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Pais perdem guarda de filha que quer fazer ‘transição’ para se tornar um menino: o que você precisa saber

Nos Estados Unidos, pais se opunham à “transição de gênero” da menina, mas médicos alegavam risco de suicídio. Protocolo padrão é controverso

  • Ryan T. Anderson*
  • Daily Signal
Tendência avança nos Estados Unidos | Pixabay
Tendência avança nos Estados Unidos Pixabay
 
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Em Ohio, nos Estados Unidos, pais perderam a guarda da filha de 17 anos na sexta-feira (16), porque um juiz determinou que ela deveria ter permissão para passar por terapia, incluindo terapia de testosterona, para se identificar como menino.

Sem comentar sobre as especificidades desse caso nos arredores de Cincinnati, os americanos podem esperar ver mais situações como essa, como as autoridades públicas apoiam ativistas transgênero para promover uma visão radical da pessoa humana e endossar procedimentos médicos completamente experimentais. Estão em risco não apenas os direitos familiares, mas também o bem-estar das crianças que sofrem de disforia de gênero. 

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Aqui está o que você precisa saber. 

Ativistas transgênero afirmam que, quando uma criança se identifica como o sexo oposto de modo “consistente, persistente e insistente”, a resposta apropriada é apoiar essa identificação. Isso exige um protocolo de quatro partes, como detalho minuciosamente em meu novo livro: “When Harry Became Sally: Responding to the Transgender Moment” (“Quando Harry se tornou Sally: respondendo ao momento transgênero”, em tradução livre). 

Primeiro, uma transição social: dar à criança um novo guarda-roupas, um novo nome, novos pronomes e tratá-la de modo geral como se ele ou ela fosse do sexo oposto. 

Segundo, a criança, chegando à puberdade, passará a tomar bloqueadores de puberdade para impedir o processo normal de maturação e desenvolvimento. Isso significa que não haverá progressão do estágio puberal e ocorrerá uma regressão de características sexuais que já tenham se desenvolvido. Medicamentos bloqueadores de puberdade não são aprovados pela FDA para disforia de gênero, mas médicos fazem uso não descrito com esse propósito. 

Terceiro, perto dos 16 anos, começa a administração de hormônios do sexo oposto: meninos recebem hormônios femininos, como o estrogênio, e meninas recebem hormônios masculinos, como androgênios (testosterona). O objetivo é imitar o processo de puberdade que ocorreria no sexo oposto. 

Para as meninas, o tratamento de testosterona leva a “voz grave, crescimento de pelos no corpo e no rosto e uma forma mais masculina”, juntamente com um aumento do clitóris e o atrofiamento do tecido mamário. Para os meninos, o tratamento de estrogênio resulta no desenvolvimento de seios e de uma forma corporal de aparência feminina. Esses pacientes receberão hormônios do sexo oposto para o resto da vida. 

Finalmente, aos 18 anos, essas pessoas podem passar por cirurgia de redesignação de sexo: amputação de características sexuais primárias e secundárias e fazendo cirurgia plástica para criar novas características sexuais. 

Resumindo esses procedimentos (descritos detalhadamente no meu livro “When Harry Became Sally”): a cirurgia de masculino-para-feminino envolve a remoção dos testículos e a construção de “genitais externos de aparência feminina”. Pode incluir aumento dos seios, se a terapia de estrogênio não tiver produzido um crescimento satisfatório deles. 

Cirurgia de feminino-para-masculino geralmente começa com mastectomia. O útero e os ovários geralmente também são removidos. Alguns pacientes passam por faloplastia, a construção cirúrgica de um pênis, mas muitos não fazem isso porque os resultados são variáveis em qualidade e funcionalidade. 

Esse quarto estágio do tratamento é o atual padrão de assistência promovido por ativistas transgênero. Mas as idades para começar cada fase estão diminuindo. Em julho de 2016, o jornal The Guardian noticiou que “um médico no País de Gales está receitando hormônios do sexo oposto para crianças de 12 anos que dizem que querem mudar de sexo, argumentando que, se elas estão confiantes na sua identidade de gênero, elas não deveriam esperar até os 16 anos para passar por tratamento”. 

Nenhuma lei nos Estados Unidos proíbe o uso de bloqueadores de puberdade ou hormônios do sexo oposto em crianças, nem regulamenta a idade em que eles podem ser administrados. 

