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Para entender

Advogado defende Madre Teresa de acusações sobre falta de analgésicos

O contato diário com a Palavra de Deus nutre a fé pessoal, impulsionando momentos de introspecção, discernimento e fortalecimento espiritual (Foto: BeyondJ / Pixabay)

Neste 4 de setembro de 2026, data que marca o 10º aniversário da canonização de Madre Teresa, novos detalhes esclarecem as polêmicas sobre os cuidados paliativos oferecidos pela santa em Calcutá, na Índia. Jim Towey, ex-assessor jurídico das Missionárias da Caridade, contesta críticas históricas sobre a suposta negação de medicamentos, contextualizando as dificuldades extremas da época.

Por que surgiram críticas sobre o uso de analgésicos nas casas de Madre Teresa?

As acusações ganharam força principalmente através do escritor Christopher Hitchens, que visitou a 'casa para os moribundos' em Calcutá nos anos 80. Ele alegava que as irmãs se recusavam a fornecer anestésicos aos pacientes por questões ideológicas. No entanto, o advogado Jim Towey explica que a realidade era muito diferente: no início daquela década, medicamentos fortes como a morfina simplesmente não existiam em Bengala Ocidental. A escassez atingia até os hospitais locais devido a rotas de suprimento precárias, falta de investimento ocidental e restrições comerciais severas da política regional.

Qual era a verdadeira intenção de Madre Teresa ao acolher os moribundos?

Madre Teresa não pretendia gerenciar hospitais de alta complexidade, mas sim centros de cuidados paliativos para quem não tinha para onde ir. O termo 'cuidados paliativos' refere-se ao suporte oferecido a pacientes com doenças graves ou terminais, focando no conforto e na dignidade, em vez da cura. Towey relata que ela recolhia pessoas que estavam literalmente morrendo nas calçadas, oferecendo limpeza, alimentação e um ambiente acolhedor. Para ela, o objetivo central era garantir que essas pessoas se sentissem amadas e respeitadas em seus momentos finais, preservando a dignidade humana.

Como o atendimento em Calcutá mudou nas últimas décadas?

Desde as críticas feitas por detratores nos anos 80, a estrutura de atendimento nas Missionárias da Caridade evoluiu significativamente. Segundo relatos de visitas recentes, a qualidade do suporte médico e o controle da dor melhoraram de forma drástica. Hoje, a rede de casas consegue oferecer um alívio muito mais eficaz aos pacientes, embora ainda mantenha o foco original de ser um lar para os mais pobres entre os pobres. A evolução tecnológica e a maior facilidade de acesso a insumos médicos na Índia moderna permitiram que o legado da santa se adaptasse aos novos padrões de saúde.

Madre Teresa acreditava que o sofrimento não deveria ser aliviado?

Essa é uma ideia equivocada que Jim Towey desmente com fatos pessoais. Ele afirma que a própria Madre Teresa utilizava analgésicos para tratar suas dores crônicas nas costas e diversas fraturas ósseas que sofreu ao longo da vida. Embora ela compreendesse o conceito de 'sofrimento redentor' dentro de sua fé, ela seguia a orientação da Igreja de que a dor deve ser controlada sempre que possível. Ela usava todos os suprimentos médicos que tinha em mãos; o problema central de décadas atrás não era a falta de vontade em medicar, mas sim a absoluta falta de acesso aos remédios.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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