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O eclipse solar total de 12 de agosto será um dos grandes espetáculos astronômicos do ano – visível na Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Espanha, uma pequena porção do norte de Portugal e áreas do oceano Atlântico –, mas o fenômeno também revela histórias e curiosidades que vão muito além dos poucos minutos de escuridão provocados pela Lua.
Há 2 mil anos, por exemplo, um sofisticado mecanismo construído na Grécia Antiga já era capaz de prever eclipses. Hoje, sabemos por que um eclipse de 99,9% é tão diferente de um eclipse total e também que esse espetáculo não existirá para sempre.
Assim, confira quatro curiosidades sobre esse fenômeno que fascina a humanidade há milhares de anos.
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1. O “computador” que previa eclipses há 2 mil anos
Construído na Grécia em meados do século 2 a.C., o Mecanismo de Anticítera é considerado o mais antigo dispositivo conhecido capaz de realizar cálculos astronômicos. Feito de bronze, ele era usado para prever eclipses, acompanhar calendários e determinar as datas de importantes competições esportivas da Grécia Antiga, incluindo os Jogos Olímpicos de Olímpia.
O dispositivo foi encontrado em 1900, entre os destroços de um naufrágio no Mar Egeu, e hoje está preservado em 82 fragmentos. Seu funcionamento só começou a ser compreendido em detalhes a partir do século 20, com avanços importantes nas pesquisas e na reconstrução de suas engrenagens.
O mecanismo original provavelmente ficava dentro de uma caixa de madeira de cerca de 33 centímetros de altura por 18 centímetros de largura. Em seu interior havia dezenas de engrenagens que movimentavam indicadores relacionados ao Sol, à Lua, ao calendário e ao zodíaco.
Por meio de uma manivela lateral, o usuário podia acompanhar os movimentos aparentes dos astros e calcular fenômenos astronômicos. Para a época, tratava-se de uma tecnologia extraordinariamente sofisticada.
2. Um eclipse 99,9% é diferente de um eclipse total
Em um eclipse solar, uma diferença aparentemente pequena pode mudar completamente a experiência. Mesmo que a Lua cubra 99,9% do Sol, o fenômeno não será igual ao de um eclipse total.
A diferença está principalmente na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. Ela só se torna visível a olho nu durante a totalidade, quando a Lua bloqueia completamente o disco solar.
Em um eclipse parcial, mesmo quando a Lua encobre quase todo o Sol, a pequena parcela restante da superfície solar continua sendo milhares de vezes mais brilhante do que a coroa. Por isso, ela impede que esse delicado halo seja observado.
A totalidade também provoca mudanças perceptíveis no ambiente. Quando o Sol desaparece completamente, a luminosidade cai de maneira abrupta, a temperatura pode diminuir e os ventos podem sofrer alterações. O céu assume uma aparência semelhante à do início da noite, embora o fenômeno dure apenas alguns minutos.

Há ainda fenômenos que acontecem nos instantes próximos à totalidade. Entre eles está o anel de diamante, formado quando o último ponto de luz solar ainda visível aparece ao lado da Lua. Outro efeito são as contas de Baily, pequenos pontos luminosos produzidos pela passagem da luz solar pelos vales e irregularidades da superfície lunar.
Por isso, para quem observa um eclipse, 99,9% e 100% representam experiências muito diferentes.
3. Eclipse e chuva de meteoros: uma noite especial para observar o céu
O eclipse de 12 de agosto não será o único fenômeno astronômico a chamar a atenção. Para os observadores do céu no hemisfério norte, o período também coincide com o auge da chuva de meteoros Perseidas.
As Perseidas ocorrem todos os anos quando a Terra atravessa uma região do espaço repleta de partículas deixadas pelo cometa Swift-Tuttle. Ao entrar na atmosfera terrestre em alta velocidade, essas partículas se aquecem e produzem os rastros luminosos conhecidos popularmente como “estrelas cadentes”.
Em condições favoráveis de observação, longe da iluminação das cidades e com o céu limpo, dezenas de meteoros podem ser vistos ao longo de uma noite.
A coincidência com o eclipse torna o período especialmente interessante para os entusiastas da astronomia, que poderão acompanhar diferentes fenômenos celestes em uma mesma noite.
4. Eclipses solares totais vão desaparecer no futuro
Os eclipses solares totais não vão durar para sempre. A razão está em um movimento lento, mas contínuo, da Lua em relação à Terra.
Atualmente, nosso satélite natural se afasta da Terra a uma velocidade média de aproximadamente 3,8 centímetros por ano. Embora essa distância seja praticamente imperceptível na escala de uma vida humana, ela produz efeitos importantes quando observada ao longo de centenas de milhões de anos.
À medida que a Lua se afasta, seu tamanho aparente no céu diminui. Hoje, por uma coincidência geométrica, a Lua e o Sol apresentam tamanhos aparentes muito semelhantes vistos da Terra. Isso permite que, durante determinadas configurações, a Lua cubra completamente o disco solar e revele a coroa.
No futuro distante, porém, a Lua parecerá pequena demais para esconder completamente o Sol. Mesmo quando estiver no ponto de sua órbita mais próximo da Terra, seu disco aparente não será mais suficiente para produzir um eclipse total.
A estimativa é de que isso aconteça daqui a cerca de 600 milhões de anos. A partir de então, os eclipses solares totais deixarão de ocorrer, embora os eclipses anulares – nos quais um anel do Sol permanece visível ao redor da Lua – continuem sendo possíveis.




