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Funcionário limpa e desinfeta uma ambulância que deixou um paciente na Unidade de Tratamento Intensivo de hospital na região de Estocolmo, 13 de maio. A Suécia adotou um modelo mais brando de combate ao coronavírus
Funcionário limpa e desinfeta uma ambulância que deixou um paciente na Unidade de Tratamento Intensivo de hospital na região de Estocolmo, 13 de maio. A Suécia adotou um modelo mais brando de combate ao coronavírus| Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP

Quando o governo da Suécia adotou uma abordagem mais branda do que outros países ocidentais para combater o coronavírus - o país proibiu eventos com mais de 50 pessoas e fechou escolas secundárias e universidades, mas impôs poucas outras restrições -, estava operando com a teoria de que bloqueios mais rígidos não serviriam muito para salvar vidas a longo prazo. A sociedade e a economia suecas acabariam se beneficiando, segundo essa lógica, ao alcançar a imunidade do rebanho mais rapidamente do que outros países que decretaram confinamento.

"Cerca de 30% das pessoas em Estocolmo atingiram um nível de imunidade", disse Karin Ulrika Olofsdotter, embaixadora sueca nos Estados Unidos, à rede americana NPR em 26 de abril. "Poderemos alcançar a imunidade de rebanho na capital já no próximo mês".

A extensão e a duração da imunidade fornecida pelos anticorpos permanecem desconhecidas, mas mesmo se a imunidade do rebanho for possível, um novo estudo de testes para anticorpos contra o coronavírus mostra que a Suécia ainda pode estar "muito longe" de alcançá-la, de acordo com um epidemiologista sueco.

A Reuters informou na quarta-feira, 20 de maio, que 7,3% dos residentes de Estocolmo apresentaram resultado positivo para anticorpos contra o coronavírus no final de abril - muito abaixo dos 30% citados pela embaixadora sueca em 26 de abril.

Para colocar esses números em perspectiva, estudos nos Estados Unidos descobriram que cerca de 6% dos residentes do condado de Miami-Dade e cerca de 21% dos residentes da cidade de Nova York apresentaram resultados positivos para anticorpos contra o coronavírus no final de abril, e os Estados Unidos continuam muito distantes de atingir a imunidade de rebanho.

O epidemiologista-chefe do governo sueco agora estima que perto de 20% dos residentes de Estocolmo possuam anticorpos, mas, levando em conta como as autoridades suecas superestimaram os números há um mês, essa estimativa deve ser vista com cautela. Alguns especialistas da Suécia acham que o país está longe de alcançar a imunidade do rebanho.

"Acho que a imunidade do rebanho está muito distante, se é que chegaremos a ela", disse à Reuters Bjorn Olsen, professor de medicina infecciosa da Universidade de Uppsala.

Atualmente, o número de mortes por coronavírus na Suécia, ajustado pela população nacional, é muito maior do que o de seus vizinhos escandinavos. Segundo o site Worldometers, a taxa de mortalidade per capita da Suécia é quatro vezes a da Dinamarca, sete vezes a da Finlândia e nove vezes a da Noruega. O número de mortos per capita da Suécia é 33% maior que o dos Estados Unidos.

E quanto à economia da Suécia? "Os economistas do banco sueco SEB estimam que o PIB da Suécia cairá 6,5% este ano, aproximadamente o mesmo previsto para os EUA e a Alemanha, mas um pouco melhor que a Noruega e melhor do que os 9 a 10% de queda na Finlândia e na Dinamarca, todos países que tiveram bloqueios", informou o Financial Times em 10 de maio. Uma pesquisa da Reuters de abril descobriu que economistas previam que as economias escandinavas se sairiam iguais em 2020.

A abordagem sueca foi um erro? Ainda é muito cedo para fazer um julgamento final. Estas são apenas previsões econômicas e ainda restam muitas incógnitas. A economia da Suécia poderia se recuperar mais cedo do que a de seus vizinhos? O número de mortos nos países escandinavos no fim será o mesmo? Talvez, se não houver uma vacina ou tratamento eficaz desenvolvido no próximo ano.

Mas houve boas notícias em relação a vacinas esta semana, pois a empresa americana Moderna anunciou resultados promissores em uma rodada preliminar de testes.

O ex-comissário da Food and Drug Administration (FDA, agência federal dos EUA reguladora de medicamentos) Scott Gottlieb alertou durante uma aparição no programa de televisão Face the Nation no domingo que "quando você tenta aumentar a produção e obter volume, muitas coisas podem dar errado, muitas coisas podem ser atrasadas. É muito difícil chegar ao ponto em que você está fabricando em grandes quantidades".

"Eu diria que é mais provável que só em 2021 tenhamos uma vacina disponível em quantidades suficientes para inocular em massa a população", acrescentou Gottlieb. Ao mesmo tempo, ele acha que as perspectivas são boas de que possamos ter uma vacina para "cercar um surto" em uma cidade se houver uma segunda onda neste outono. O número final de vidas salvas por uma vacina ou tratamento dependeria da porcentagem da população já infectada no momento em que uma vacina ou um medicamento antiviral eficaz chegar ao mercado.

Portanto, ainda existem muitas incógnitas sobre tratamentos, vacinas e economia. Levará algum tempo para entender completamente como o modelo sueco se compara ao de outros países ocidentais. No momento, porém, com tão pouco benefício econômico aparente e um número de mortes per capita muito maior do que seus vizinhos escandinavos, ele não parece tão bom.

©2020 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês

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