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Invasão de Fronteira

Crise migratória na Espanha força reunião de emergência na União Europeia

Migração em Ceuta causou 67 vítimas fatais. UE pede reunião de emergência.
Migração em Ceuta causou 67 vítimas fatais. UE pede reunião de emergência. (Foto: YOAN VALAT/EFE/EPA)

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A União Europeia convocou, neste sábado (1º), uma reunião de emergência para debater o avanço descontrolado da crise migratória em Ceuta, enclave espanhol situado no norte da África. O alerta máximo foi acionado após episódios de invasão massiva das fronteiras europeias nos últimos dias.

Ao todo, 22 países que compõem o bloco exigem respostas coordenadas e imediatas para conter a onda de travessias ilegais na região. O avanço do fluxo migratório colocou as forças de segurança locais em estado de prontidão e escancarou a fragilidade da fiscalização na fronteira sul do continente.

O estopim para o caos é atribuído a uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que flexibilizou o tratamento concedido a quem ingressa no país por vias marítimas. A Corte espanhola determinou que os imigrantes ilegais que alcançarem o território por mar não poderão sofrer extradições imediatas.

O entendimento da Justiça espanhola foi amplamente difundido e explorado em solo marroquino, gerando uma corrida desordenada em direção à Ceuta. Movidos pelo afrouxamento das regras de deportação, milhares de pessoas se lançaram ao mar na tentativa de forçar a entrada na Espanha.

Afrouxamento de regras

Diante do cenário de instabilidade, as nações da União Europeia pretendem discutir medidas para reforçar a atuação da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, a Agência Frontex, na proteção da fronteira espanhola, além de exigir maior rigor na cooperação com o governo do Marrocos para travar as partidas ilegais.

O pedido para a realização do encontro emergencial não contou com a assinatura de França, Luxemburgo, Portugal, Irlanda e da própria Espanha, expondo as divergências internas do bloco sobre o combate à imigração ilegal.

Apesar da omissão inicial do documento, o primeiro-ministro espanhol, o esquerdista Pedro Sánchez, declarou apoio à convocação da assembleia, que reunirá os ministros do Interior dos países europeus para traçar planos de contenção.

Na manhã deste sábado (1º), o governo da Espanha alegou que o fluxo ostensivo de entrada de imigrantes na cidade de Ceuta havia sido estabilizado pelas forças policiais.

Colapso humanitário

Segundo dados divulgados por autoridades locais, a invasão recente mobilizou cerca de 50 mil imigrantes que conseguiram romper as barreiras e acessar a cidade. Desse total, cerca de 48 mil pessoas já retornaram ao território marroquino após o cerco das forças de segurança.

A tragédia gerada pela atração ilusória de fronteiras abertas também cobrou um preço alto em vidas nas águas do Mediterrâneo. Conforme balanço oficial do governo espanhol, ao menos 67 pessoas morreram afogadas durante a travessia marítima, apenas nos últimos três dias.

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