| Foto: AFP PHOTO / SCIENCE/AAAS

Fragmentos de cerâmica encontrados em uma caverna no Sul da China teriam 20 mil anos, sendo os mais antigos conhecidos no mundo, segundo arqueólogos envolvidos na descoberta. O trabalho, divulgado na "Science", integra um esforço recente para datar pilhas de cerâmica do Leste Asiático. O material teria mais de 15 mil anos e refuta teorias de que sua invenção teria apenas 10 mil anos, mesma época em que o homem deixou de ser caçador/coletor para se tornar agricultor. O recipiente achado seria usado como panela, para cozinhar alimentos ou para fazer bebidas alcoólicas.

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Segundo os pesquisadores chineses e americanos, o aparecimento da cerâmica ocorreu em plena Idade do Gelo, o que pode prover novas explicações sobre aquele período. "As novas pesquisas são fundamentais para um melhor entendimento das mudanças socioeconômicas ocorridas entre 25 mil e 19 mil anos atrás", explica Gideon Shelach, professor de Estudos do Leste Asiático da Universidade Hebraica, em Israel. "Também poderemos saber mais sobre o desenvolvimento que levou ao surgimento de sociedades agrícolas sedentárias."

Segundo Shelach, a falta de conexão entre cerâmica e agricultura no Leste Asiático pode corresponder a uma especificidade do desenvolvimento humano na região.

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Professora de arqueologia da Universidade de Pequim e autora principal do artigo publicado esta semana, Wu Xiaohong detalha os esforços para datação por radiocarbono da cerâmica. Os fragmentos foram descobertos na caverna de Xianrendong, que recebera anteriormente duas escavações: nas décadas de 1960 e 1990.

Wu revela que, segundo alguns pesquisadores, aqueles fragmentos teriam 20 mil anos, mas ainda havia dúvidas sobre este cálculo. "Acreditávamos que seria impossível, porque, segundo a teoria convencional, a cerâmica foi inventada após a transição para a agricultura, um fenômeno que permitiu a fixação do homem. Aí, em 2009, uma equipe conseguiu calcular a idade daquele material."