Cidade Industrial Ras Laffan, principal local do Catar para produção de gás natural liquefeito, administrada pela Qatar Petroleum, a cerca de 80 quilômetros ao norte da capital Doha| Foto: KARIM JAAFAR/AFP

O Catar anunciou, nesta segunda-feira (3), que vai deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de janeiro de 2019, sendo o primeiro membro a se retirar do bloco, composto até agora por 15 países. Segundo o ministro de Energia do Catar, Saad al Kaabi, a decisão ocorre em um momento em que o país quer se concentrar na produção de gás natural.

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"A decisão de retirada reflete o desejo do Catar de concentrar seus esforços nos planos de desenvolver e aumentar sua produção de gás natural", disse Kaabi.

O ministro descartou a hipótese de que o Catar estaria saindo da Opep depois de ter sofrido um boicote diplomático e econômico, imposto pela Arábia Saudita, maior produtor de petróleo e líder do grupo, Emirados Árabes Unidos, Barein e Egito. Em junho de 2017, os países árabes cortaram relações com o Catar sob a justificativa de que o país “apoia vários grupos terroristas e sectários visando desestabilizar a região”, incluindo a Irmandade Muçulmana, a Al Qaeda, o Estado Islâmico e grupos apoiados pelo Irã.

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O Catar é o maior exportador de gás natural liquefeito do mundo, sendo responsável por 30% da demanda global. Com esta decisão, Doha anunciou que quer aumentar sua produção de 77 milhões de toneladas por ano para 110 milhões.

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Sua produção de petróleo não é tão expressiva quanto à dos demais membros da Opep. Segundo a emissora de TV Al Jazeera, desde 2013 a quantidade de petróleo produzida pelo Catar tem caído constantemente, passando de 728 mil barris por dia naquele ano para 607 mil em 2017, o que representa apenas 2% do total produzido pelos membros da Opep. Juntos, os países-membros possuem aproximadamente 75% das reservas de petróleo do mundo e abastecem cerca de 40% da população mundial.