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Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram nesta sexta-feira (7) um acordo de defesa nos moldes da Otan para reforçar a "dissuasão coletiva", estipulando que qualquer ataque contra um desses três países será considerado uma agressão "contra todos eles".
Segundo comunicado conjunto, o chamado Acordo Conjunto de Defesa de Meca foi assinado em uma cúpula trilateral na cidade de mesmo nome - o local mais sagrado para os muçulmanos - entre o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
"O acordo tem como objetivo reforçar a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão e estipula que qualquer ataque armado contra qualquer um dos três Estados será considerado um ataque contra todos eles", diz a declaração.
O documento prevê ainda "o fortalecimento de todos os aspectos da cooperação" em matéria de defesa desses três países aliados, que no momento também participam dos esforços de mediação para pôr fim às guerras do Irã e em Gaza, em um contexto especialmente crítico para a Arábia Saudita.
De acordo com a nota, o acordo foi assinado também devido aos "laços históricos" e aos vínculos de "solidariedade islâmica" que unem os três países, que agora pretendem ampliar seus interesses estratégicos compartilhados para fortalecer ainda mais sua segurança coletiva e promover a paz no Oriente Médio.
Com isso, a Turquia se soma ao acordo assinado em setembro do ano passado entre o Paquistão - uma potência nuclear - e a Arábia Saudita, que estabelece termos semelhantes de defesa conjunta.
Irã e Iêmen em foco
A assinatura ocorre em meio à crescente tensão no Oriente Médio pela guerra entre EUA e Irã, que repercutiu severamente nos países do Golfo Pérsico devido aos ataques de retaliação iranianos contra os aliados árabes de Washington e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde, antes do conflito, circulava cerca de 20% do petróleo mundial.
A isso se soma o fato de que a Arábia Saudita - maior produtora da Opep - enfrenta outro bloqueio marítimo, este imposto pelos rebeldes houthis do Iêmen, que acusam Riad de controlar seu espaço aéreo e suas águas, além de responsabilizá-la pelo bombardeio do aeroporto internacional de Sanaa em meados do mês passado.
Desde então, os houthis lançaram repetidos ataques contra o território saudita - especialmente contra a infraestrutura energética - e contra navios petroleiros vinculados a Riad no Mar Vermelho, o que levou a monarquia árabe a fundar, na semana passada, a Aliança Multinacional para a Segurança Marítima.
Essa coalizão foi ratificada em um documento fundador assinado na semana passada por 14 países, entre os quais também figuram Paquistão e Turquia, e a Arábia Saudita afirma que a aliança tem caráter puramente defensivo para proteger a navegação no Mar Vermelho, no Estreito de Bab el-Mandeb e no Golfo de Áden.
Com o Estreito de Ormuz fechado, a Arábia Saudita desviou cerca de 70% de suas exportações de petróleo pelo Mar Vermelho, uma rota de saída para Riad que agora está sendo bloqueada pelos rebeldes iemenitas, aliados do Irã e que enfrentam o país árabe desde a intervenção saudita na guerra do Iêmen, em 2015.
A medida surge em um momento em que o conflito entre os houthis e a Arábia Saudita está escalando para níveis sem precedentes, e na madrugada desta sexta-feira a coalizão militar liderada por Riad que intervém no Iêmen anunciou que um ataque insurgente deixou 11 civis feridos em uma zona saudita fronteiriça com o território iemenita.




