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ESTATÍSTICA 

Matemática é um bicho de sete cabeças?

Uma oficina com alunos do Sesi de Guarapuava demonstra que pode não ser

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Após a oficina de estatística, com o professor Fábio, os alunos Vinícius e Milena perderam o medo dos números |
Após a oficina de estatística, com o professor Fábio, os alunos Vinícius e Milena perderam o medo dos números
 
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Há muitos anos o Brasil está na lanterna do ranking do exame educacional mais importante do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa – em inglês, Programme for International Student Assessment). 

No Pisa de 2015 foram testados cerca de 540 mil estudantes de 15 anos de idade em 72 países. E o resultado foi que nas três áreas avaliadas, ciências, leitura e matemática, os estudantes brasileiros tiveram desempenho abaixo da média. 

Embora a matemática seja um bicho de sete cabeças para a maioria das pessoas, atividades mais dinâmicas, lúdicas e que envolvem os alunos em sala de aula, costumam ajudar no aprendizado tanto em aspectos cognitivos quanto nos relacionais. 

Stefanie Ciunek, de 18 anos, aluna do Colégio Sesi de Guarapuava tinha grande dificuldade com a disciplina. O medo ficou para trás no ano passado, depois da realização do projeto Fazendo Estatística na Escola: Estudante Protagonista e Pesquisador, desenvolvido na Oficina União Faz a Vida, com 36 estudantes das três séries do Ensino Médio da unidade. “Foi uma atividade envolvente, que me ajudou muito em relação à dificuldade que eu tinha”, comenta Stefanie. 

A atividade também ajudou o aluno Vinícius Bail, de 16 anos. “Eu não me dava muito bem com a matemática”, assegura. A dificuldade ganhava maior intensidade em função de uma deficiência visual. “Mas o professor faz explicações táteis, coloca na prática os ensinamentos, e eu consigo entender a utilidade da matemática no dia a dia”. 

Lacunas de aprendizagem 

O responsável pelo projeto é o professor Fábio de Castilho Cebulski, docente das disciplinas de matemática, física e robótica no Colégio Sesi de Guarapuava. Para ele, “as dificuldades enfrentadas geralmente estão relacionadas à baixa autoestima dos estudantes em relação à matemática, ou ainda às possíveis lacunas de aprendizagem durante o processo de ensino, o que acaba resultando em falta de interesse e dedicação por parte deles”. 

A área da matemática trabalhada na oficina foi a estatística. Durante um bimestre os estudantes aprenderam conceitos de construção, análise e interpretação de tabelas e gráficos estatísticos. “Essas tabelas e gráficos são muito utilizados em jornais, revistas e outros veículos de informação para ilustrar melhor os diversos assuntos tratados por eles”, diz o professor. 

Os jovens foram orientados a procurar os conceitos trabalhados na sala de aula em exemplares do jornal Gazeta do Povo. Com o material, construíram um cartaz para apresentar aos demais colegas os temas escolhidos. E então incentivados a coletar, produzir e divulgar os seus próprios dados estatísticos sobre esses temas. 

Uma pesquisa estatística foi elaborada e indicou os assuntos de maior interesse dos demais estudantes do colégio. As equipes aprofundaram então os assuntos apontados: etnias e cotas raciais, diversidade cultural e religiosa, identidade de gênero e sexualidade, aborto e preconceito, bullying e ciberbullying. 

“Os estudantes foram muito organizados e envolvidos com a atividade. Além disso, ficaram muito entusiasmados e interessados pelos conceitos matemáticos mais próximos deles e de sua realidade”, conta Cebulski. 

Experiência positiva 

Tabuladas e organizadas as informações, cálculos foram efetuados e gráficos e tabelas produzidos. Veio o momento de integração, com os resultados sendo apresentados a toda a comunidade estudantil. Uma exposição foi realizada no colégio com boa repercussão. “Os demais alunos gostaram de participar da pesquisa estatística organizada pelos colegas, principalmente porque eles foram os pesquisados e puderam opinar sobre os temas escolhidos, além de verem retratada sua contribuição na divulgação dos dados”, afirma Cebulski. 

Também participante da oficina, Millena Bastos Ribas, de 17 anos, comemorou os resultados. Ao contrário da maioria dos colegas, ela sempre teve muita facilidade para os cálculos e, por essa razão, pode ajudar os membros de sua equipe. “Foi muito dinâmico aprender dessa forma. Eu nunca tinha feito nenhuma atividade que envolvesse tantas pessoas, principalmente na matemática. Pudemos ter uma visão mais ampla do conteúdo, com a integração de todos. E eu até consegui ajudar colegas com mais dificuldade para entender”, diz. 

A experiência nessa oficina, que é uma parceria entre o Colégio Sesi e o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), foi tão positiva para os alunos que o professor Fábio promete estender a ação a todas as oficinas que tratarem de estatística. “Os estudantes puderam se tornar protagonistas de seu aprendizado, além de se interessarem mais pelas aulas de matemática”, diz. E acrescenta que a oficina trouxe ganhos a ele também: “me sinto muito entusiasmado e estimulado a continuar lecionando e procurando desenvolver atividades mais dinâmicas e envolventes”. 

O texto foi produzido pela Gerência de Educação Básica e Continuada do SESI, que mensalmente mostrará neste espaço os resultados do Projeto Ler e Pensar em suas escolas.

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