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Um carro-bomba explodiu nesta terça-feira (28) durante funerais em um subúrbio de Damasco favorável ao regime sírio, deixando 27 mortos, no momento em que o Exército bombardeava bairros da capital e as cidades de Aleppo e Idleb para tentar acabar com a resistência rebelde.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o atentado contra o bairro de Jaramana, habitado por cristãos e drusos, ocorreu durante os funerais de dois partidários do regime de Bashar al-Assad.

A TV estatal havia anunciado 12 mortos e 48 feridos no mesmo atentado.

Um violento ataque das forças do governo matou 17 civis, incluindo duas mulheres, na aldeia de Kafar Nabel, perto de Idleb (noroeste). Neste vilarejo, de acordo com um vídeo postado por militantes, dezenas de moradores tinham dificuldades para retirar os corpos dos escombros.

Diante da intensificação da violência, o número de sírios que fogem para países vizinhos continua aumentando e a comunidade internacional tenta buscar uma maneira de ajudá-los, em meio à falta de consenso sobre uma solução para o conflito que sacode a Síria há mais de 17 meses.

Nesta guerra, os combatentes não parecem dispostos a ceder. O regime de Bashar al-Assad está decidido a deter os rebeldes classificados "de terroristas a serviço do exterior" e a oposição exige a saída de Assad do poder.

Em terra, os civis estão presos no fogo cruzado. O Exército, apoiado por tanques e helicópteros, bombardeou territórios situados a leste de Damasco, onde as brigadas de elite do Exército Sírio Livre (ESL, rebeldes) resistem, segundo um comandante insurgente na capital.

Os bairros de Zamalka, Qaboun, Jobar, Ain Tarma, Al Hjeira, no leste, também foram alvo de um forte bombardeio.

Na outra grande frente síria, da cidade de Aleppo (norte), prosseguiam os intensos bombardeios contra os bairros onde estão os rebeldes, mergulhados há mais de um mês em uma batalha crucial por esta metrópole comercial.

Na aldeia de Kafar Nabel, próximo a Idleb, cidade atacada pelo Exército, os moradores tentavam socorrer os feridos presos sob os escombros ou retirar pedaços de corpos, segundo os militantes do Conselho Geral da Revolução Síria (CGRS). "Mártires e feridos estão presos sob os escombros" e o número de mortos vai aumentar.

Nesta terça-feira, quase 100 pessoas morreram vítimas da violência que atinge o país, entre elas 62 civis, 11 rebeldes e 24 soldados, segundo um registro provisório do OSDH, que não leva em conta os 27 mortos do atentado.

Refugiados

Para o vice-presidente sírio, Farouk al-Shareh, que apareceu pela primeira vez em público após um mês de especulações sobre sua possível morte, a solução "passa pelo fim da violência de todas as partes" para permitir "um diálogo nacional".

Essas declarações foram feitas depois que o chefe da diplomacia síria, Walid Mouallem, ter dito que o regime não negociará até que o país seja libertado dos rebeldes.

Já a oposição exige a saída de Bashar al-Assad, enquanto considerou prematura a formação de um governo sírio de transição "que não seja reconhecido por toda a comunidade internacional de maneira unânime", declarou Afra Jalabi, membro da Declaração de Damasco e do Conselho Nacional Sírio (CNS).

Desde o início da revolta, em março de 2011, a violência deixou mais de 25 mil mortos, segundo o OSDH.

A violência provocou o êxodo de centenas de milhares de sírios que encontraram refúgio nos países vizinhos.

A Turquia, que recebe 80 mil refugiados sírios, tenta deter esta maré. Nesta terça-feira, ao menos 10.000 pessoas dispostas a deixar a Síria esperavam ao longo da fronteira.

Na Jordânia, mais de 20 membros das forças de segurança ficaram feridos nesta terça em confrontos com refugiados revoltados que protestavam contra as suas condições de vida, segundo fontes jordanianas.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), o número total de pessoas refugiadas na Jordânia chega a 214 mil.

A Turquia, que limitou o número de entrada de refugiados em 100.000 pessoas, pedirá na quinta-feira aos seus sócios do Conselho de Segurança da ONU que aliviem o "fardo" de seu país e solicitará a criação em território sírio de uma "zona de proteção" sob controle da ONU.

Mas uma zona deste tipo requer uma resolução da ONU, o que é difícil de alcançar com a oposição da Rússia a qualquer intervenção estrangeira no território de seu aliado sírio.

Russo

Além disso, o chefe do Estado-Maior do Exército russo, Nikolai Makarov, indicou que Moscou não tem a intenção de retirar seus assessores militares da Síria e que manterá suas atividades, apesar da escalada da violência, segundo as agências russas.

A Suíça, por sua vez, propôs ao Conselho de Direitos Humanos da ONU a incorporação à Comissão de Investigação sobre a Síria da ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia Carla del Ponte, famosa por sua perseguição aos criminosos de guerra, informou Tilman Renz, porta-voz do Departamento Federal de Assuntos Exteriores (DFAE) em uma entrevista à rede de televisão SF.

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