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Cartel da “nova geração” ganha espaço no México

Em cinco anos, o Jalisco Nueva Generación ganhou espaço, fez ataques a policiais e passou a controlar a exportação de drogas no país

  • Cidade do México
  • Estadão Conteúdo
Membros do Jalisco Nueva Generación: ascenção rápida e ações violentas contra autoridades | Reprodução / Youtube
Membros do Jalisco Nueva Generación: ascenção rápida e ações violentas contra autoridades Reprodução / Youtube
 
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O grupo tem o controle do produto e a capacidade de distribuí-lo de uma organização internacional. Possui as armas, comando militar unificado e arrogância para desafiar as autoridades. Uma mistura que o converteu em inimigo número um do governo do México.

Seu nome é Jalisco Nueva Generación. A atenção sobre o cartel chegou ao máximo em 1º de maio, quando ele gerou caos na segunda maior cidade mexicana, Guadalajara, e em outros locais do oeste do país, ao executar vários ataques coordenados contra policiais e militares, que deixaram 17 mortos e 19 feridos, além de incendiar veículos, bancos, postos de gasolina e derrubar um helicóptero com um lança-foguetes.

Em poucos anos, o cartel passou de um grupo pouco conhecido para uma das organizações mais poderosas do narcotráfico, junto com o cartel de Sinaloa.

Nos últimos cinco anos, o Jalisco Nueva Generación tem sido a única organização que conseguiu se fortalecer e ganhar espaço enquanto os cartéis eram debilitados pelas autoridades.

“É um cartel novo, de segunda geração”, diz Guillermo Valdés, especialista em segurança e ex-diretor da agência de inteligência mexicana. “É o único desta nova geração que tem características de organização poderosa, porque seu principal negócio é a produção e a exportação de drogas”. Segundo Valdés, só quando se entra nesse nível de receita há capacidade de manter uma grande organização, com logística e armas.

Desde que o ex-presidente Felipe Calderón lançou em 2006 uma ofensiva contra o narcotráfico, com uma estratégia de perseguir os líderes que foi mantida pelo presidente Enrique Peña Nieto, o México tem passado por uma fragmentação das grandes organizações em vários grupos que, sem uma liderança vertical, disputam territórios e mercados de menor potencial que o do tráfico internacional.

Quando Calderón chegou ao poder, as autoridades reconheciam cinco cartéis. Agora, a Procuradoria Geral da República diz que há nove grandes grupos e 43 células nas quais eles se fragmentaram.

O Jalisco Nueva Generación tem origem nessa fragmentação. O grupo operava há anos, mas ganhou notoriedade com sua ofensiva de 1º de maio em Guadalajara, a mais de 500 quilômetros a oeste da Cidade do México e considerada o berço do narcotráfico no país.

Após a captura dos líderes do Cartel de Guadalajara na década de 1980, houve o surgimento do que para o especialista Valdés é a primeira geração dos grandes cartéis, vários dos quais ainda existem. Mas a estratégia de Calderón começou a debilitá-los e a fragmentá-los.

Prisão de líderes facilitou ascensão

O Jalisco Nueva Generación marca o surgimento de uma segunda onda de cartéis após a prisão ou a morte de líderes dos grupos criminosos Beltrán Leyva, Cartel de Juárez, Caballeros Templários e Los Zetas.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirma que o Nueva Generación e o Los Cuinis são poderosos por se dedicarem ao tráfico de cocaína e metanfetaminas, ter presença em oito dos 31 estados do país manter conexões nos Estados Unidos, na América Latina, África, Europa e Ásia.

Autoridades norte-americanas acusaram em 2013 Nemesio Oseguera, líder do Jalisco, e seu cunhado, Abigael González Valencia, líder de Los Cuinis, de traficar cocaína da América do Sul ao México e facilitar seu transporte para os EUA.

O Nueva Generación tem sua origem na fratura do Cartel del Milenio e depois operou como uma facção de Ignacio “Nacho” Coronel, um dos líderes do Cartel de Sinaloa. “Nacho” morreu em julho de 2010 e o Nueva Generación conseguiu crescer.

O líder do Jalisco, Nemesio “El Mencho” Oseguera, herdou os contatos de “Nacho” e manteve boa relação com o Cartel de Sinaloa. O que o grupo conseguiu em cinco anos não se viu em nenhuma outra organização. O que também chama a atenção é a ofensiva contra as autoridades.

Para Guillermo Valdés, ex-diretor da agência de inteligência mexicana, a ofensiva de 1ºde maio pode ser o início do fim do cartel. “O negócio do narcotráfico não vai desaparecer enquanto tenhamos uma demanda tão grande nos Estados Unidos, mas isso não dá um certificado de imortalidade às organizações”, avalia. E o cartel de Jalisco, acrescenta, “comprou o bilhete para ser o inimigo número um”.

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