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Para entender

DNA revela que gatos chegaram na Europa milhares de anos após a agricultura

Estudos de DNA antigo indicam que os gatos domésticos chegaram à Europa apenas cerca de 2 mil anos atrás, e não com os primeiros agricultores. (Foto: Wikimedia Commons)

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Um novo estudo genético publicado na revista Science muda o que sabíamos sobre a história dos felinos. A análise de 87 genomas indica que os gatos domésticos não acompanharam os primeiros agricultores na chegada ao continente europeu, como se acreditava. A dispersão real ocorreu milhares de anos depois, vinda do norte da África e impulsionada pelas rotas comerciais no Mar Mediterrâneo.

Como os cientistas descobriram que a cronologia estava errada

Uma equipe internacional com pesquisadores de 40 instituições analisou o material genético de gatos encontrados em sítios arqueológicos na Europa e na Turquia, cobrindo um período de 11 mil anos. Eles perceberam que restos mortais de gatos datados de até 6.300 anos atrás, antes considerados domésticos, eram na verdade de gatos-selvagens-europeus. Esses animais tinham apenas alguns traços de cruzamento com espécies africanas, mas não viviam sob os cuidados humanos. A diferença foi notada ao analisar o genoma completo, que oferece detalhes que o DNA materno sozinho não conseguia mostrar.

Quando os primeiros gatos domésticos realmente pisaram na Europa

A pesquisa aponta que os felinos domésticos surgiram no registro europeu de forma muito mais recente. O exemplar mais antigo com perfil genético de animal doméstico foi encontrado na região de Genoni, na Sardenha, na Itália, e tem cerca de 2.200 anos. Outros vestígios semelhantes só começaram a aparecer com frequência há aproximadamente 2 mil anos. Isso prova que, em vez de terem viajado com os agricultores do período Neolítico, esses animais se espalharam pelo continente em um processo muito posterior, provavelmente pegando carona em navios que circulavam por toda a bacia do Mediterrâneo.

Por que existe tanta confusão sobre a origem desses animais

A história é complexa porque os gatos descendem do gato-selvagem-africano e, ao longo dos milênios, as populações selvagens e domésticas continuaram se cruzando e trocando genes. Esse 'mistura' genética dificulta para os cientistas determinarem o momento exato em que o bicho deixou de ser apenas um caçador solitário para virar um companheiro de casa. Além disso, existem dois grandes centros históricos de domesticação que disputam o título de origem: o Oriente Médio, há 9.500 anos, e o Egito, há 3.500 anos. O estudo reforça que o norte da África foi o ponto de partida da linhagem europeia.

O que ainda falta descobrir sobre a trajetória dos felinos

Embora o estudo tenha deixado claro que a expansão na Europa ocorreu nos últimos dois milênios, ainda não se sabe exatamente de qual população específica do norte da África esses gatos vieram. Os pesquisadores defendem que é fundamental aumentar o número de amostras genéticas antigas, especialmente de regiões do Egito e do Oriente Médio, para preencher as lacunas que ainda restam. Só com mais dados será possível entender com precisão como esses animais deixaram de ser apenas tolerados perto de estoques de grãos para se tornarem os animais de estimação que conhecemos hoje em todo o mundo.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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