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Curitiba – O presidente boliviano Evo Morales fez na semana passada um comentário que não foi só diplomaticamente ingênuo: do ponto de vista histórico, estava completamente equivocado. Em meio a sua disputa com a Petrobrás, Morales lembrou o conflito que Brasil e Bolívia viveram no começo do século 20, quando ambos os países disputavam o Acre. Disse que, na época, o Brasil levou o Acre e deu em trocas apenas um cavalo.

Na verdade, a Questão do Acre, como ficou conhecida, foi resolvida por um tratado de concessões de ambas as partes. A Bolívia cedeu o território do Acre, que pertencia a ela desde 1867, para o Brasil. O governo brasileiro, por sua vez, cedeu pequenas extensões de terra no Mato Grosso, pagou 2 milhões de libras esterlinas como indenização e se comprometeu a construir uma ferrovia que ligasse o Brasil à Bolívia. Era a famosa Madeira – Mamoré, que foi construída à custa da vida de muitos trabalhadores, até 1912. Os cavalos a que Morales se referiu ironicamente foram uma cortesia ao presidente boliviano, depois de fechar o acordo.

O Tratado de Petrópolis foi assinado em 1903, depois de anos de disputa entre habitantes dos dois lados da fronteira. A lei dava o território do Acre à Bolívia. No entanto, os bolivianos jamais haviam conseguido ocupar a área. Tendo em vista a riqueza do local, que era uma das áreas com maior capacidade de produção de látex, os brasileiros começaram a se apropriar do terreno. Era o auge do Ciclo da Borracha, e as seringueiras da região valiam muito dinheiro.

Pouco antes da virada do século, em 1898, os bolivianos tentaram expulsar os brasileiros. Houve resistência, mas a Bolívia conseguiu retirar os invasores. No ano seguinte, liderados por Luiz Galvez Rodrigues de Arias, uma personagem folclórica da história amazônica, os brasileiros tomaram o lugar de assalto novamente. Mais do que isso, declararam a independência do Acre. O próprio governo brasileiro, que reconhecia a soberania boliviana no local, tratou de expulsar os aventureiros de lá.

Com o tempo, o conflito se acirrou e em 1903 o governo brasileiro achou por bem tentar dar uma solução definitiva ao problema Escalou nosso diplomata mais experiente em questões de limite, o Barão do Rio Branco, para fazer a negociação. No mesmo ano, depois de algumas tratativas, o acordo foi assinado. Mal podia se imaginar que os cavalos dados aos bolivianos iriam causar problemas diplomáticos para os dois países mais de cem anos depois.

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