Ativistas alegam que os efeitos de bloquear a puberdade com medicamentos são totalmente reversíveis. Isso bagunça tudo, pois virtualmente todas as partes do corpo passam por um desenvolvimento significativo de modos especificamente sexuais durante a puberdade, e passar pelo processo aos 18 anos não pode reverter 10 anos de bloqueio. O uso de medicamentos bloqueadores de puberdade para tratar crianças com disforia de gênero é totalmente experimental, pois não há estudos de longo prazo sobre as consequências de interferir no desenvolvimento biológico. 

Os ativistas alegam que bloquear a puberdade permite que as crianças tenham “mais tempo para explorar sua identidade de gênero, sem a aflição do desenvolvimento de características sexuais secundárias”, como dizem os médicos holandeses pioneiros nesse tratamento

Outra Perspectiva 

Esse é um argumento estranho, como escrevem três pesquisadores americanos, todos médicos. 

“Isso presume que as características sexuais naturais interferem na ‘exploração’ da identidade de gênero, embora se esperaria que o desenvolvimento de características sexuais naturais pudesse contribuir para a consolidação natural da identidade de gênero de uma pessoa”, apontam os doutores Paul Hruz, Lawrence Mayer e Paul McHugh

A descarga de hormônios sexuais e o desenvolvimento corporal que ocorre durante a puberdade podem ser exatamente o que ajuda um adolescente a se identificar com seu sexo biológico. Bloqueadores de puberdade interferem nesse processo. 

Normalmente, entre 80 e 95% das crianças superam naturalmente qualquer fase de conflito de identidade de gênero. Mas todas as crianças que tomaram bloqueadores de puberdade na clínica holandesa permaneceram com uma identidade transgênero, e elas geralmente começaram tratamento com hormônios do sexo oposto perto dos 16 anos. 

Talvez os médicos holandeses tenham identificado corretamente as crianças que permaneceriam naturalmente com uma identidade transgênero, mas é mais provável que os bloqueadores de puberdade tenham reforçado sua identificação com o gênero oposto, deixando-as mais comprometidas em dar os passos seguintes na redesignação de sexo. 

Ao contrário das alegações dos ativistas, o sexo não é “atribuído” no nascimento – e é por isso que não pode ser “redesignado”. Conforme expliquei em “When Harry Became Sally”, o sexo é uma realidade corpórea que pode ser reconhecida muito antes do nascimento com ultrassonografia. O sexo de um organismo é definido e identificado por sua organização para a reprodução sexuada. 

A ciência moderna mostra que essa organização começa com o nosso DNA e com o desenvolvimento no útero, e que as diferenças sexuais se manifestam em muitos órgãos e sistemas corporais, até o nível molecular. 

As diferenças secundárias entre os dois sexos – atributos que podem ser visivelmente alterados por tratamento hormonal e cirurgia – não são o que nos torna homens ou mulheres. Assim, a cirurgia cosmética e os hormônios do sexo oposto não podem mudar a realidade biológica mais profunda. As pessoas que passam por procedimentos de redesignação sexual não se tornam o sexo oposto, elas apenas masculinizam ou feminizam sua aparência exterior. 

Como o filósofo Robert P. George aponta, “mudar de sexo é uma impossibilidade metafísica porque é uma impossibilidade biológica”. 

O que as evidências mostram 

Infelizmente, assim como a “redesignação sexual” fracassa em redesignar o sexo biológico, também fracassa em trazer integridade psicológica. As evidências médicas sugerem que esse procedimento não trata adequadamente os problemas de saúde mental sofridos por quem se identifica como transgênero. 

Mesmo quando os procedimentos são bem-sucedidos, de modo técnico e cosmético, e mesmo em culturas que são relativamente simpatizantes a trans, as pessoas ainda enfrentam consequências psicológicas negativas. 

A despeito da agitação da mídia sobre supostas diferenças na estrutura cerebral, não existe nenhuma evidência científica sólida de que as identidades transgênero são inatas ou biologicamente determinadas, e algumas evidências mostram que outros fatores têm maior probabilidade de estarem envolvidos. Mas, na verdade, pouco se conhece sobre as causas de identidades de gênero discordantes. 

