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Nova EJA SESI

Reconhecer o que já se sabe: um novo caminho para voltar a estudar

Estudantes da EJA em uma sala de aula mexendo no computador.
Imagem: Acervo pessoal da equipe de ensino. (Foto: Nova EJA SESI – Rio Negro PR) (Foto: )

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 Voltar a estudar depois de anos longe da escola não é uma decisão simples. Para muitos jovens e adultos, o trabalho, os filhos, as responsabilidades da casa, as dificuldades financeiras e o receio de retornar à sala de aula acabam adiando esse momento. Há também quem pense que, depois de tantos anos, já não vale a pena estudar ou que aquilo que aprendeu fora da escola não tem o mesmo valor do conhecimento escolar. Os dados mostram que esse ainda é um desafio importante. Em 2024, 8,7 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos não haviam concluído o Ensino Médio. Entre as principais razões para abandonar os estudos está a necessidade de trabalhar. Esses números mostram que a Educação de Jovens e Adultos precisa considerar a realidade de quem divide seu tempo entre estudo, trabalho e família. Nesse contexto, surge uma questão importante: como reconhecer aquilo que uma pessoa já aprendeu ao longo da vida e, ao mesmo tempo, ajudá-la a desenvolver os conhecimentos que ainda precisa? 

   Uma das respostas está no Reconhecimento de Saberes (RDS), metodologia utilizada pela Nova EJA SESI. A proposta parte de uma ideia simples: ninguém chega à escola sem conhecimentos. O trabalho, a família, as mudanças de cidade, a criação dos filhos, as relações sociais e as diferentes experiências vividas também ensinam. O processo começa com a escuta da trajetória de cada estudante. Entre os instrumentos utilizados estão os Formulários de Vida e Formulários de Áreas, formulários que apresentam situações e perguntas relacionadas à história pessoal, familiar, escolar e profissional. Ao respondê-los, o estudante é levado a lembrar experiências e perceber conhecimentos que utiliza no cotidiano, muitas vezes sem reconhecer que também são formas de aprendizagem. 

   Uma pessoa que trabalha com vendas, por exemplo, pode utilizar diariamente cálculos, porcentagens, leitura e comunicação. Quem atua na cozinha trabalha com medidas, proporções, organização e planejamento. Essas experiências podem revelar conhecimentos relacionados às quatro áreas estudadas na Nova EJA: Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. A partir desse levantamento, são identificadas as competências e habilidades que o estudante já desenvolveu e aquelas que ainda precisam ser trabalhadas. Assim, ele não precisa simplesmente repetir aprendizagens que já domina. Seu percurso passa a considerar sua história e seus conhecimentos anteriores. 

   Na prática da Nova EJA SESI, esse processo tem mostrado aos estudantes que suas experiências possuem valor. O professor deixa de ser apenas aquele que transmite conteúdos e passa também a ajudar o estudante a reconhecer o que já sabe e a transformar esse conhecimento em novos aprendizados. Esse olhar pode fazer diferença na permanência escolar. Quando o estudante percebe que sua história é respeitada e que aquilo que aprendeu ao longo da vida é considerado, a escola pode deixar de representar apenas uma etapa que ficou para trás e passar a ser um espaço de novas possibilidades. Além da conclusão da Educação Básica, a parceria entre SESI e SENAI possibilita, conforme a oferta da unidade aos alunos do Ensino Médio, a realização de qualificação profissional de forma concomitante aos estudos. Dessa maneira, a formação escolar pode caminhar junto com a preparação para novos desafios profissionais. Mais do que reduzir o tempo necessário para concluir os estudos, o Reconhecimento de Saberes propõe uma mudança de olhar sobre a EJA. Em vez de perguntar somente “o que falta aprender?”, a escola também passa a perguntar: “O que essa pessoa já aprendeu com a vida?” 

   Reconhecer saberes não significa deixar de ensinar. Significa partir de um ponto de vista mais justo: cada estudante chega à escola com uma história, conhecimentos e experiências diferentes. E voltar a estudar, nesse sentido, não é voltar ao passado. É transformar tudo aquilo que já foi vivido em ponto de partida para construir novos caminhos. 

Júlio César Xavier e Fabiano Merim Professores da Nova EJA SESI – Rio Negro (PR) 

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