O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro interino, Ismail Haniyeh, se reunem às 20h (15h de Brasília) deste domingo, em Gaza, para debater a formação do novo Governo de união nacional.

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- O objetivo do encontro é dar os últimos retoques ao processo de formação do Governo - afirmou o porta-voz do movimento islâmico Hamas Fawzi Barhum.

Em comunicado, Barhum indicou que espera que o futuro Executivo seja anunciado após a reunião entre ambos os líderes. Por sua parte, o porta-voz do Fatah Ahmed Abdel Rahman disse à rádio "A voz da Palestina" que o presidente da ANP permanecerá vários dias em Gaza até que se forme a coalizão.

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Haniyeh recebeu neste sábado a lista dos candidatos de seu movimento islâmico Hamas para nove das 25 pastas ministeriais, e aguarda hoje a do movimento nacionalista Fatah, cujo líder é Abbas e que tem direito a seis ministérios, para a formação do gabinete, segundo fontes ligadas às negociações.

O Fatah, liderado por Abbas, já "concluiu suas discussões internas e está preparado para apresentar seus candidatos a ministros", afirmou um porta-voz deste movimento, Tawfiq Abu Jussa em Gaza, acrescentando que o movimento nacionalista escolherá "novas caras" para integrar o Governo de coalizão.

Entre as pastas cujos titulares já foram pactuados está a de Assuntos Exteriores, que era de Mahmoud Zahar, do Hamas, e que agora ficará nas mãos de Ziyad abu Amr, um candidato independente e laico que no pleito de janeiro do ano passado obteve uma cadeira parlamentar com apoio dos islâmicos.

As funções de vice-primeiro-ministro devem ser de um filiado do Fatah e os candidatos são três: o coronel Mohammed Dahlan; Azzam al-Ahmad, chefe da bancada do Fatah no Conselho Legislativo, e Nasser al-Kidwa, ex-representante da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) na ONU.

Embora ainda não se saiba o nome da maioria dos futuros ministros, a atenção e a incógnita se centram hoje em saber quem estará à frente do Ministério do Interior, do qual dependem os organismos de segurança da ANP e que é disputado pelos dois principais movimentos políticos palestinos.

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A criação de um Governo de coalizão entre as facções palestinas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia foi pactuada em 8 de fevereiro na cidade saudita de Meca entre Haniyeh, o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, representante do grupo islâmico na Síria, e o presidente Abbas, sucessor de Yasser Arafat na liderança do Fatah.

Hamas e Fatah concordaram em dividir entre si 15 dos 25 ministérios do novo Governo e se concederam o direito de propor nomes para ocupar outras seis pastas, o que causou protestos, em particular da esquerda palestina, cujo peso eleitoral é minoritário.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) rejeitou ontem uma oferta de Haniyeh - designado em fevereiro por Abbas para liderar o novo Executivo - para incorporar-se ao Governo.

Segundo fontes ligadas às negociações, também farão parte da coalizão palestina Salam Fayyad, ex-funcionário do Banco Mundial em Washington e líder do Partido Terceira Via, ao qual pertence a ex-ministra Hanan Ashrawi.

Além disso, Hamas e Fatah, disseram as fontes, concordaram em designar Basam Salhi, do Partido do Povo (ex-comunista), para a pasta de Educação e Cultura, e Mustafá Barghouti, um independente, para Comunicações.

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A designação do futuro ministro do Interior pode se transformar hoje em um sério empecilho para Abbas e Haniyeh por tratar-se de um posto-chave, já que dele dependerão os organismos de segurança da ANP, atualmente divididos entre os leais ao presidente e a "força executiva", ou "auxiliar", uma milícia dos islâmicos.

Antes do Acordo de Meca, as forças da ANP, quase totalmente identificadas com o presidente, assim como milicianos do Fatah, protagonizaram sangrentos confrontos com os islâmicos do Governo do Hamas devido a profundas divergências políticas e pelo poder.

Desde que Haniyeh assumiu o Governo, há um ano, 120 palestinos perderam a vida em choques entre essas duas principais facções, a maior parte este ano, quando os palestinos pareciam estar à beira de uma guerra civil, especialmente na Faixa de Gaza.