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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tachou nesta quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de assassino, genocida e louco, em resposta a declarações sobre a Venezuela do encarregado de Washington para a América Latina, Thomas Shannon.

- O mais grave perigo que o mundo tem é o governo dos Estados Unidos. O povo americano é governado por um assassino, genocida e louco - disse Chávez na noite de quinta-feira no encerramento de um ato de integração com o estado do Paraná.

Antes de falar de Bush, o presidente da Venezuela condenou o discurso de Shannon diante do Congresso dos EUA no qual criticou o estado da democracia na Venezuela.

- O governo Bush assume o fato de intervir grosseiramente em qualquer país - assinalou Chávez.

Na audiência realizada na Câmara de Representantes em Washington, Shannon declarou que Chávez está minando as instituições democráticas, ao utilizá-las para restringir os direitos daqueles que discordam de suas opiniões.

Chávez destacou que os EUA tentam conscientizar seus aliados da "ameaça" que supõe para a estabilidade regional a venda de armas à Venezuela e seu apoio a movimentos políticos radicais.

O recém-nomeado secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina também disse que seu governo está trabalhando em nível multilateral com órgãos internacionais e grupos civis venezuelanos para respaldar a sociedade civil e denunciar os abusos democráticos.

- Os que o império (EUA) chama de grupos cívicos, são esses mesmos que deram o golpe de Estado de abril de 2002 na Venezuela - acrescentou Chávez ao referir-se ao apoio que os Estados Unidos admitem dar a grupos da sociedade civil venezuelana.

O presidente da Venezuela considerou que o discurso de Shannon faz parte de uma nova ofensiva do governo dos EUA contra a Venezuela, depois do fracasso que, segundo Chávez, supôs para Washington a IV Cúpula das Américas, realizada há duas semanas na cidade argentina de Mar del Plata.

- Aqui estamos os venezuelanos para resistir. Se trata disso, de resistir, mas de uma resistência à ofensiva, de avanço - acrescentou.

Segundo Chávez, a reunião hemisférica de Mar del Plata significou a derrota da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) auspiciada pelos EUA, frente à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) promovida pelo próprio governante venezuelano.

Venezuela e México retiraram há dois dias seus respectivos embaixadores em ambos os países, devido a um forte cruzamento de acusações entre Chávez e o presidente mexicano, Vicente Fox, após a cúpula.

Declarações de Fox contra Chávez e o presidente da Argentina, Nestor Kirchner, por sua oposição à Alca foram respondidas pelo governante venezuelano que classificou o presidente Fox de "entreguismo" e de ser "um filhote dos Estados Unidos".

Desde que chegou ao poder em 1999, o esquerdista Chávez fez de Bush e de sua política externa o alvo principal de suas críticas, chegando em vários momentos a pensar na revisão de relações com Washington.

As tensões na relação entre Caracas e Washington começaram com a chegada de Chávez à Presidência da Venezuela e dispararam nos últimos meses com fortes acusações entre ambos os governos.

Washington acusa Chávez de ter uma intenção totalitária, enquanto Caracas critica a atitude "imperialista e intervencionista" dos EUA na Venezuela.

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