oportunidades iguais para todos. Seus vencedores se distinguem por meritocracia.

Concursos têm seu papel no desenvolvimento da profissão, algo visível na trajetória de arquitetos consagrados. Alguns concursos serviram de ponto de inflexão na arquitetura da segunda metade do século 20: entre muitos exemplos, cito a Ópera de Sidney na Austrália, o Centro Pompidou, La Villete, La Defènse e Biblioteca Nacional, em Paris e a ampliação do Museu do Prado, em Madri. No Brasil, o concurso de Brasília é estudado até hoje, bem como os realizados pelo SESC, entre outros. Cada concurso representa um corte que traduz o pensamento contemporâneo regional, nacional e internacional, simultaneamente.

Há também o crescimento pessoal de quem participa de um certame. O tempo dedicado aos concursos é de investigação e reciclagem.

A Lei de Licitações define que projetos de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo são serviços técnicos profissionais especializados, define diretrizes para a realização de concursos e destaca que, "ressalvados os casos de inexigibilidade de licitação", os contratos para a prestação de serviços especializados deverão, preferencialmente, ser celebrados mediante concurso. Infelizmente, a sociedade brasileira se beneficia pouco dos concursos de projeto. Raramente, os poucos que temos resultam em obras construídas e/ou publicações. Perde o poder público, perde a sociedade e perdem os arquitetos.

  • Orlando Ribeiro, arquiteto, professor e presidente da seção paranaense da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea-PR)

Concursos públicos são instrumentos pouco usados, atualmente, no Brasil, para a escolha de projetos arquitetônicos. Embora a Lei de Licitações defina que projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo devem, preferencialmente, ser contratados via concurso – quando a licitação não é exigida – a prática não tem sido frequente no país.

Diante desse cenário, a iniciativa do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) merece atenção.

Lançado em 2009, o Concurso Nacional de Arquitetura para uma nova sede do Conselho foi promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil a pedido do Crea-PR. O projeto vencedor, dos arquitetos Carolina Souza Pinto, Jean Grivot e Lucas Obino, do Rio Grande do Sul, passou por alguns ajustes – entre as mudanças ocorridas, houve a criação do conselho próprio dos arquitetos e urbanistas, o CAU. Com a saída desses profissionais do Crea, o projeto teve alterações.

Também entre os autores houve mudanças profissionais. Na época do lançamento do concurso, eles eram sócios. Em 2011, Carolina e Lucas formaram o escritório OSPA Arquitetura e Urbanismo e Jean tornou-se sócio do Hype Studio.

Sustentabilidade

Mesmo em escritórios separados, os três profissionais seguiram trabalhando juntos no projeto, que seguiu orientações do concurso: obter nível de excelência em sustentabilidade que respondesse às demandas do Crea-PR e alcançar o "selo verde" LEED.

A certificação internacional garante processos sustentáveis em todas as etapas – do desenho arquitetônico ao canteiro de obra e uso da edificação pronta, incluindo escolha de materiais e técnicas construtivas.

Ações simples

Conforme lembram os autores do projeto, sustentabilidade deve ser entendida como otimização de recursos – algo inerente à boa prática da arquitetura. Eles ressaltam que ações simples conferiram a eficiência buscada no projeto.

A edificação terá painéis fotovoltaicos para geração de energia, racionalização no uso do ar condicionado, reuso de águas e proteção solar pelo sistema de brises.

Complementares

Após as alterações necessárias, o projeto final de Carolina, Jean e Lucas foi entregue ao Crea-PR no segundo semestre de 2013. De acordo com Heverson Aranda, assessor da presidência do Conselho e responsável pelo acompanhamento do trabalho, a fase atual é de elaboração de projetos complementares – elétrico, hidráulico, de acessibilidade, paisagismo e outros – que devem estar prontos até abril deste ano.

A construção da nova sede do Crea-PR, em um terreno na Rua Mateus Leme, na região central de Curitiba, ainda não tem cronograma estipulado.

Detalhes do projeto

Ideias simples buscam eficiência na edificação e "selo verde":

• Sem escavação de subsolos: o nível do lençol freático é bastante elevado e o terreno apresenta desnível. Para otimizar a ocupação de área de estacionamento, o projeto prevê estrutura metálica leve, desmontável, ao nível térreo.

• Orientação solar: o prédio principal é orientado para Norte-Sul, garantindo melhor controle térmico.

• Técnica Construtiva: prima pela economia e racionalização de materiais, com elementos pré-fabricados e estruturas pontuais de concreto armado.

• Circulação: duas grandes escadas abertas, iluminadas e ventiladas naturalmente, ligam os pavimentos para estimular o uso saudável da circulação.

• Cobertura: a edificação tem uma grande plataforma leve que sustenta reservatórios, máquinas de ar condicionado e placas fotovoltaicas.

Fonte: Hype Studio Escritório de Arquitetura

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