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A Coreia do Sul está avaliando enviar forças militares para ajudar a garantir a navegação no Estreito de Ormuz, confirmou nesta sexta-feira (4) o gabinete presidencial do país. O anúncio ocorre dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenar a redução de exercícios militares conjuntos com Seul depois de o governo sul-coreano se recusar a participar das operações americanas contra o regime do Irã.
O governo sul-coreano afirmou que ainda não tomou uma decisão final, mas admitiu que considera uma contribuição militar desde que ela não prejudique a capacidade das Forças Armadas de responder a ameaças na Península Coreana.
“Estamos considerando que podemos fazer contribuições dentro de um limite que não comprometa nossa prontidão”, afirmou um integrante do gabinete presidencial à agência Yonhap. Segundo ele, a discussão ainda não chegou à fase de pedir autorização à Assembleia Nacional.
A manifestação ocorreu depois de veículos sul-coreanos noticiarem que militares já começaram a preparar possíveis meios para uma missão na região. A emissora sul-coreana SBS informou, citando como fonte uma autoridade do Ministério da Defesa, que estão sendo considerados o envio de uma aeronave de patrulha marítima P-8 Poseidon, uma equipe especializada na remoção de explosivos e minas e um navio de apoio logístico da Marinha.
Segundo a agência Reuters, outras opções analisadas pelo governo incluem unidades de detecção e remoção de minas. Seul também vem discutindo com Estados Unidos, Reino Unido e França o tamanho e a natureza de uma eventual contribuição. Informações veiculadas pela imprensa local apontam que uma missão poderia ser enviada ainda neste ano, embora a Presidência tenha contestado informações de que a decisão já estaria tomada.
A possível mudança ocorre depois de Trump aumentar publicamente a pressão sobre a Coreia do Sul para que o país ajude na operação para manter aberto o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo.
Em agosto, o presidente americano criticou Seul por rejeitar um pedido de ajuda relacionado às operações contra o Irã. Trump afirmou que havia solicitado apoio ao presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e recebido como resposta um “não, obrigado”.
Pouco depois, em 16 de agosto, Trump determinou ao Pentágono que reduzisse significativamente os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. Além de reclamar dos custos das manobras e argumentar que elas enviavam uma mensagem inadequada à Coreia do Norte, o republicano citou explicitamente a recusa de Seul em ajudar os Estados Unidos nas operações contra o Irã.
“Temos 39 mil soldados lá protegendo vocês de Kim Jong-un [...] e vocês não vão nos ajudar em uma operação militar muito fácil no Irã?”, disse Trump ao explicar sua insatisfação com o aliado asiático.
A decisão atingiu o exercício anual Ulchi Freedom Shield, uma das principais manobras militares realizadas pelos dois países e que, neste ano, envolvia cerca de 18 mil militares sul-coreanos. Washington mantém tropas na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia e considera a aliança um dos pilares de sua estratégia de segurança na Ásia.
O Estreito de Ormuz também tem importância direta para a economia sul-coreana. Mais de 60% do petróleo bruto importado pelo país passa pela região, segundo a Reuters, deixando Seul especialmente vulnerável a interrupções no tráfego marítimo.
Nesta semana, o número de navios comerciais identificados atravessando o estreito voltou a ficar abaixo da média recente, enquanto novos confrontos entre forças americanas e iranianas aumentaram os temores sobre o fornecimento mundial de petróleo.






