A primeira-dama Sandra Torres e o presidente da Guatemala, Álvaro Colom: divorciados, mas vivendo sob o mesmo teto| Foto: Governo da Guatemala

A primeira-dama da Guatemala, Sandra Torres, pediu o divórcio. O motivo da separação foi incomum: a corrida presidencial. Co­­mo a Constituição local proíbe que familiares de um governante sejam candidatos a sucedê-lo, Sandra se separou do presidente Álvaro Colom a fim de "se casar com o povo", em suas próprias palavras.

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Três semanas antes, Colom, impedido legalmente de tentar a reeleição, havia assegurado que "o divórcio não era uma opção". Advogados buscavam brechas na lei para que Sandra, popular no país pela sua atuação em programas sociais, concorresse à Pre­­sidência. Um artigo da Consti­­tuição, porém, impede que concorram parentes de até quarto grau de consanguinidade do presidente e também aqueles até o "segundo grau de afinidade". A primeira-dama se enquadraria no primeiro grau de afinidade com Colom. Mas, se a separação for referendada pelo Judiciário, o caminho estará livre para que ela tente a Presidência.

Apesar do divórcio, os dois seguem vivendo sob o mesmo teto. Segundo o jornal El Perió­­dico, a juíza encarregada do caso insinuou, no processo, que o normal é que os casais se distanciem nessas condições. Porém, o advogado do presidente notou que essa é uma decisão pessoal.

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Na disputa presidencial, o principal adversário da centro-esquerdista Sandra, do partido governista Unidade Nacional da Esperança, será o general reformado Otto Pérez Molina, do conservador Partido Patriota.

"Sandra Torres é vista como uma executora muito boa de programas sociais", diz o sociólogo político Gustavo Berganza, pesquisador da Asociación para el Desarrollo, la Organización y Es­­tudios (Doses), além de colunista do jornal El Periódico. "Mas quando se fala de capacidade frente à violência, o general Otto Pérez Molina se sai muito melhor que a senhora Torres."

Pesquisa de intenção de votos da companhia Borge y Asociados, divulgada no fim de fevereiro por El Periódico, mostrou Pérez Mo­­lina com 43%. Já Sandra estava com apenas 11%. "Tenho a im­­pressão de que Pérez Molina chegou a seu teto", acredita o sociólogo. "Já a candidata tem margem para crescer."

Exemplo argentino

Outro entrevistado, o professor Gary Prevost, especialista em América Latina da Universidade St. John’s, em Minnesota, estabelece um paralelo com o "casal presidencial" argentino, Néstor e Cristina Kirchner. Impossibilitado de concorrer novamente à Pre­­sidência, Néstor Kirchner apontou a mulher como sucessora e esta conseguiu se eleger em 2007. Mas Prevost pondera que Cristina era vista como uma figura política importante, até mesmo mais conhecida do que o marido antes da primeira campanha presidencial de Kirchner. Sandra Torres é vista como uma figura mais forte na área social, com apoio entre as comunidades beneficiadas pelos programas que comanda, entre suas atribuições de primeira-dama.

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Prevost traça ainda uma analogia com outra figura argentina: Eva Perón. Entre 1946 e 1952, Evi­­ta foi primeira-dama e liderou o Ministério do Trabalho e do Bem-Estar Social. No período, seu no­­me ganhou muita força na Ar­­gentina, como a "mãe dos pobres" e parceira do marido, Juan Do­­mingo Perón.