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Carta à Science quebra “mordaça” da narrativa sobre a origem da Covid
| Foto: Pixabay

Por mais de um ano, um certo grupo de pesquisadores ridicularizou a ideia de que a Covid-19 pode ter inicialmente escapado de um laboratório em Wuhan, na China, tratando-a como uma teoria da conspiração. Agora, o controle deles sobre essa narrativa dentro da comunidade científica está diminuindo, à medida que um número cada vez maior de especialistas pede um olhar mais atento para essa hipótese de vazamento de laboratório.

Em uma carta publicada nesta sexta-feira na Science, 18 cientistas pedem uma investigação sobre as origens da pandemia que não descarte a possibilidade de um vazamento de laboratório. "Tanto a teoria de liberação acidental de um laboratório quanto a de transbordamento zoonótico [quando um patógeno é transmitido de animais para humanos] permanecem viáveis", eles escrevem. "Saber como a Covid-19 surgiu é fundamental para orientar as estratégias globais de mitigação do risco de surtos futuros."

Esses pesquisadores incluem o Dr. Ralph Baric, um importante especialista em coronavírus que tem pesquisas sobre coronavírus em morcegos com a Dra. Shi Zhengli, do Instituto de Virologia de Wuhan, e vários outros virologistas proeminentes. Eles se juntaram ao diretor-geral da OMS, autoridades de inteligência e outros especialistas do governo dos EUA para afirmar que tal vazamento continua sendo uma explicação possível, apesar das conclusões de um estudo conjunto da OMS e da China de que tal teoria é "extremamente improvável". Assim como o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, e 13 outros países que assinaram uma declaração liderada pelos EUA após a publicação do relatório, eles levantam preocupações sobre como o painel chegou às suas conclusões.

A carta dos pesquisadores é publicada no momento em que membros do Congresso americano começam a intensificar o escrutínio de um possível vazamento de laboratório como origem do novo coronavírus. A carta dos cientistas já chamou a atenção dos legisladores americanos envolvidos nas ações de investigação da Covid. Os representantes Cathy McMorris Rodgers, Brett Guthrie e Morgan Griffith disseram em um comunicado: "Estamos ansiosos para trabalhar com eles e com todos os que seguirão a ciência para completar esta investigação".

Jamie Metzl, consultor da OMS e membro sênior do Atlantic Council, grupo de pesquisas sobre questões internacionais, explicou o significado da carta no Twitter. "A mordaça sobre a consideração pública de um acidente de laboratório como uma possível origem da pandemia acaba de ser quebrada. Após a publicação da carta à Science, será irresponsável para qualquer periódico científico ou veículo de comunicação não representar detalhadamente esta hipótese viável".

Os autores da carta da Science consideram que o relatório conjunto da OMS e da China é falho e avalia as probabilidades das diferentes teorias sobre a origem do vírus que o painel avaliou: "Embora não tenha havido nenhuma descoberta que corrobore claramente com o transbordamento natural e nem com um acidente de laboratório, a equipe avaliou a hipótese de transbordamento zoonótico de um hospedeiro intermediário como 'provável a muito provável, e um incidente de laboratório como 'extremamente improvável'".

Os autores da carta acrescentam: "Além disso, as duas teorias não foram consideradas de maneira equilibrada. Apenas 4 das 313 páginas do relatório e seus anexos abordaram a possibilidade de um acidente de laboratório".

A carta não afirma que a hipótese de vazamento de laboratório é mais viável do que a teoria da origem zoonótica. É significativo, no entanto, que uma carta em uma importante revista científica está colocando essas duas teorias em pé de igualdade.

O Lancet, outro periódico científico, rejeitou uma carta submetida por 14 biólogos e geneticistas em janeiro, que argumentava que "a origem de laboratório não pode ser descartada formalmente".

Algumas figuras associadas ao Lancet descreveram o cenário de vazamento de laboratório como uma teoria da conspiração, incluindo Jeffrey Sachs, presidente da comissão de Covid da revista médica, e Peter Daszak, presidente do subcomitê sobre as origens da Covid da comissão. Daszak, cujo grupo de pesquisa sem fins lucrativos recebeu centenas de milhares de dólares dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para estudos sobre coronavírus de morcegos no Instituto de Virologia de Wuhan, era membro do painel conjunto da OMS e da China e enfrentou acusações de que não revelou potenciais conflitos de interesse.

Richard Ebright, professor de biologia química da Rutgers University, disse ao National Review no mês passado que as iniciativas deles ajudaram a criar a falsa impressão de que existe um consenso científico contra a possibilidade de uma origem por vazamento de laboratório. "Não existia tal consenso à época. Não existe tal consenso agora", disse ele.

Esta última participação no debate, nas páginas de um jornal científico proeminente, mostra que as bases estão se afastando de uma narrativa vazia que tem sido muito difundida desde o início da pandemia.

©2021 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês

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