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Jovem usa máscara para passear por Nova York (Imagem: Johannes Eisele) / AFP)
Jovem usa máscara para passear por Nova York (Imagem: Johannes Eisele) / AFP)| Foto: AFP

Quatro pessoas que já tinham sido consideradas curadas da infecção pelo novo coronavírus, que já matou mais de 3 mil pessoas ao redor do mundo, voltaram a testar positivo para a doença semanas após receberem alta hospitalar e serem liberadas da quarentena. A descoberta, publicada em artigo no Journal of the Medical American Association na última quinta-feira (27), levanta algumas hipóteses preocupantes sobre a doença, que envolvem a sua disseminação e tratamento.

O governo japonês reportou na semana passada que uma mulher em Osaka teria testado positivo pela segunda vez, semanas depois de ter se recuperado da infecção e recebido alta do hospital onde esteve internada.

Na China, epicentro da epidemia, quatro profissionais da área médica expostos ao vírus, que já tinham sido considerados curados, foram submetidos a um teste que detecta material genético viral. Eles voltaram a apresentar resultados positivos de cinco a 13 dias depois de não apresentarem mais sintomas.

Especialistas do Hospital Zhongnan, da Universidade de Wuhan, na China, responsáveis pelo estudo, tentaram explicar os resultados de diferentes formas. Wuhan é a região chinesa que concentra a maior parte dos casos da epidemia.

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Uma das hipóteses considerou que o teste genético, o de PCR, é altamente sensível e pode acusar a presença de material viral em apenas uma molécula. Ou seja, o teste poderia estar captando fragmentos remanescentes de vírus.

Outra possibilidade é que o teste cujo resultado deu negativo pode não ter sido feito de forma apropriada. As amostras podem, por exemplo, ter sido armazenadas em temperaturas sob as quais os vírus se deterioram. Ou, ainda, a amostra para exame pode não ter sido colhida corretamente.

Há, porém, uma hipótese mais preocupante. O novo coronavírus, raciocinam os pesquisadores, provocaria uma infecção bifásica. O vírus persistiria no organismo e, após algum tempo, ressurgiria com sintomas diferentes.

No caso do Ebola, por exemplo, foi constatado que o vírus persiste por meses no organismo, com ressurgência nos olhos. Nesta fase, o vírus da febre hemorrágica é capaz de infectar outras pessoas, disseminando a epidemia.

A maior preocupação agora é determinar se, no período em que o paciente testa negativo para o vírus, ele seria capaz de transmitir a doença. Se confirmada, essa hipótese teria implicações na disseminação da epidemia. Por enquanto, é impossível saber com certeza o que aconteceu, até porque o vírus Covid-19 ainda é muito pouco conhecido.

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