O Canadá dará início nesta terça-feira (1) a um sistema de produção de maconha medicinal em larga escala com o objetivo de permitir a formação de um livre mercado do produto. Até o fim de março do ano que vem, a droga resultante do atual cultivo doméstico ou de pequenas propriedades será substituída, de forma gradativa, pela originada em grandes plantios licenciados e com controle de qualidade.

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A expectativa das autoridades é de que a nova indústria gire 1,3 bilhão de dólares canadenses (R$ 2,8 bilhões) em até dez anos, quando o número de usuários de maconha medicinal deve chegar a 450 mil. Hoje, há 37.400 pacientes registrados pelo Ministério da Saúde.

Desde junho, 156 empresas pediram licença para produzir e distribuir maconha, e as duas primeiras receberam as autorizações na semana passada. A outra foi criticada por militantes pró-legalização por supostamente produzir maconha de má qualidade, infectada por bactérias e contaminada por metais. Na estrutura atual, 4.200 pequenos produtores podem plantar maconha suficiente para no máximo dois pacientes, e a polícia costumava reclamar que os empreendimentos serviam de fachada para o crime organizado.

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As vendas sob o novo sistema devem começar nas próximas semanas. O governo calcula que o preço do grama da maconha deve ficar em torno de 7,60 dólares canadenses (R$ 16,33) - mais caro que o vendido pelo Ministério da Saúde (5 dólares, ou R$ 10,70), mas mais barato que o encontrado com traficantes (10 dólares ou R$ 21,49, segundo a imprensa local). Apesar da alta do preço para os pacientes, o governo defende a mudança dizendo que haverá alívio no bolso do contribuinte, já que o atual programa de maconha medicinal é subsidiado.

"Estamos confiantes quanto à formação de uma saudável indústria", disse Sophie Galarneau, do alto escalão do Ministério da Saúde canadense. "Esperamos que o livre mercado puxe os preços para baixo. O valor mais baixo deve ficar em torno de 3 dólares (R$ 6,44)."

O Canadá aprovou lei legalizando o uso medicinal da maconha em 2001, mas a descriminalização do porte de pequenas quantidades da droga já foi barrada duas vezes no Parlamento. Algumas decisões judiciais na província de Ontário chegaram a considerar inválida a legislação do país sobre maconha, mas o status da droga no país continua em disputa.

No fim de agosto, o deputado Justin Trudeau - líder do Partido Liberal e filho do ex-premier Pierre Trudeau - chamou a atenção ao assumir que usou a droga depois de eleito para o cargo. Uma pesquisa realizada este ano pelo instituto Forum Research mostrou que dois terços dos canadenses apoiam a descriminalização e/ou a legalização da maconha.