Iniciar uma criança pequena em um processo de “transição social” seguido por medicamentos bloqueadores de puberdade era virtualmente inimaginável há pouco tempo, e o tratamento ainda é experimental. Infelizmente, muitos ativistas desistiram de ter cautela, que dirá ceticismo, sobre tratamentos drásticos. 

Uma abordagem terapêutica mais cuidadosa começa pelo reconhecimento da vasta maioria de crianças com disforia de gênero que a superarão naturalmente. Uma terapia eficaz analisa os motivos para as crenças equivocadas da criança sobre gênero e trata os problemas que a criança acredita que serão resolvidos se o seu corpo for alterado. 

Como eu documento em “When Harry Became Sally”, profissionais da saúde mental relacionam a disforia de gênero a outras disforias ou grandes desconfortos com o próprio corpo, como anorexia, transtorno dismórfico corporal e transtorno de identidade de integridade corporal. Todos eles envolvem sentimentos ou suposições falsas que se solidificam em crenças equivocadas sobre si mesmo. 

McHugh constata que outros problemas psicológicos geralmente estão por trás das suposições falsas. Crianças com disforia de gênero podem ter ansiedade sobre “as perspectivas, expectativas e papeis que elas sentem estar atrelados ao seu sexo”. 

Assim como os pacientes com anorexia nervosa, essas crianças acreditam erroneamente que uma mudança drástica em seus corpos resolverá ou minimizará problemas psicológicos. Mas ajustar seu corpo por meio de hormônios e cirurgia não resolve o problema real, assim como lipoaspiração não cura a anorexia nervosa. 

Uma Mensagem Diferente 

Uma estratégia de tratamento eficaz seria “buscar corrigir a natureza falsa e problemática da suposição e resolver os conflitos psicológicos que a provocam”, diz McHugh. No caso de disforia de gênero, infelizmente, a crença falsa é geralmente incentivada por conselheiros escolares que “como líderes de seitas, podem incentivar esses jovens a se distanciar de suas famílias e oferecer conselhos para refutar argumentos contra passar por cirurgia transgênero”. 

O que esses jovens precisam, segundo McHugh, é ser removidos desse “ambiente sugestivo” e apresentados a uma mensagem diferente. 

A proliferação de clínicas de gênero nos Estados Unidos e de programas de identidade de gênero nas escolas torna menos provável que as crianças tenham a ajuda que precisam para resolver os seus problemas. Em vez disso, as crianças encontram “conselheiros de gênero” que as incentivam a manter suas suposições falsas. 

Isso contraria a prática médica e a psicologia padrão, conforme enfatizam McHugh, Hruz e Mayer. Normalmente, uma criança não é incentivada a persistir em uma crença incompatível com a realidade. Uma forma tradicional de tratamento para disforia de gênero seria “trabalhar com, e não contra, os fatos da ciência e os ritmos previsíveis do desenvolvimento psicossexual das crianças”. Uma forma de tratamento prudente e natural permitiria que as crianças pudessem “reconciliar sua identidade de gênero com seu sexo biológico objetivo”, evitando intervenções danosas ou irreversíveis. 

As terapias mais úteis não tentam refazer o corpo para se conformar com pensamentos e sentimentos – o que é impossível –, mas tentam ajudar as pessoas a encontrar meios saudáveis de lidar com essa tensão e ajudam a seguir em frente aceitando a realidade dos seus “eus” corpóreos. Essa abordagem terapêutica se apoia em uma compreensão clara de saúde física e mental, e da medicina como uma prática voltada para a restauração do funcionamento saudável, não simplesmente para a satisfação dos desejos dos pacientes. 

Biologia não é preconceito. E, como expliquei em “When Harry Became Sally”, há custos humanos em entender errado a natureza humana. 

Ryan T. Anderson, Ph.D., é Associado de Pesquisa Sênior William E. Simon em Políticas Públicas e Princípios Americanos na Heritage Foundation, onde pesquisa e escreve sobre casamento, bioética, liberdade religiosa e filosofia política. Anderson é autor de diversos livros e sua pesquisa foi citada por juízes da Suprema Corte Americana em dois casos distintos. Leia sua pesquisa na Heritage.

©2018 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.

Tradução: Andressa Muniz

Ouça o Podcast Ethos sobre o tema, com o médico brasileiro Victor Haase, da Universidade Federal de Minas Gerais:

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