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Na França

De “Trump imperador” a “não sou esquerdista”: as falas controversas de Lula no G7

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O presidente do Brasil, Lula, ao lado da primeira-dama, Janja, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa. (Foto: LUDOVIC MARIN/EFE/EPA/POOL)

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Durante sua participação na cúpula do G7, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamou a atenção pela sequência de falas controversas dadas em declarações públicas após encontros ou captadas por transmissões do evento.

A seguir, listamos as principais falas controversas do petista no encontro.

"Trump acha que pode dar ordem ao mundo"

Uma das declarações de Lula ocorreu durante uma conversa dele com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. A declaração dele foi captada pela Associated Press (AP). Nela, o petista critica o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando o republicado de “imperador”.

"Eu não gosto de briga. Mas eu não suporto o comportamento do governo americano", disse Lula na ocasião. Na sequência, o petista disse que Trump tem "comportamento de imperador" e afirmou que o chefe da Casa Branca acredita que pode "levantar de manhã e dar ordem no mundo todo".

"Não se meta nas eleições do Brasil"

Após Trump comentar a situação política brasileira, onde ele classificou o país como "um pouco conturbado" e "perigoso politicamente", Lula reagiu, alertando o presidente americano a “não se meter nas eleições” brasileiras.

"Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles", declarou.

Na mesma fala, o petista defendeu o sistema eleitoral brasileiro e disse que os Estados Unidos poderiam "aprender com o Brasil". Segundo Lula, não há país com eleições "mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas" do que o Brasil. Ele também elogiou as urnas eletrônicas, afirmando que o resultado das eleições brasileiras é conhecido poucas horas depois do fim da votação.

Ao comentar a situação do Brasil, Trump também falou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele disse ter ouvido que "prenderam alguém que está concorrendo à Presidência" e citou "Bolsonaro Jr.", em aparente referência aos filhos do ex-presidente brasileiro. Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro se encontraram com Trump no mês passado.

"Eu nunca fui esquerdista"

Em uma conversa com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Lula afirmou que nunca se considerou um político de esquerda, em outra fala controversa do presidente brasileiro que foi captada durante o evento.

"Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT, da Espanha", disse.

Pouco antes, ele também afirmou que "o mundo não é de esquerda, mas do caminho do meio".

"Já fui tratado como anticomunista"

Na mesma conversa captada, Lula relembrou episódios do início de sua trajetória política e afirmou que chegou a ser visto como anticomunista nos anos 1980.

"Em 1980 tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado. Eu não fui na Rússia porque eu estava condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. Aí passei a ser tratado como anticomunista", afirmou.

"Não sei por que a ONU não recomenda o sistema eletrônico de votação"

Essa outra fala de Lula também foi captada enquanto ele falava com Georgieva e Merz no G7. Na ocasião, ele passou a defender o sistema eleitoral brasileiro via urnas eletrônicas, falando sobre sua trajetória política e questionando por que a ONU não recomenda as urnas eletrônicas para todos os países do mundo.

"Eu não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico de votação como orientação aos países", declarou o petista.

Em seguida, o presidente afirmou que suas vitórias e derrotas ocorreram sob o sistema eletrônico de votação.

"Posso ser eleito quatro vezes"

Ao ser questionado por Georgieva durante a conversa sobre as urnas a respeito da possibilidade de disputar novamente a Presidência, Lula respondeu que a legislação brasileira permite voltar ao cargo após um mandato de intervalo e falou que possivelmente pode ser eleito pela quarta vez no Brasil no sistema de urnas eletrônicas.

"Se eu for eleito agora, serei o presidente eleito mais longevo da História do Brasil. O único presidente que foi eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes", declarou.

“Não sentia interesse do Zelensky pela paz”

Outra declaração controversa feita por Lula ocorreu após o encontro dele com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ao comentar a reunião, o petista afirmou que, pela primeira vez desde o início da guerra, percebeu disposição do líder ucraniano para buscar uma solução para o conflito.

"Pela primeira vez, eu senti o Zelensky com muita disposição de encontrar uma solução e, naquilo que eu puder ajudar, vou ajudar", declarou.

Lula foi além e sugeriu que, até então, não via interesse dos envolvidos em encerrar a guerra.

"Eu não sentia interesse do Zelensky pela paz, não sentia interesse do [ditador russo, Vladimir] Putin pela paz, não sentia interesse do [ditador da China] Xi Jinping pela paz", afirmou.

Segundo o presidente brasileiro, a conversa realizada durante o G7 foi a melhor que já teve com Zelensky desde o início da invasão russa. Lula também afirmou ter percebido uma “mudança na postura do ucraniano” em relação às negociações e defendeu maior participação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU na busca por uma solução diplomática para o conflito.

"Sem controle, IA vai ampliar desigualdades"

Durante discurso, Lula voltou a defender a regulação das plataformas digitais.

"Enquanto empresas de tecnologia possuem valor equivalente ao de grandes economias, 2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem desconectadas da internet. Sem ação deliberada, a inteligência artificial pode ampliar, e não reduzir, desigualdades", afirmou o presidente.

Na mesma fala, Lula defendeu que os dados produzidos por cidadãos e instituições brasileiras sejam protegidos e gerem valor para a sociedade. O petista também citou o ECA Digital, legislação sancionada neste ano para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

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