Publicidade
Queixa-crime

AfD processa chanceler da Alemanha por acusar partido de buscar “limpeza étnica”

Friedrich Merz fez acusações contra o AfD durante debate no Bundestag, o Parlamento da Alemanha (Foto: CLEMENS BILAN/EFE/EPA)

Ouça este conteúdo

O partido de direita nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) anunciou nesta quinta-feira (10) que apresentou uma queixa-crime por difamação contra o chanceler do país, Friedrich Merz.

Na quarta-feira (9), o líder do governo alemão fez comentários direcionados ao AfD durante um debate no Bundestag, o Parlamento federal. “‘Remigração’ não passa de um sinônimo de limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele”, disse Merz.

Remigração é um conceito defendido pelo AfD que diz respeito à deportação de imigrantes, descendentes e requerentes de asilo, mesmo que naturalizados, que sejam considerados não integrados à sociedade alemã.

Em nota divulgada pelo AfD, Stephan Brandner, secretário parlamentar e consultor jurídico da bancada do partido, afirmou que “Merz ultrapassou mais uma vez um limite — desta vez, porém, [em uma ação] de relevância penal”.

“Suas declarações infundadas e repugnantes, com as quais pretende enlamear a reputação de nossa bancada no Bundestag e de cada um de seus membros, são totalmente inaceitáveis ​​e passíveis de sanção judicial. A insinuação de que a bancada do AfD — que se pauta firmemente pela Lei Fundamental [a Constituição do país] — defende a limpeza étnica (ou seja, em última análise, expulsões e assassinatos) é tão explícita que exige a atuação da Justiça”, disse Brandner.

O integrante do AfD argumentou que a declaração do chanceler “não está protegida pela imunidade parlamentar, pois, em nossa avaliação, trata-se de difamação que não apenas atinge individualmente cada membro da bancada do AfD, mas que, em última instância, também se volta politicamente contra milhões de cidadãos”. Merz ainda não se pronunciou sobre a queixa-crime.

O AfD venceu a eleição parlamentar do estado da Saxônia-Anhalt, localizado no leste da Alemanha, no domingo (6).

O novo Parlamento estadual fará uma votação para definir o novo governador. Por não ter maioria absoluta das cadeiras, o AfD precisaria do apoio de outras legendas, possibilidade que é uma incógnita, já que os partidos tradicionais da Alemanha costumam adotar o chamado “cordão sanitário”, que isola legendas de direita nacionalista no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma segunda hipótese é partidos menores se absterem na votação no Parlamento da Saxônia-Anhalt, o que mudaria o cálculo do número de votos para o líder local do AfD, Ulrich Siegmund, ser eleito.

Em caso de vitória, o AfD governaria um estado alemão pela primeira vez desde a criação da legenda, em 2013.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Tudo sobre:

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.