James B. Comey, diretor do FBI, deu mais detalhes sobre os atiradores de San Bernardino, nesta quarta-feira (9)| Foto: JOSHUA ROBERTS/REUTERS

Graduados legisladores dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei que prevê que as companhias de mídia social informem sobre atividade terrorista online, o que pode levar a novo patamar uma disputa entre o Vale do Silício e o Congresso sobre o papel das companhias do setor de tecnologia na segurança nacional.

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Os senadores Richard Burr, republicano, e Dianne Feinstein, democrata, presidente e vice respectivamente do Comitê de Inteligência do Senado, disseram que a lei era direcionada a companhias de mídia social e outras do setor, para que elas fornecessem informações quando descobrirem contatos que podem estar relacionados a ameaças potenciais.

Já existe uma lei similar para companhias que descubram pornografia infantil.

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Grupos terroristas islâmicos têm usado o Twitter, o Facebook e outras mídias sociais para comunicar e disseminar mensagens. As companhias se comprometeram a expulsar ou bloquear esses usuários, mas muitos facilmente reaparecem, com outros codinomes.

Autoridades acreditam que pelo menos um dos dois responsáveis pelo ataque em San Bernardino, na Califórnia, que matou 14 pessoas em 2 de dezembro, publicou mensagem no Facebook jurando fidelidade ao Estado Islâmico. Não está claro, porém, se a mensagem advertia para um ataque iminente.

Investigações sobre San Bernardino

O casal responsável pela morte de 14 pessoas no ataque a um centro de serviço social em San Bernardino, na Califórnia, teria se radicalizado antes mesmo de se casarem, informou James B. Comey, diretor do FBI (polícia federal americana) nesta quarta-feira (9).

A autoridade afirmou ainda que não há evidência de que o casamento do americano de origem paquistanesa Syed Rizwan Farook, de 28 anos, e a paquistanesa Tashfeen Malik, de 29 anos, foi arranjado por um grupo islâmico militante.

“Os dados de nossa investigação mostram que eles foram radicalizados antes de começar a namorar online, e já no final de 2013 eles se falavam sobre a jihad e o martírio antes mesmo de noivarem, se casarem e morarem nos Estados Unidos”, afirmou Comey em audiência na comissão judiciária do Senado americano.

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O casal teria se casado nos EUA em 2014. Malik, que morou parte da vida na Arábia Saudita e retornou ao Paquistão para estuar, teria entrado nos Estados Unidos em julho de 2014 com um visto K-1, para cônjuges.

O FBI acredita que o casal, que morreu em confronto policial horas após o ataque ao Inland Regional Center, era simpatizante de organizações terroristas estrangeiras. Comey afirmou que seria “muito, muito importante saber” se o casamento no ano passado foi organizado a fim de armar ataques nos Estados Unidos.

As autoridades têm vídeos que indicam que eles praticavam alcance de tiro dias antes do ataque e agentes encontraram forte arsenal na casa deles. Não há evidência de que eles tinham cúmplices, mas investigadores suspeitam que integrantes da família e amigos próximos poderiam saber dos planos do casal.

“Estamos trabalhando muito para ver se alguém mais estava envolvido em assistir, equipar ou ajudá-los”, afirmou Comey.

Amigo de infância
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Os investigadores do caso de San Bernardino também analisam a relação entre Farook e o amigo de infância Enrique Marquez, que teria comprado os rifles AR-15 usados pelo casal no ataque que também deixou 21 feridos. Segundo o “New York Times”, Marquez se converteu ao Islã há dois anos e documentos estatais mostram que ele tinha ligações com a família de Farook por matrimônio.

Marquez, funcionário da rede de supermercado Walmart na cidade de Corona, não foi preso mas foi interrogado pelo FBI na terça-feira. A casa dele foi revistada durante o fim de semana. Logo após o tiroteio, Marquez se internou em uma clínica de psiquiatria em Los Angeles.

Documentos do governo americano apontam que Marquez se casou com Mariya Chernykh, cuja irmã é casada com o irmão de Farook, Syed Raheel Farook, veterano da Marinha dos EUA.