Apoiadores do partido Likud, na cidade de Tel Aviv, Israel, após anúncio dos resultados de pesquisa de boca de urna, 9 de abreil. Foto: Thomas Coex / AFP| Foto:

Os resultados das pesquisas de boca de urna em Israel indicam um empate entre o Likud, partido do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de espectro à direita, e o rival, o centrista Azul e Branco, do ex-chefe do Exército Benny Gantz.

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Há, no entanto, maior possibilidade de que Netanyahu seja reconduzido à cadeira de premiê, uma vez que o bloco de partidos de direita conquistou mais votos do que o de esquerda.

Os dois partidos declararam vitória, mas ainda não está claro como será a composição do próximo Parlamento.

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Indefinição

Segundo pesquisa do Canal 11, da TV israelense, o Azul e Branco ficou com 37 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento, uma a mais do que o Likud, com 36. Mas os partidos de direita, de acordo com os resultados de boca de urna, conquistaram 66 cadeiras, contra 54 da esquerda.

Já a pesquisa realizada pelo Canal 13 deu 36 assentos tanto para o Azul e Branco quanto para o Likud, ainda que também indique a vantagem do bloco da direita. O Canal 12, por sua vez, apontou 37 cadeiras para Gantz e 33 para o Likud – na maior diferença registrada nos levantamentos de boca de urna entre os maiores partidos.

Resultados e formação do governo

Os resultados oficiais devem ser divulgados apenas na quinta (11) ou na sexta-feira. Então, caberá ao presidente de Israel, Reuven "Ruvy" Rivlin, convocar os líderes dos partidos que conseguiram cadeiras no Knesset para o tradicional processo democrático do país. Por esse sistema, os líderes indicam quem gostariam de ver como próximo premiê.

O presidente então chama o indicado e dá prazo de 60 dias para ele costurar uma coalização com pelo menos 61 cadeiras do Knesset. Caso mais partidos indiquem Netanyahu, pode ser que Rivlin dê a ele o direito de tentar, primeiro, criar uma coalizão.

Segundo dados da Central Eleitoral de Israel, até às 20h (14h em Brasília), 61,3% dos 6,3 milhões de eleitores israelenses foram às urnas, percentual um pouco menor do que em 2015.

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A queda pode ter sido influenciada por diversos fatores. O dia de votação foi marcado por tempo ensolarado, que levou centenas de milhares de famílias a abrir mão de votar para passear e aproveitar o feriado nacional. Cerca de 150 mil visitantes aproveitaram o dia da eleição para ir a reservas e parques naturais.

Há também o desinteresse dos eleitores, baseado no fato de que poucos acreditam que haverá uma mudança profunda no país após a eleição. Por fim, a minoria árabe-israelense (20% da população) compareceu em menor número às urnas devido à divisão da Lista Árabe Unida, segunda bancada do Knesset, em dois partidos menores e menos influentes.

Houve esforço dos políticos árabes e de partidos de esquerda nas últimas horas da votação para animar os eleitores.

Denúncias de irregularidades

Durante as 15 horas de votação (das 7h às 22h, horário local), houve denúncias de irregularidades em algumas das 10,7 mil urnas espalhadas pelo país.

O Comitê Eleitoral ordenou que a polícia investigasse as reclamações, que partiram de diferentes partidos. O partido que mais solicitou averiguação foi o Azul e Branco, alegando que, em muitas seções, as cédulas com o nome do partido foram riscadas ou destruídas.

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O sistema eleitoral israelense prevê que o eleitor selecione a cédula com o nome do partido escolhido, coloque dentro de um envelope e insira o envelope na urna. Se a cédula estiver rabiscada ou rasurada, pode ser descartada como inválida.

"Recebemos relatos de todo o país sobre as tentativas de corromper as cédulas do Azul e Branco", disse Yair Lapid. "Este é um plano organizado para prejudicar o processo democrático. É uma tentativa dos partidos que têm medo que vamos ganhar a eleição de sabotar o processo democrático."

O partido árabe Hadash-Ta'al também apresentou uma queixa contra a sigla governista Likud, que enviou 1.300 ativistas com câmeras ocultas a seções em cidades árabes alegando querer evitar fraudes. "A extrema direita entende muito bem nosso poder e, por meios ilegais, tenta intervir e impedir que os cidadãos árabes votem", alegou o partido, em nota.

Câmeras ocultas, boatos e apreensão

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que quer se reeleger para um quinto mandato, votou em Jerusalém. Indagado sobre as câmeras que estavam instaladas nas seções eleitorais, ele respondeu: "Deve haver câmeras em todos os lugares para garantir uma votação correta".

Benny Gantz, líder do partido de centro Azul e Branco, votou na cidade de Rishon Letzion, onde nasceu, e disse aos jornalistas que hoje "é um dia de esperança e de união". "Levantaremos e partiremos para um caminho de força. Que seja um dia digno e tranquilo para todos os lados." No caminho, ele ainda parou para ajudar um motociclista que sofreu um acidente na estrada.

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Durante todo o dia houve tensão entre os partidos concorrentes, todos eles dizendo a seus ativistas que estavam recebendo menos votos do que esperavam. O nervosismo levou a um dia de muitos boatos, além de envios de SMS e telefonemas aos eleitores.

Na família Keidar, mãe e filho votaram em partidos diferentes na cidade de Petah Tikva. As discussões foram acaloradas em casa, mas cada um escolheu uma cédula diferente. A mãe, Mira, votou na tradicional legenda de esquerda, o Partido Trabalhista. "É tradição", afirmou. "Voto nos trabalhistas desde jovem. Não vou mudar agora."

O filho, o jornalista e professor Uri Keidar, votou ainda mais à esquerda, no partido Vigor (Meretz), conhecido como o mais esquerdista entre os partidos judeus de Israel. "Não quero que o próximo ministro da Educação seja o fanático Bezalel Smotrich [líder da União de Partidos de Direita], como prometeu o Netanyahu caso seja reeleito."

"Precisamos mudar esse governo, revigorar nossos mandatários. Por isso votei no Azul e Branco, do Benny Gantz", disse o professor Yilya Bayder, 50. "O governo do Likud é uma ditadura. Vivemos com medo. Parece o Putin. O Bibi pensa só em si mesmo, não no país", continuou.

Já o administrador de empresas Hayim Green, 48, votou no Likud. "Em cavalo vencedor não se toca. A situação do país é boa. A economia e a parte de segurança estão boas. Por que mudar?", pergunta. "Mas se a Justiça decidir condenar Netanyahu, ele precisa renunciar, isso é lógico", pondera.

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