Um barco da guarda costeira de Trinidad e Tobago patrulha o Golfo de Paria em julho de 2018. Foto: Jahi Chikwendiu / Washington Post
Um barco da guarda costeira de Trinidad e Tobago patrulha o Golfo de Paria em julho de 2018. Foto: Jahi Chikwendiu / Washington Post| Foto:

Uma embarcação venezuelana com dezenas de pessoas a bordo naufragou no Mar do Caribe enquanto seguia para a ilha de Trinidad e Tobago, na quarta-feira (24), autoridades relataram nesta quinta.

A maior parte dos ocupantes continua desaparecida, segundo o jornal venezuelano El Universal. Ainda há divergências sobre o número de pessoas a bordo e o número de resgatados. A imprensa venezuelana fala em mais de 30 pessoas a bordo e duas resgatadas. Relatórios oficiais conflitantes colocam o número de passageiros entre 23 e 35.

As autoridades lançaram uma busca desesperada por sobreviventes após o acidente nas águas profundas entre as duas nações. O desastre chama a atenção para a situação daqueles que tentam escapar da fome e da repressão na nação socialista em colapso.

Estima-se que 3,7 milhões de pessoas tenham fugido da Venezuela, a grande maioria desde 2015, e quase outras 5 mil estão saindo todos os dias. Desde que o ditador Nicolás Maduro fechou as principais fronteiras com a Colômbia e o Brasil em fevereiro, mais migrantes estão tentando rotas mais arriscadas e ilegais.

O barco que naufragou, chamado Jhonnaly Jose - estava em uma viagem irregular a Trinidad e Tobago, disseram parentes de passageiros, navegando em mar agitado na escuridão para evitar ser detectado. Ele partiu no final da noite de terça-feira e afundou na madrugada de quarta, disseram autoridades. Pelo menos um dos quatro sobreviventes de que se tem notícia foi resgatado na quinta-feira, após passar horas à deriva.

"Minha filha foi salva", disse Luisa Garcia ao The Washington Post em uma mensagem de texto. Ela disse que sua filha, Yubreilys Merchan Garcia, 23 anos, estava gravemente desidratada e recebendo tratamento na cidade portuária de Guiria, na Venezuela, de onde a embarcação partiu.

"A água salgada realmente a afetou", disse Garcia. "Mas não há nada que ela não possa superar depois do que ela passou."

Funcionários de Trinidad e Tobago disseram que foram alertados para a emergência às 23h40 da quarta-feira - mais de 16 horas após o início da viagem que leva cinco horas.

O prefeito de Guiria, Ander Charles, disse que a guarda costeira venezuelana, as agências de proteção civil, os bombeiros, o exército, os pescadores e os médicos locais se uniram ao esforço de resgate, usando cinco embarcações "de alta potência".

Em mensagens no Facebook e no Twitter, Charles calculou o número de passageiros em 23. Mas outra autoridade venezuelana, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizada a falar com a mídia, disse que pelo menos 35 estavam a bordo quando o barco foi derrubado por ondas altas.

Em um grupo do WhatsApp com quase 300 pessoas, moradores de Guiria e parentes em Trinidad e Tobago estavam implorando por informações sobre seus filhos, irmãos e amigos. Eles enviavam fotos de seus entes queridos e pediam aos outros que os avisassem se soubessem de alguma coisa.

"Quão desesperado você precisa estar para entrar em um barco inseguro com mais de 30 pessoas partir para o mar sem nenhuma proteção?" disse Carolina Jimenez, da Anistia Internacional. "Temos medo de que esses tipos de tragédias continuem enquanto a crise dos direitos humanos [na Venezuela] continue a existir e se agravar".

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