O presidente Nicolás Maduro e outros políticos comemoram após as eleições de domingo (15), na Venezuela| Foto: FEDERICO PARRA/ AFP

Dois dias depois que seus aliados venceram os governos em 17 dos 23 estados da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro disse que as eleições para as prefeituras devem ocorrer ainda neste ano. A declaração foi feita em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na terça-feira (17), enquanto fazia críticas ao presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, apontado por ele como um dos responsáveis pela violência nas manifestações contra seu regime.  

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"Temos uma ‘surpresinha’ no CNE [Conselho Nacional Eleitoral] que será revelada em seu momento. Julio Borges, se vocês quiserem deixar o sistema eleitoral, deixem-no, vai ter eleição com ou sem vocês. Se vocês ficarem, nas próximas eleições para prefeito vamos ganhar em 90% das prefeituras do país."  

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Na sequência, Maduro mencionou que o mandato atual dos prefeitos termina em dezembro, dando a entender que os venezuelanos poderiam ir às urnas antes que eles acabem.  

Segundo o jornal "El Nacional", integrantes do governo, da oposição e do CNE afirmam que é bastante provável que a votação municipal seja no último mês de 2017.  

Embora a coalizão oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD) ainda não tenha fechado acordo sobre a participação em processos eleitorais futuros, a publicação diz que os partidos membros deverão se dividir entre ter ou não candidatos.  

Atraso

Assim como a eleição para os governos estaduais, o pleito para as prefeituras está atrasado. O CNE previa que a escolha dos novos prefeitos seria em março deste ano, mas a adiou por tempo indeterminado no final do ano passado sob a justificativa de não ter condições financeiras de realizar a votação.  

Logo após a convocação das eleições para governador, em agosto, a presidente do órgão eleitoral, Tibisay Lucena, disse que estimava que as eleições para prefeito aconteceriam  no primeiro trimestre do ano que vem.  

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Analistas políticos ouvidos pela imprensa venezuelana avaliam que o regime de Maduro deverá aproveitar o bom momento criado dentro do chavismo após a vitória do último domingo (15) e a divisão de seus adversários para acelerar a convocação do novo processo eleitoral.