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Dilma Rousseff recebeu os líderes sul-americanos para a Cúpula do Mercosul, que começou nesta sexta-feira (17) | FERNANDO BIZERRA JR/EFE
Dilma Rousseff recebeu os líderes sul-americanos para a Cúpula do Mercosul, que começou nesta sexta-feira (17)| Foto: FERNANDO BIZERRA JR/EFE

Em meio a uma grave crise política no Brasil, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (17) que não há espaço para aventuras e atitudes antidemocráticas na América Sul, ao abrir a reunião de presidentes do Mercosul, no Itamaraty.

Dilma disse que a região sofreu duramente com ditaduras e que, graças à democracia, vive um clima de normalidade. A declaração foi feita depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está sendo investigado na Operação Lava Jato, anunciar seu rompimento com o governo.

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“Somos uma região que sofreu muito com as ditaduras. Somos uma região onde a democracia floresce e amadurece. No ano passado, houve eleições gerais no Uruguai e no Brasil. Este ano, é a vez da Argentina e da Venezuela. A realização periódica e regular desses pleitos dá capacidade de lidar com as diferenças políticas. Temos de persistir nesse caminho, evitando que as disputas incitem a violência. Não há espaço para aventuras antidemocráticas na América do Sul”, enfatizou.

Dilma chorou ao mencionar que esta é a última reunião de cúpula de sua colega argentina Cristina Kírchner. Lembrou que as eleições na Argentina acontecerão em outubro deste ano, quando um novo presidente assumirá, e arrancou aplausos demorados para a mandatária argentina.

“Nesses oito anos em que lhe coube presidir a nação Argentina, você imprimiu posição firme e democrática a seu país. Do ponto de vista pessoal e político, quero dizer que você terá no Brasil uma amiga sempre pronta para compartilhar sistematicamente sonhos e esperanças”, disse.

A presidente brasileira anunciou ainda a decisão do Mercosul de declarar o ex-presidente João Goulart “cidadão ilustre” do bloco sul-americano. Integram o grupo, entre outros, os já falecidos ex-presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Néstor Kirchner (Argentina) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Economia

Dilma Rousseff destacou a importância estratégica do bloco diante do novo cenário econômico mundial.

“Chegou ao fim o superciclo das commodities, e a economia chinesa mudou. Isso pede mudança de políticas para retomar o crescimento. Nossos países estão empenhados em reformas domesticas, e o Mercosul é fundamental nessa estratégia”, declarou Dilma.

Após destacar que essa é a terceira vez que preside uma cúpula do bloco, Dilma citou o escritor Eduardo Galeano para dizer que “a pobreza não está escrita nas estrelas”, ao contrário da solidariedade entre países vizinhos.

“A crise não pode ser razão para criar barreiras comerciais, deve encopar a integração e a solidariedade. É necessário também buscar acordos fora da região”, afirmou Dilma, acrescentando que durante a presidência pró-tempore do Brasil no bloco, foi aperfeiçoada a oferta de troca comercial com a União Europeia que deve acontecer ainda este ano.

Além disso, a presidente ressaltou a necessidade de consolidar a união aduaneira, sem esquecer a flexibilidade.

“A crise gera desafios para a economia, e as regras do Mercosul devem ser flexíveis para cada Estado adotar políticas ideais pra suas circunstâncias”, comentou.

Defesa

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, defendeu a presidente Dilma e enalteceu a chegada ao poder do colega Evo Morales, presidente da Bolívia. O venezuelano afirmou que, 40 anos atrás, a Operação Condor --uma conspiração entre militares do Cone Sul para manter o poder nesses países -- não conseguiu derrubá-los e esse fato não se daria agora. Essa fala se deu na linha de fortalecimento das alianças no bloco.

“Temos um presidente indígena (Morales), há um movimento bolivariano, que somos nós, de pé. E ninguém vai nos apagar do mapa. Nenhuma pressão política vai nos apagar. Há 40 anos houve o Plano Condor, e não desaparecemos. Somos um projeto democrático, inclusivo”, disse Maduro, que concluiu elogiando Dilma.

“Presidente Dilma, agradecemos muito a oportunidade e todo esforço que o Brasil tem feito para manter a coesão de nosso bloco. Receba nosso abraço de respaldo. Um abraço carinhoso, amoroso de todo o povo da Venezuela. A admiramos. Que sua liderança continue na América do Sul. Vemos o Brasil com otimismo, simpatia e admiração”, disse.

Também protagonizando uma forte crise em seu país, Cristina Kírchner lembrou a cláusula democrática do Mercosul, que exclui o país onde há o rompimento da democracia. Esse princípio, segundo Cristina, deve ser levado a cabo não apenas no aspecto jurídico, mas também nos planos político e social.

“Qualquer Estado integrante do Mercosul, ou da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), em que o governo seja removido por outro que não seja produto de eleições livres, populares e democraticamente eleito perde o caráter de Estado membro.”

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