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Venezuela exibe tanque de fabricação russa em um desfile militar em Caracas | Foto: JUAN BARRETO/AFP| Foto:

Não é a primeira vez que isso acontece e possivelmente não será a última. Aviões militares russos pousaram na Venezuela no sábado passado com 35 toneladas de carga e cerca de 100 militares, segundo relato de jornalistas, alimentando especulações diversas – como em dezembro, quando dois bombardeiros russos Tu-160, com capacidade de transportar armas nucleares, aterrissaram em Caracas para exercícios militares conjuntos (relembre aqui).

Mas foi a primeira vez que isso aconteceu depois que as tensões políticas internas e externas sobre o regime de Nicolás Maduro se agravaram. Em janeiro, a oposição se fortaleceu com o apoio da população e de mais de 50 países, inclusive o Brasil, que defendem a presidência de Juan Guaidó, líder da oposição. Os Estados Unidos continuam repetindo que “todas as opções estão sobre a mesa”, insinuando que uma intervenção militar na Venezuela não está descartada. Enquanto isso, Rússia e China continuam dando seu apoio a Maduro.

Este contexto ajuda a explicar o alarme em torno da visita do último fim de semana. Estaria Maduro,
com ajuda dos russos, se preparando para uma invasão americana? Impossível saber a resposta neste momento, mas analisando friamente a questão, tudo indica que não.

A relação militar entre Rússia e Venezuela teve início em 2005, quando o falecido Hugo Chávez ainda era presidente da Venezuela. As primeiras compras de equipamentos militares russos foram concretizadas no ano seguinte. Desde então, estima-se que a Venezuela tenha comprado US$ 3,8 bilhões em armamentos da Rússia, segundo o Instituto de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) – veja o gráfico abaixo. Uma das compras mais importantes ocorreu em 2013: três sistemas de mísseis antiaéreos S-300, um dos quais entrou em operação recentemente na Base Aérea Capitán Manuel Ríos, nas proximidades de Caracas (acredita-se que seja o melhor sistema de defesa aérea na região).

Os laços entre os dois países na esfera militar torna, portanto, normal este tipo de visita à Caracas. “Pode ser, perfeitamente, parte de um treinamento. Eles têm armas russas, e isso pode ser parte da rotina”, disse à Gazeta do Povo Antônio Jorge Ramalho da Rocha, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e ex-assessor do Ministério de Defesa. A Rússia afirmou posteriormente que sua presença em território venezuelano se deve à aplicação de acordos de cooperação técnica e militar.

Até mesmo a movimentação do S-300 para Caracas pode indicar que a chegada de militares russos na Venezuela está relacionada à manutenção desses equipamentos. Atividades do sistema já haviam sido registradas durante os exercícios militares de Angostura, realizados em fevereiro.

Mas também existe o fator “provocação”. Ao enviar tropas e carregamentos misteriosos para a Venezuela, o regime chavista tenta dissuadir e legitimar um clima de guerra fria, que eles estão acostumados a alimentar. Já a Rússia pode usar isso para, depois, negociar com os Estados Unidos a sua saída em termos que sejam úteis para o país em futuras negociações sobre a Crimeia, Geórgia ou outros assuntos. Explicamos melhor os interesses nesta reportagem.

Por enquanto, a Rússia informou que seus militares ficarão lá “pelo tempo que for necessário para o governo da Venezuela” – mesmo depois de Trump ter pedido ao país que retire suas tropas da Venezuela e de Mike Pompeo, secretário de Estado, ter dito que os EUA “não ficarão de braços cruzados” se a Rússia continuar a enviar militares para o país sul-americano.

Mas os russos não são os únicos parceiros militares de Maduro. Cuba também tem seu próprio exército dentro da Venezuela e os Estados Unidos estão alertas quanto a isso. O governo americano estima que entre 20 mil e 25 mil soldados cubanos atuam no serviço de inteligência e nas forças de segurança do país. A presença deles ficou mais evidente depois que centenas de militares venezuelanos de baixa patente desertaram das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e relataram uma constante vigilância cubana. Publicamos uma matéria que conta algumas dessas histórias e explica como os EUA estão usando isso na luta contra o chavismo.

O fim do califado do EI

Outra notícia importante foi anunciada no fim de semana: o autoproclamado Estado Islâmico já não controla nenhum território na Síria – uma conquista que merece ser celebrada. Após uma batalha sangrenta e longa em Baghouz, último reduto do grupo terrorista, as Forças Democráticas da Síria (FDS), curdos sírios aliados dos Estados Unidos, declararam a “eliminação total” do controle territorial do Estado Islâmico. Mas isso não representa o fim do grupo, também conhecido como Daesh. A ameaça continua: saiba mais nesta reportagem.

O míssil antissatélite da Índia

Também gerou grande repercussão nesta semana o teste de um míssil antissatélite (Asat) realizado com sucesso pela Índia. Na quarta-feira (27), o primeiro-ministro Narendra Modi (que concorre à reeleição no mês que vem) anunciou que seu míssil de fabricação nacional levou três minutos para destruir um satélite (também indiano) que estava orbitando a 300 quilômetros acima da terra. Modi disse que o teste coloca a Índia entre as potências espaciais, junto com Estados Unidos, Rússia e China, únicos países que haviam realizado a proeza tecnológica até então. O teste bem-sucedido surge em meio a preocupações sobre a prontidão das forças armadas indianas para uma eventual batalha com o vizinho Paquistão. Leia mais sobre isso aqui.

E para finalizar

Indicamos a leitura dos artigos do nosso colunista Filipe Figueiredo, publicados nesta semana:

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