Eleitores aguardam na fila a sua vez de entregar cédulas que serão enviadas pelo correio antes das eleições de 3 de novembro nos EUA, em Doral, Flórida, 14 de outubro| Foto: Joe Raedle/ Getty Images/ AFP
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Daqui a 20 dias, eleitores americanos votarão para escolher os próximos ocupantes da Casa Branca, da Câmara de Representantes e de parte do Senado, além de decidir outras várias disputas locais. Os eleitores estão mais animados para votar do que em 2016 - e muitos deles já fizeram a sua escolha em votação por correspondência, que ganhou espaço neste ano devido à pandemia.

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Confira algumas pesquisas de opinião que ajudam a entender como está o clima entre os americanos às vésperas da eleição de 2020:

Eleitores entusiasmados

Os eleitores de ambos os partidos estão mais empolgados com a votação em 2020 do que na eleição anterior. Pesquisa do Gallup mostra que, em setembro, 69% dos eleitores republicanos estavam "mais entusiasmados do que o normal" para votar nessas eleições. O número é idêntico ao de eleitores democratas entusiasmados na mesma data. É uma boa diferença do quadro em 2016, quando 48% dos democratas e 51% dos republicanos estavam empolgados às vésperas das eleições.

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Popularidade de Trump

Historicamente, o índice de aprovação do presidente é um bom indicador de como os candidatos do seu partido se sairão nas eleições americanas. O total de americanos que aprovam a gestão do presidente Donald Trump é menor do que o dos que desaprovam o republicano, que pretende ficar por mais quatro anos na Casa Branca. De acordo com a média de todas as pesquisas calculada pelo site FiveThirtyEight, Trump tem neste momento a aprovação de 43,4% dos americanos, enquanto 53,7% desaprovam o seu trabalho. Os números mais recentes do site RealClearPolitics, que também faz uma estimativa com base nas principais pesquisas de opinião, são similares: 44,3% de aprovação e 54,4% de desaprovação ao presidente.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]

Questões raciais e de gênero aprofundam divisões

Durante a campanha de 2016, eleitores de Hillary Clinton e de Donald Trump discordavam sobre tudo, incluindo sobre o quanto as pessoas são prejudicadas nos EUA por causa de sua raça ou por serem mulheres. Mas hoje a divisão entre os lados nessas questões é ainda maior, diz o Pew Research Center. Em uma ampla variedade de temas relacionados a questões raciais, gênero, família, imigração e religião, existe um forte contraste nas opiniões de quem pretende votar em Joe Biden e de quem quer reeleger Donald Trump. Mas em nenhum desses temas as diferenças de opinião se ampliaram tanto de 2016 para cá quanto nas questões raciais e de gênero, mostra a pesquisa feita entre julho e agosto.

Entre todos os eleitores americanos, 44% dizem que é "muito mais difícil" ser negro do que ser branco nos EUA (um aumento de 9 pontos percentuais desde as últimas eleições); 32% dizem que é "um pouco mais difícil" e 23% dizem que "não é mais difícil".

Entre apoiadores dos candidatos democratas, 74% dizem que é muito mais difícil ser negro do que branco no país (em 2016, 57% dos apoiadores de Hillary tinham essa opinião). Já entre os eleitores de Trump não houve grandes mudanças de lá para cá: 9% deles dizem hoje que é muito mais difícil ser negro do que branco, comparados a 11% que concordavam com essa afirmação na última eleição.

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O tamanho da divisão entre eleitores democratas e republicanos nessa questão, portanto, passou de 46% em 2016 para 65% em 2020 - ano que foi marcado por protestos contra o racismo e a violência policial contra negros no país.

Eleitores de Biden são hoje um pouco mais propensos do que os apoiadores de Hillary a dizer que as mulheres continuam a enfrentar obstáculos que tornam a vida delas mais difícil do que a dos homens, enquanto menos eleitores de Trump concordam com isso do que em 2016, ainda segundo o Pew Research Center.

Eleição a distância

Em meio à pandemia de coronavírus, o voto pelo correio vem batendo recordes em 2020. Estima-se que 80 milhões de votos sejam enviados por correspondência nessas eleições. As preocupações com os problemas que podem decorrer desse tipo de votação também começam a aparecer.

A maioria dos eleitores diz que é importante conhecer os resultados das eleições em um ou dois dias após a data da eleição (3 de novembro), mas apenas metade acredita que isso acontecerá, mostra pesquisa do Pew Research Center divulgada nesta quarta-feira (14).

Grande parte ainda acredita que não estará claro quem é o vencedor da disputa presidencial mesmo depois que todos os votos forem contados. A desconfiança é maior entre republicanos do que entre democratas.

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Os republicanos tendem a confiar mais que a votação presencial será segura em relação aos riscos de transmissão do coronavírus. A maioria dos apoiadores de Trump (91%) e de Biden (70%) tem algum grau de confiança de que o vírus não será transmitido nos locais de votação. Mas 53% dos apoiadores de Trump estão "muito confiantes" disso, enquanto apenas 17% dos apoiadores de Biden dizem o mesmo. Os republicanos também planejam mais votar pessoalmente no dia 3 de novembro e têm maior desconfiança de que os votos enviados pelo correio serão contabilizados corretamente.

Católicos brancos e latinos

Se o candidato democrata Joe Biden vencer a eleição, ele será o segundo presidente católico na história dos Estados Unidos; o primeiro foi John F. Kennedy, eleito em 1960.

Os católicos formam cerca de um quinto da população do país e têm opiniões políticas diversas. Pouco menos da metade (48%) dos católicos americanos prefere o partido Republicano, número similar ao de católicos que se descrevem como democratas (47%), segundo o Pew Research Center.

Nas últimas eleições americanas, a maioria dos eleitores católicos apoiou tanto candidatos republicanos (Trump em 2016 e George W. Bush em 2004) quanto o democrata Obama, em 2008), e se dividiram igualmente em 2012 e 2000.

Mas existem diferenças entre as preferências políticas de católicos brancos e católicos latinos. Enquanto 57% dos católicos brancos preferem os republicanos, 68% dos católicos de origem hispânica apoiam os democratas.

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Os votos dos católicos americanos estão na mira das duas campanhas presidenciais, especialmente nos chamados estados-pêndulo, já que eleitores dispostos a mudar de opinião têm sido mais difíceis de serem encontrados em tempos de polarização intensa, e podem fazer a diferença no resultado final.