Equipes de resgate na região onde o avião caiu. Foto: AFP| Foto:

Um avião da companhia Ethiopian Airlines com 157 pessoas a bordo caiu na manhã deste domingo (10). O CEO da empresa, Tewolde Gebremariam, confirmou que não há sobreviventes no acidente aéreo.

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O avião, que se deslocava da capital etíope Adis Abeba a Nairóbi, capital do Quênia, caiu logo após a decolagem. Com número de voo ET302, ele tinha previsão de aterrissar no aeroporto internacional de Nairóbi Jomo Kenyatta às 10h25 local.

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O CEO da Ethiopian Airlines informou que passageiros de 35 nacionalidades estavam a bordo do avião, entre eles, 32 quenianos, 18 canadenses, 9 etíopes, oito chineses, oito americanos, oito italianos, sete franceses, sete ingleses, seis egípcios, cinco alemães, quatro indianos, quatro eslovacos, três russos, três suecos, três austríacos, dois marroquinos, dois poloneses e dois espanhóis.

O Itamaraty confirmou que não havia brasileiros a bordo, segundo informações da Globo News.

Até o momento, não há informações sobre a lista completa de passageiros e membros da tripulação. Familiares de passageiros aguardam informações no aeroporto de Bole.

Autoridades informaram que também há membros da Organização das Nações Unidas (ONU) entre as vítimas, que estariam se deslocando para a Conferência Ambiental da ONU, em Nairóbi, capital do Quênia. O evento terá início na segunda-feira (11) e deve contar com a presença de mais de 4,7 mil líderes mundiais.

"A família WFP (Programa Alimentar Mundial, da ONU) está de luto hoje – os funcionários da WFP estavam entre os que estavam a bordo do voo da Ethiopian Airlines. Faremos tudo o que for humanamente possível para ajudar as famílias neste momento doloroso", disse David Beasley, diretor executivo do WFP.

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Causas do acidente não foram divulgadas

Ainda não foram divulgadas as causas deste acidente com o avião modelo Boeing 737 MAX-8, com 149 passageiros e oito membros de tripulação, segundo a companhia aérea.

Foto de um Boeing 737 da Ethiopian, do mesmo modelo que caiu. Foto: AFP

De acordo com informações publicadas pelo portal G1, o presidente da Ethiopian Airlines afirmou que o piloto relatou dificuldades técnicas e pediu para voltar a Adis Abeba. Segundo ele, os controladores de voo autorizaram o retorno. O operador de tráfego aéreo do país disse, além disso, que a aeronave apresentou velocidade vertical instável após a decolagem e que a visibilidade parecia estar clara.

A Ethiopian Airlines confirmou que a aeronave caiu seis minutos depois de decolar do aeroporto internacional de Adis Abeba às 8h44 (horário local, 2h44 em Brasília), na altura da cidade de Bishoftu, informou em comunicado.

A companhia informou que o avião era novo e foi incorporado às suas operações em novembro do ano passado. A Ethiopian Airlines é uma das principais companhias aéreas do mundo – e a maior da África –, com um sólido histórico de segurança, segundo Richard Quest, especialista em aviação da CNN.

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O piloto foi identificado como o capitão Yared Getachew, que teve um "desempenho louvável" com mais de 8.000 horas de voo, segundo a companhia aérea.

Problemas com o Boeing 737 MAX

Este é o segundo acidente com um Boeing 737 MAX-8 em menos de meio ano. Em 29 de outubro de 2018, um avião de mesmo modelo caiu logo após a decolagem em Jacarta, na Indonésia. A aeronave, da companhia Lion Air, levava 189 passageiros a bordo.

Em um relatório preliminar, investigadores do Comitê Nacional de Segurança de Trasportes da Indonésia afirmaram que o acidente poderia ter sido causado por uma falha no Boeing MAX 737 e uma confusão na cabine, já que os pilotos sofreram para ganhar altitude depois da decolagem.

A aeronave é a versão mais recente do venerável Boeing 737, um avião que voou pela primeira vez em 1967 e passou por várias modificações antes de emergir como o 737 Max.

Este novo modelo, lançado em 2017, foi equipado com motores mais potentes que são montados mais para frente na asa. Como resultado dessa reconfiguração relativamente menor, um software foi adicionado ao piloto automático do 737 Max para fornecer mais controle.

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Esse software foi identificado no manual da Boeing como o sistema de reforço de características de manobra, ou MCAS na sigla em inglês. Mas os sindicatos que representam os pilotos da Southwest e da American Airlines disseram que não foram devidamente informados sobre o novo sistema durante o treinamento.

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No caso da Lion Air, um dos sensores de velocidade, chamado de sensor de "ângulo de ataque" no avião, foi substituído após um mau funcionamento em três voos anteriores.

Quando os sensores novamente transmitiram dados com falha para a cabine do voo 610, o novo sistema MCAS detectou uma paralisação – ponto em que um avião fica tão na vertical que corre o risco de cair – e tentou corrigir a perda percebida, repetidamente apontando o nariz da aeronave para baixo.

Uma característica dos modelos 737 anteriores que permitia aos pilotos reverter manualmente um processo de "corte elétrico" – que é projetado para mover automaticamente o nariz para baixo a fim de evitar uma parada – não funciona nos aviões 737 MAX da Boeing.

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A perspectiva de que um sistema de piloto automático descontrolado poderia ter contribuído para o acidente já foi objeto de pelo menos um processo envolvendo a Boeing.

Entretanto, ainda é cedo para afirmar que o avião da Ethiopian Airlines tenha passado por problemas parecidos neste domingo.

O CEO da Boeing, Dennis A. Muilenburg, lamentou o acidente e disse que a empresa "está fornecendo assistência técnica para autoridades governamentais e reguladoras na investigação".

Reações

O Escritório do primeiro-ministro etíope, Aby Ahmed, expressou "suas mais profundas condolências às famílias daqueles que perderam seus entes queridos", segundo lamentou via Twitter.

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O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse que muitos quenianos "se preparam para o pior".

Líder ocidentais também lamentaram o acidente, como a primeira-ministra britânica Theresa May e o presidente francês Emmanuel Macron.

"Fiquei profundamente triste ao saber da devastadora perda de vidas após o acidente de avião na Etiópia. Neste momento muito difícil, meus pensamentos estão com as famílias e amigos dos cidadãos britânicos a bordo e todos aqueles afetados por este trágico incidente", disse May.

França abre investigação sobre acidente

O Ministério Público de Paris abriu investigação sobre o acidente da Ethiopian Airlines, porque há cidadãos franceses entre os 157 mortos. O MP fez o anúncio da decisão neste domingo, sem muitos detalhes. Trata-se de procedimento padrão quando cidadãos franceses morrem em outros países.

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Separadamente, a autoridade de acidentes aéreos da França, conhecida como BEA, disse que provavelmente se envolveria na investigação liderada pela Etiópia, porque a companhia francesa Safran foi uma das fabricantes dos motores do jato da Boeing, junto com a General Electric.

Autoridades dos Estados Unidos, da Administração Federal da Aviação e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, também estão participando da investigação sobre a queda do voo ET302. As equipes que eles vão enviar têm experiência em sistemas, estruturas, usinas e operações. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes afirma que é um "representante credenciado" para a investigação porque a Boeing é uma fabricante americana.