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Estados Unidos

Apresentador diz que deixou de veicular entrevista com democrata por pressão do governo Trump

O apresentador e comediante Jimmy Kimmel durante a última cerimônia do Oscar, em Los Angeles, em março (Foto: CHRIS TORRES/EFE/EPA)

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O apresentador Jimmy Kimmel disse que o talk show que leva o seu nome na emissora americana ABC deixou de apresentar na TV uma entrevista com James Talarico, candidato democrata ao Senado federal pelo Texas, devido a pressões da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), órgão do governo do presidente republicano Donald Trump.

A entrevista foi veiculada nesta quinta-feira (10) apenas no YouTube, onde a FCC não tem poderes de regulação.

“Ao longo de mais de 20 anos de programa, tenho entrevistado americanos que concorrem a cargos públicos sem qualquer problema”, disse Kimmel no seu programa de quarta-feira (9).

“Algo mudou. A FCC dele [Trump] me ameaçou, ameaçou nosso programa, ameaçou nossa emissora — a ABC —, nossas afiliadas e nossas estações locais, com base em decisões editoriais simples e tradicionais, ou seja, convites a convidados que, ao que parece, não lhes agradam”, acusou o apresentador.

A FCC ainda não se manifestou sobre o assunto. Em fevereiro, a direção do programa de Stephen Colbert, na CBS, também tomou a decisão de veicular uma entrevista com Talarico apenas no YouTube, devido a preocupações de que a transmissão da conversa na TV violaria normas da comissão sobre a concessão de mesmo tempo a candidatos.

Anna Gomez, única democrata na FCC, manifestou indignação em post no X. “Esta é a segunda vez, em questão de meses, que um apresentador de talk show revela ter sido forçado a engavetar uma entrevista devido a intimidação por parte da FCC”, escreveu. “Nenhum apresentador, afiliada local ou emissora deveria ter de ponderar sobre possíveis retaliações federais antes de convidar alguém para uma entrevista de interesse público.”

Em agosto, a Disney apresentou uma ação no Tribunal Distrital do Distrito de Colúmbia contra o governo Trump, alegando que um processo antecipado sobre a renovação das concessões de oito emissoras da rede de TV ABC, que pertence à gigante do entretenimento, seria uma retaliação política por sua linha editorial e representa uma ameaça aos direitos da empresa previstos na Primeira Emenda da Constituição americana – que trata da liberdade de expressão.

Em comunicado divulgado em abril, a FCC disse que o processo de análise da renovação de concessões dessas emissoras da rede ABC foi antecipado (elas ainda tinham anos de vigência) devido a uma investigação que apura se a Disney e a emissora cometeram discriminação por meio dos seus programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), aberta no ano passado.

Trump e a Disney têm um histórico de divergências envolvendo Kimmel. Em setembro do ano passado, após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, a empresa suspendeu temporariamente o programa de Kimmel na ABC devido a comentários que ele fez, sugerindo que o autor do ataque não seria “diferente” da “gangue MAGA [sigla em inglês para Faça a América Grande Novamente, bordão dos apoiadores de Trump]”.

Antes do anúncio da suspensão, o presidente da FCC, Brendan Carr, sugeriu que as concessões das emissoras da ABC poderiam ser revogadas se a Disney não punisse o apresentador.

Em abril deste ano, Trump e a primeira-dama americana, Melania Trump, pediram a demissão de Kimmel devido a uma piada que o apresentador fez a respeito dela ficar “viúva”, comentário feito antes de uma tentativa de assassinato contra o mandatário republicano no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca.

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