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“Em casa sim, parados nunca”
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Manter o engajamento de alunos e professores, além de envolver familiares e a comunidade escolar durante a pandemia, com certeza, é um dos maiores desafiados que a Educação já enfrentou. Para tentar resolver essa questão, o professor Jackson Vieira Machado teve a ideia de unir três colégios públicos, dois da zona rural e um da periferia da cidade de Castro no Paraná, em um projeto de desafios diários, semanais e relâmpagos que envolveu diversos tipos de atividades e temáticas. Jackson contou também com a ajuda das colegas, as professoras Rosalba e Joseli e, com o resultado, foi o grande vencedor da Missão Premiada de Boas Práticas Digitais. 

Como surgiu o projeto

Quando a pandemia do Covid-19 interrompeu as aulas, o professor Jackson e suas colegas se reuniram virtualmente para buscar uma forma de manter os alunos motivados e ativos, mesmo que limitados às suas próprias casas devido as novas regras de distanciamento social.  Em uma reunião virtual, eles organizaram o projeto “Em casa sim, parados nunca”, que previa uma série de desafios onde os alunos deveriam cumprir tarefas semanais, diárias para acumular pontos e concorrer a premiações. Os professores criaram então um edital com as regras de participação e as premiações, que foi divulgado através das redes sociais. 

As atividades foram desenvolvidas com alunos do Ensino Fundamental II dos Colégios Estaduais do Campo Professora Fabiana Pimentel Professor Salvador Alves Sobrinho, da área rural e do Colégio Basílio, da zona periférica da cidade. O grande desafio foi a limitação de acesso dos alunos à internet e aos equipamentos. Como a maioria só conseguia acessar a rede com smartphone dos pais e com pacote de dados de internet limitados, os professores decidiram fazer a divulgação e o envio dos desafios apenas utilizando o Facebook e o WhatsApp, enquanto se reuniam pelo Google Meet para tomar decisões e criar novas atividades.

Desafio aceito!

A prática do professor Jackson e suas colegas conseguiu engajar os alunos em desafios que promoveram atividades diversas e desenvolveram competências de leitura, interpretação de texto, raciocínio lógico, cooperação e interação com a família e até exercícios físicos. Eles criaram mascotes para representar o projeto, tiraram fotos com a família para incentivar os colegas a ficar em casa, responderam questionários, dividiram suas dúvidas e anseios sobre a pandemia do Covid-19, fizeram vídeos em homenagem ao dia das mães, homenagearam os pedagogos dos colégios e até fizeram um arraiá virtual, entre outras atividades criativas e reflexivas.

Um desses desafios foi chamado de “Informação é poder” e teve como objetivo esclarecer as dúvidas de alunos e familiares sobre a pandemia de Covid-19 e combater a desinformação. Para isso, foram utilizadas duas matérias da Gazeta do Povo “Coronavírus: 100 perguntas e respostas sobre a Covid-19" e “Como combater as fake news em sala de aula?”. Os textos foram compartilhados com os alunos como um exemplo de fonte confiável de informações.

“Através do projeto conseguimos ficar mais próximo do aluno e desenvolver conhecimentos das mais diversas áreas, baseados na atualidade e realidade que vivemos. Os alunos não ficam muito tempo ociosos e tem a opção de realizar uma prática de ensino diferente, dinâmica, lúdica e além disso, aprendem com autonomia utilizando ferramentas tecnológicas”, contou o professor afirmando que atualmente o projeto é um apoio às aulas remotas, mas em muitos momentos foi a única forma dos estudantes estarem em contato com a escola, com os professores e com o aprendizado.

Daqui para frente

O Ler e Pensar incentiva os professores a explorarem a mídia, seja e no ensino presencial, remoto ou híbrido, pois desta forma oferece-se aos alunos a oportunidade de serem protagonistas em seu processo de aprendizagem. Foi justamente o que eles fizeram e parece que isso transformou apenas o ensino remoto, mas toda a prática escolar dessa comunidade. “Pretendemos continuar desenvolvendo o projeto mesmo se houver o retorno as aulas presencias, pois, percebemos que, através dele, temos uma via de aprendizado diferenciada com os alunos”, confessou.

Para Machado, “aprender não significa apenas deter conhecimentos específico de cada componente curricular, mas sim dar autonomia para os alunos realizarem suas atividades de forma segura e eficaz, além disso, percebemos a importância de valorizar os conhecimentos prévios deles para que uma metodologia ativa de aprendizagem ocorra”. Com mais de mil pessoas engajadas, entre alunos, professores e familiares, e quase 600 seguidores no Facebook, o “Em casa sim, parados nunca” com certeza vai continuar transformando a realidade desses três colégios mesmo depois que a pandemia acabar.

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