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Um homem oferece serviços de limpeza de carros em Caracas, em fevereiro de 2022: crise econômica afeta biodiversidade do país
Um homem oferece serviços de limpeza de carros em Caracas, em fevereiro de 2022: crise econômica afeta biodiversidade do país| Foto: EFE/ Miguel Gutiérrez

A biodiversidade em território venezuelano está em perda acelerada e um dos motivos é a crise humanitária e econômica pela qual passa o país. A conclusão é do Observatório Venezuelano de Direitos Humanos Ambientais (OVDHA), que apresentou nesta quarta-feira (18) um relatório detalhando o desastre ecológico.

Sob o título "Emergência Humanitária na Venezuela e Vida Selvagem: Diversidade biológica sitiada pela crise", os especialistas alertaram para o risco dessa perda biológica levar à violação das garantias fundamentais das populações rurais e indígenas.

"Há décadas, a fauna silvestre vem sofrendo um processo de perda contínua que parece ter se agravado nos últimos anos, como resultado da crise econômica. Essa crise empurrou alguns grupos populacionais a consumir fauna silvestre como meio de subsistência", pontuou o geógrafo e professor da Universidade Central da Venezuela (UCV), Antonio De Lisio, um dos porta-vozes da apresentação do relatório.

De acordo com o OVDHA, a situação pode favorecer o crescimento do tráfico ilegal de espécies por pessoas que utilizam animais para resolver problemas econômicos individuais e também por grupos do crime organizado.

Venezuela está atrasada em relação a países vizinhos, como o Brasil

De Lisio ainda comparou a situação da Venezuela com países vizinhos, inclusive o Brasil, frequentemente criticado em relação aos cuidados com o meio ambiente. Pela análise do observatório, as condições em território venezuelano são muito mais preocupantes. "No país, estamos muito atrasados ​​na questão da biodiversidade e no cumprimento dos acordos internacionais. Isso ocorre porque não há vontade do Estado, muito menos progresso. Ao contrário de outros países da região", alertou o professor.

Os estudos mostram que, devido à crise, professores e gestores ambientais estão deixando os cargos nas universidades e até indo embora do país. Os pesquisadores alertaram as autoridades sobre a importância de valorizar as universidades públicas e a educação ambiental como um todo.

O coordenador geral do Clima21, uma organização que vincula direitos ambientais e humanos no país, Alejandro Álvarez, pediu ações imediatas do governo. “É urgente que se acabe com a falta de acesso à informação ambiental gerada pela opacidade governamental, juntamente com a debilidade institucional do Estado venezuelano em questões ambientais e o progressivo desmantelamento das universidades públicas venezuelanas e centros de pesquisa", reclamou Álvarez.

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