La Paz – A Bolívia negou ontem ter confiscado os bens de empresas estrangeiras com no processo de nacionalização do gás. Alegou que vai comprar até 51% das ações de petroleiras como a Petrobrás, a principal empresa do país. Para os investidores, no entanto, a abolição do termo "confisco" não elimina a crise aberta pela decisão, anunciada segunda-feira.

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, garantiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por telefone, que o fornecimento de gás natural ao Brasil será mantido durante o processo de nacionalização do setor, nos próximos 180 dias. Segundo a Secretaria de Imprensa da Presidência do Brasil, Lula e Morales acertaram que "o tema do preço do gás será resolvido por meio de negociações bilaterais".

O governo brasileiro não deve se contrapor à nacionalização. "A decisão do governo boliviano de nacionalizar as riquezas de seu subsolo e controlar sua industrialização, transporte e comercialização é reconhecida pelo Brasil como ato inerente à sua soberania", diz a nota do Planalto. "O governo brasileiro agirá com firmeza e tranquilidade em todos os fóruns."

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Lula e Morales vão se encontrar nos próximos dias, acrescenta a nota. Antes dessa conversa, Lula deve consultar colegas sul-americanos sobre a crise com a Bolívia.

A posição de Lula recebeu críticas de seus opositores. O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e o presidente nacional do partido, Tasso Jereissati, disseram que Lula está sendo "omisso". Ambos afirmaram que o presidente tem a "obrigação de defender os interesses nacionais" e que deve agir.

Em meio às críticas, a Petrobrás confirmou que continuará na Bolívia e tentou acalmar o mercado, afirmando que não faltará gás. A principal medida que a empresa deve tomar a longo prazo para ampliar seu poder de barganha frente à Bolívia é a redução no volume de importação.

As atividades nas principais cidades bolivianas transcorreram com normalidade ontem. As estações de processamento de gás para uso doméstico funcionaram com regularidade, assim como os postos de gasolina. A proteção policial ordenada pelo governo começou a ser retirada diante do clima de tranqüilidade.