
Foz do Iguaçu - Cerca de mil produtores rurais brasileiros e paraguaios bloquearam ontem por quase dez horas a principal rodovia que liga Ciudad del Este a Salto del Guairá, no departamento paraguaio de Alto Paraná, entre os municípios de San Alberto e Minga Porã, a 100 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu.
Os brasiguaios como são chamados os brasileiros que vivem no país vizinho tentam impedir que 4 mil hectares de terras ocupadas há mais de 25 anos pelos colonos brasileiros sejam entregues à companhia Syryha Agroganadera, do francês Jean Luca Phollot.
Munidos de faixas e cartazes e com tratores bloqueando a pista, os agricultores impediram que autoridades judiciais fizessem a medição das propriedades reivindicadas pela empresa francesa.
Segundo os manifestantes, os títulos das terras financiadas pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e da Terra (Indert) teriam sido duplicados pelo próprio governo paraguaio depois de já terem sido cedidos aos brasileiros. O impasse em torno de terras no Paraguai é mais intenso nos estados de Canindeyú e San Pedro e pode afetar mais de 5 mil famílias.
Arlindo Keller, produtor de soja há 18 anos no município de San Alberto e um dos 320 proprietários ameaçados de despejo, revela que o problema é resultado da conhecida corrupção que caracteriza o país. "O governo paraguaio ignorou a própria legislação ao ceder terras na faixa de segurança da fronteira a estrangeiros radicados no país há menos de dez anos", disse. "Agora, com a pressão do dinheiro de outros estrangeiros, quer se valer das mesmas leis que desconsiderou."
Pressão
Os agricultores alegam ainda que o empresário Jean Luca Phollot estaria radicado no país há cerca de dois anos, período insuficiente para comprar títulos na região mesmo que estes fossem legais.
A estratégia garantida pela duplicidade de títulos teria como finalidade pressionar os agricultores brasileiros a ceder as propriedades. Sem sucesso, a empresa apelou à Justiça. Os brasileiros exigem a suspensão do processo.
Outro protesto organizado pela Associação de Produtores de San Alberto e Minga Porã já havia sido realizado dia 3 de julho, reunindo mais de 1,5 mil produtores.







